Tendência reflete avanço de interiores mais naturais, permanentes e conectados ao quiet luxury e ao slow design
A Eliane, uma das principais fabricantes brasileiras de revestimentos cerâmicos e porcelanatos, observa uma retomada do visual travertino na arquitetura de interiores, impulsionada pela busca por ambientes mais calmos, naturais e permanentes. Depois de um ciclo marcado por cores intensas, excesso decorativo e composições altamente expressivas, o material volta reinterpretado por uma linguagem mais contemporânea, menos ornamental e mais arquitetônica. A pauta se conecta a um movimento mais amplo do design: a reação ao maximalismo e ao dopamine decor, com a valorização de superfícies neutras, táteis, extensas e capazes de criar continuidade visual nos espaços.

Nessa nova leitura, o travertino deixa de aparecer apenas como referência clássica e passa a funcionar como ferramenta de construção da atmosfera do ambiente. A tendência valoriza paletas terrosas e neutras, grandes formatos, menos interrupções visuais e soluções que permitem alternar duas interpretações do mesmo material: o vein-cut, de leitura mais linear e direcional, e o cross-cut, de aparência mais orgânica e suave. A combinação entre esses cortes ajuda a criar projetos com continuidade, profundidade e riqueza visual sem recorrer ao excesso decorativo.

Essa mudança acompanha uma reação ao excesso visual dos últimos anos, quando estéticas como maximalismo e dopamine decor passaram a dominar parte do debate sobre interiores. Segundo a Architectural Digest, entre as tendências de interiores para 2025 estão tons terrosos e ambientes imersivos, enquanto a Good Housekeeping aponta, para 2026, a valorização de materiais naturais e pedras com presença visual mais marcante em cozinhas e áreas sociais. Nesse contexto, o travertino surge como uma resposta de equilíbrio: mantém memória clássica, mas dialoga com o minimalismo contemporâneo, o quiet luxury, o slow design e a busca por espaços menos ruidosos.

Na prática, o vein-cut acompanha os veios da pedra e cria linhas mais longilíneas, contínuas e direcionais, com efeito mais arquitetônico, dramático e sofisticado. Já o cross-cut corta a pedra em sentido contrário aos veios, revelando desenhos mais orgânicos, variações nubladas e uma sensação visual mais suave, neutra e acolhedora. Embora partam da mesma inspiração mineral, os dois cortes produzem atmosferas distintas e permitem que arquitetos e designers explorem diferentes ritmos dentro de um mesmo projeto.
De acordo com Patrícia Loch Zanivan, coordenadora de design e portfólio da Eliane, a força dessa releitura está justamente na possibilidade de usar a mesma linguagem com diferentes intensidades. “O travertino voltou com uma leitura mais atual porque deixou de ser visto apenas como referência clássica. Hoje, ele permite construir continuidade, textura e profundidade nos espaços. Quando alternamos o vein-cut e o cross-cut, conseguimos trabalhar ordem e organicidade dentro do mesmo universo visual, criando ambientes harmônicos sem cair na repetição”, explica.
Esse recurso conversa diretamente com o avanço do total-look, conceito marcado pelo uso de uma mesma linguagem visual do piso às paredes. Em vez de composições fragmentadas, com muitos materiais competindo entre si, o projeto passa a buscar continuidade, fluidez e sensação de pele arquitetônica. Grandes formatos reforçam esse efeito ao reduzir a presença de rejuntes e permitir que veios, nuances e padrões tenham mais espaço para se desenvolver.
Essa evolução mostra como a escolha do revestimento passou a ter impacto direto na experiência do espaço. “Existe uma busca por ambientes que transmitam conforto, equilíbrio e pertencimento. O travertino atende a esse desejo porque une naturalidade, sofisticação e versatilidade. Ao mesmo tempo, as diferentes leituras de corte permitem que arquitetos e designers explorem projetos mais autorais, com continuidade visual e riqueza sensorial”, complementa, Patrícia.
Mais do que uma volta ao clássico, o movimento aponta para uma nova etapa no uso das pedras no design de superfícies. Em vez de protagonismo baseado em brilho, contraste ou excesso, o luxo passa a estar na permanência, na textura e na capacidade de criar ambientes coerentes. O travertino contemporâneo se posiciona nesse território: menos ostentação, mais atmosfera; menos decoração acumulada, mais arquitetura construída pela superfície.
Sobre a Eliane
Fundada em 1960, em Santa Catarina, a Eliane é uma das principais fabricantes brasileiras de revestimentos cerâmicos e porcelanatos, reconhecida pela combinação entre tecnologia, design e alta performance. Com atuação no Brasil e presença internacional, a empresa desenvolve soluções inovadoras para projetos residenciais, comerciais e de grande porte, mantendo foco em qualidade, sustentabilidade e na parceria com arquitetos, designers e engenheiros.
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