Necessidade constante de agir pode estar relacionada à dificuldade de lidar com a incerteza; abordagem terapêutica propõe explorar as emoções e experiências associadas a esse comportamento.
Responder a todas as mensagens, antecipar problemas, buscar soluções antes mesmo de entender o que está acontecendo. Para algumas pessoas, ficar sem agir diante de uma situação incerta parece quase impossível. A urgência em resolver tudo pode ser percebida como produtividade, mas também pode estar relacionada à dificuldade de lidar com emoções como medo, insegurança e ansiedade.
É nesse contexto que a Biodécodage (Decodificação Biológica), abordagem terapêutica desenvolvida pelo francês Christian Flèche, propõe investigar como cada pessoa vivencia suas experiências e os significados que atribui a elas. A prática busca ampliar a compreensão sobre emoções, conflitos e comportamentos, considerando a história individual.
A terapeuta Sonia Spenassatto, que atua com Biodécodage desde abril de 2024, utiliza essa perspectiva em atendimentos voltados a questões como medo da escassez, insegurança, rejeição e conflitos familiares. Seu trabalho busca explorar o que determinados comportamentos representam para cada pessoa e como experiências anteriores podem influenciar suas crenças e escolhas no presente.
Sonia é criadora do Método Girassol, um processo que convida cada pessoa a olhar para a própria história com profundidade, reconhecer padrões antes automáticos e ampliar a consciência sobre aquilo que vive, e já atendeu muitas pessoas com ansiedade intensa. Em um desses casos, a ansiedade estava somada à insegurança financeira e à dificuldade de se posicionar. A necessidade de resolver problemas imediatamente chamava a atenção: diante da incerteza, permanecer sem agir era especialmente difícil.
Durante o processo terapêutico, utilizando também as ferramentas de Biodécodage, que são os protocolos de tratamento, foram exploradas crenças relacionadas à dificuldade de ganhar dinheiro, experiências anteriores de insegurança e histórias familiares de perdas financeiras. O trabalho se concentrou em reconhecer as emoções associadas a essas vivências e ampliar as possibilidades de escolha diante das situações atuais.
Com a Biodécodage, essa investigação integra uma proposta de autoconhecimento que considera a singularidade de cada história, sem pressupor que um mesmo comportamento tenha a mesma origem em todas as pessoas. A abordagem pode oferecer um espaço de escuta e reflexão sobre padrões percebidos no cotidiano, sem estabelecer relações automáticas entre experiências emocionais e doenças.
Para o Instituto Cintia Chiarelli (ICC), que atua na formação e disseminação da Biodécodage no Brasil desde 2018, a preparação de profissionais na área faz parte de uma proposta de cuidado que considera a experiência emocional de cada pessoa. A abordagem é complementar e não substitui acompanhamento psicológico, avaliação médica ou outros cuidados de saúde necessários.
Saiba mais: @SoniaMétodoGirassol| @institutocintiachiarelli
Foto de Siavash Ghanbari na Unsplash


