Projeto do arquiteto André Henning rompe com o formato tradicional dos lounges de feira e aposta em ambientes imersivos para estimular encontros e experiências
Brasil, agosto de 2026 – Em um mercado em que experiência se tornou um diferencial competitivo, a arquitetura também começa a assumir um novo papel. Se antes espaços corporativos, feiras e eventos eram concebidos principalmente para expor produtos, hoje precisam incentivar encontros, permanência e relacionamento. Essa transformação estará em evidência na 42ª edição da ABIMAD, principal feira de móveis e acessórios de alta decoração da América Latina, que acontece entre os dias 3 e 6 de agosto, em São Paulo (SP).

Convidado para assinar o Lounge Internacional da feira, o arquiteto curitibano André Henning apresenta um projeto que rompe com um modelo repetido há anos em grandes eventos do setor. Em vez de transformar o ambiente em uma grande vitrine com mobiliários de diferentes fabricantes, o espaço foi concebido como uma experiência de convivência, distribuída em diferentes cenários que estimulam encontros, conversas e networking.
“O desafio foi justamente quebrar essa lógica de um grande showroom. Pensamos o lounge como um espaço vivo, onde as pessoas possam permanecer, conversar, fazer reuniões e criar conexões. A arquitetura deixa de ser apenas um suporte para exposição de produtos e passa a fazer parte da experiência de quem vive aquele ambiente”, explica Henning.

Com aproximadamente 200 metros quadrados, o Lounge Internacional reúne peças de mais de vinte fornecedores da própria ABIMAD, integradas em um projeto único. A proposta substitui a tradicional disposição de móveis por pequenos microambientes distribuídos ao longo do espaço, criando diferentes atmosferas de permanência sem compartimentações rígidas.
A linguagem arquitetônica aposta em uma estética contemporânea e futurista, marcada pela combinação entre madeira natural, aço escovado, iluminação linear e tecidos translúcidos em tons de azul. O resultado busca transmitir leveza, fluidez e sofisticação, valorizando tanto o mobiliário quanto a experiência dos visitantes.
“Queríamos que o visitante percebesse o ambiente como um todo, e não apenas como uma sequência de produtos expostos. Criamos pequenos lounges independentes, espaços mais intimistas para reuniões e uma circulação mais livre, permitindo diferentes formas de ocupação ao longo do percurso”, afirma.

Segundo o arquiteto, o conceito surpreendeu inclusive a organização da feira, acostumada ao formato tradicional dos lounges institucionais. “Foi uma leitura bastante diferente do que normalmente se faz em espaços desse tipo. A ideia era mostrar que um ambiente de relacionamento também pode ter identidade, narrativa e provocar sensações, sem abrir mão da funcionalidade.”
Arquitetura como estratégia
Para Henning, o projeto reflete uma transformação que vem acontecendo na arquitetura contemporânea. Cada vez mais, empresas, incorporadoras, restaurantes, hotéis, casas de espetáculo e espaços comerciais compreendem que o ambiente físico influencia diretamente a forma como pessoas interagem com uma marca. “A arquitetura deixou de cumprir apenas uma função estética. Ela passou a ser uma ferramenta estratégica para gerar experiências, fortalecer posicionamentos e criar conexões entre pessoas. É isso que faz um espaço ser lembrado”, ressalta o arquiteto.
Mais do que acompanhar tendências de mobiliário e decoração, a edição deste ano da ABIMAD evidencia uma mudança de paradigma: os ambientes deixam de ser apenas cenários e passam a desempenhar um papel ativo na construção de experiências. Uma transformação que, para André Henning, deve influenciar não apenas o universo da decoração, mas a forma como marcas e negócios projetam seus espaços nos próximos anos.
fotos: Reprodução Projeto


