Especialistas da ABN explicam por que a reta final da Copa exige atenção de quem sofre com enxaqueca
A fase decisiva da Copa do Mundo é marcada por emoção, tensão e expectativa. Jogos eliminatórios, disputas de pênaltis e viradas inesperadas prendem a atenção dos torcedores, mas podem representar um desafio para quem convive com enxaqueca. Isso porque os momentos mais intensos do torneio costumam reunir vários fatores associados ao surgimento de crises.
Embora a prevenção continue sendo fundamental, os pacientes contam hoje com opções de tratamento mais modernas. ” Os últimos anos trouxeram boas novidades no tratamento da enxaqueca, com o desenvolvimento de medicamentos específicos que atuam diretamente nos mecanismos da doença. Uma novidade são os anticorpos monoclonais contra o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), uma substância liberada durante as crises de enxaqueca. Esses medicamentos incluem erenumabe, fremanezumab, galcanezumab e eptinezumabe, aprovados para prevenção da enxaqueca a partir de 2018 e disponíveis no Brasil desde 2020 (todos de uso injetável). O único em comercilaização no Brasil agora é o Fremanezumabe (com a recente saída do mercado do Galcanezumabe). “, afirma a Dra. Renata Gomes, coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
Ansiedade, noites mal dormidas, desidratação, alterações nos horários das refeições, consumo excessivo de álcool e longos períodos diante das telas fazem parte da rotina de muitos fãs de futebol durante grandes competições. De acordo com a especialista da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a combinação desses hábitos pode aumentar o risco de crises em pessoas predispostas à doença.
A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta milhões de pessoas e figura entre as principais causas de incapacidade no mundo. Além da dor de cabeça intensa, geralmente pulsátil, as crises podem provocar náuseas, sensibilidade à luz e aos sons, tontura e alterações visuais. Situações de forte envolvimento emocional também podem funcionar como gatilho para alguns pacientes, especialmente quando associadas à privação de sono e a mudanças na rotina.
Para acompanhar os jogos sem comprometer a saúde, a neurologista da ABN recomenda manter uma boa hidratação, evitar longos períodos em jejum, respeitar os horários de sono e moderar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína. Também é importante fazer pausas durante o uso prolongado de celulares, computadores e televisores.
Apesar dos avanços no tratamento, a Dra. Renata Gomes ressalta que a prevenção continua sendo fundamental. Dormir bem, manter uma boa hidratação, evitar longos períodos em jejum, moderar o consumo de álcool e identificar os gatilhos individuais podem fazer diferença no controle da enxaqueca. Assim, é possível torcer pela seleção e viver a emoção da Copa sem aumentar o risco de uma crise.
Sobre a ABN
A Academia Brasileira de Neurologia é a instituição que congrega os neurologistas do país, promovendo o ensino, a pesquisa e a assistência de excelência em saúde neurológica.
Foto de Vitaly Gariev na Unsplash


