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Alterações na glicose podem comprometer a defesa da boca e favorecer inflamações na região do implante

Muitas pessoas encaram o implante dentário como uma etapa encerrada depois da cirurgia. Colocou, cicatrizou, voltou a mastigar e pronto. Mas, em pacientes com diabetes, esse acompanhamento pede atenção maior. Segundo a dentista Dra. Cristina Miura, especialista em gengiva e implantes, as alterações na glicose podem comprometer a defesa do organismo e deixar a gengiva ao redor do implante mais vulnerável a inflamações.

De acordo com a dentista, o diabetes afeta a resposta de células de defesa que atuam justamente na região entre o dente ou implante e a gengiva. Quando essa proteção perde eficiência, bactérias presentes na boca encontram mais espaço para agir. “Quando a pessoa tem alteração na glicemia ou no açúcar no sangue, existe uma queda de defesa local”, afirma.

Por isso, pacientes com diabetes precisam de atenção maior à saúde da gengiva e ao acompanhamento odontológico, principalmente quando já usam implantes.

Por que o diabetes interfere nesta região

Segundo Miura, a boca possui um sistema de defesa próprio ao redor dos dentes, implantes e gengiva. Quando a glicemia se altera, esse mecanismo pode perder parte da eficiência.

A especialista explica que, com essa barreira mais fraca, o acúmulo de bactérias passa a causar inflamação com mais facilidade. Em pacientes com implante, esse cenário exige vigilância maior, porque a saúde da gengiva ao redor da estrutura é parte essencial da estabilidade do tratamento.

Dra. Cristina reforça que cuidar da gengiva e controlar o diabetes fazem parte do mesmo cuidado. “É muito importante que se procure um dentista para o tratamento da doença periodontal, mas tão ou mais importante é o controle do diabetes”, afirma.

Ou seja, o acompanhamento da boca não substitui o tratamento do diabetes, e o controle da glicose também influencia a resposta do organismo diante de inflamações.

Quais sinais merecem atenção

  1. Sangramento ao redor do implante
    A presença de sangue durante a escovação ou higiene da região pode indicar inflamação e não deve ser ignorada.
  2. Gengiva mais vermelha, inchada ou sensível
    Mudanças no aspecto da gengiva ao redor do implante podem ser um sinal precoce de irritação ou inflamação.
  3. Mau hálito persistente
    Quando o mau hálito não melhora com higiene adequada, pode indicar inflamação ou acúmulo bacteriano na região.
  4. Desconforto ao mastigar
    Sensibilidade ou incômodo ao mastigar, principalmente em alimentos mais duros, merece atenção.
  5. Alterações persistentes na área do implante
    Mudanças que permanecem por dias, como sensibilidade, inchaço ou desconforto, devem ser avaliadas.

Precisa de cirurgia? 

Uma dúvida comum é se a inflamação ao redor do implante já significa procedimento invasivo. Segundo a dentista, quando o problema recebe atenção cedo, os casos podem ser controlados sem cirurgia.

O ponto central, segundo a dentista, é não adiar a busca por avaliação. Quanto mais cedo procurar ajuda, maior a chance de um tratamento mais simples.

Quando buscar um dentista

Pacientes com diabetes devem ter atenção maior a sinais persistentes ao redor do implante. Sangramento, mudança no aspecto da gengiva, desconforto e alterações que não melhoram merecem investigação.

A orientação é não esperar dor forte ou um agravamento evidente. Nesses casos, a demora pode dificultar o controle da inflamação e tornar o tratamento mais complexo.

Quem é Dra. Cristina Miura?

Dra. Cristina Miura é cirurgiã-dentista (CRO-PR 11500), periodontista e implantodontista, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com mestrado em Microbiologia pela mesma instituição. Professora universitária, também se dedica à formação de dentistas. É criadora do Método dos Dentistas que Salvam Dentes, que foca na preservação de dentes naturais.

foto: Freepik

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