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Para Bruno Zanek, fundador e CEO da Zanek, avanço dos imóveis associados a grandes marcas abre uma discussão mais ampla sobre identidade, raridade e permanência no mercado residencial de alto luxo

Durante muito tempo, localização, metragem, arquitetura e qualidade construtiva concentraram boa parte dos atributos utilizados para determinar o valor de um imóvel de alto padrão. Nos últimos anos, um novo elemento ganhou espaço nessa equação: a marca.

O avanço das branded residences, empreendimentos residenciais associados a nomes da hotelaria, moda, automobilismo e outros universos do luxo, evidencia uma transformação no comportamento desse mercado. Mais do que adquirir metros quadrados, uma parcela dos compradores passou a buscar imóveis capazes de carregar identidade, códigos estéticos e uma experiência reconhecível.

Para Bruno Zanek, fundador e CEO da Zanek, o fenômeno levanta uma discussão que vai além da presença de uma grife em um empreendimento: o que acontece quando a autoria passa a fazer parte do valor percebido de uma residência?

“Durante muito tempo, o mercado imobiliário de luxo esteve muito associado aos atributos físicos do imóvel. O movimento das branded residences mostra que existe espaço para uma camada adicional de valor: identidade, coerência e experiência. Mas uma assinatura só se sustenta quando aquilo que ela representa está presente no projeto de verdade”, afirma.

MARCA E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE

A discussão se torna especialmente relevante à medida que mais marcas passam a ocupar o território residencial. Para Zanek, o amadurecimento desse mercado tende a tornar o comprador mais criterioso. Não basta que uma residência esteja associada a um nome reconhecido. É preciso compreender quanto dessa identidade efetivamente chegou à arquitetura, aos materiais, à execução, aos serviços e à experiência cotidiana de morar.

“Existe uma diferença importante entre colocar uma marca sobre um produto e construir um produto a partir de uma visão. No segundo caso, a identidade está nas decisões. Ela pode ser percebida mesmo quando o logotipo não está presente”, diz.

É nesse ponto que o debate sobre branded residences encontra outro conceito tradicional do universo do luxo: a autoria. Moda, mobiliário, automóveis, arte e alta gastronomia construíram parte de seu valor histórico a partir de linguagens reconhecíveis. Não apenas pela assinatura de quem cria, mas pela existência de códigos, critérios e maneiras particulares de interpretar materiais, proporções e experiências.

No morar, essa lógica começa a ganhar novas leituras. Na visão de Zanek, uma das próximas discussões do mercado de ultra luxo será justamente a capacidade de criar residências que não sejam projetos isolados, mas manifestações de uma linguagem consistente.

É uma lógica próxima àquela encontrada em coleções de design ou alta-costura: existe um pensamento central, mas suas manifestações podem assumir diferentes níveis de raridade e singularidade.

Na Zanek, essa visão levou à organização dos projetos em coleções arquitetônicas. Cada coleção parte de uma linguagem e de uma intenção, que podem se manifestar em Unidades Numeradas, Edições Especiais ou Peças Únicas. A empresa se define como uma Spatière – uma “alfaiataria do espaço” – e integra sob um mesmo olhar arquitetura, interiores, tecnologia, curadoria e experiência.

O conceito parte da ideia de que uma residência pode carregar uma identidade reconhecível sem necessariamente depender da associação a uma grife externa. “Autoria não significa repetir uma estética. Significa existir um pensamento capaz de atravessar todas as decisões. A arquitetura, a proporção, os materiais, a tecnologia, os objetos e até a maneira como a casa acolhe precisam conversar entre si. É essa coerência que transforma espaço em linguagem”, explica.

EXPRESSÃO DO MORAR

Para o executivo, a expansão das branded residences pode representar apenas uma das manifestações de uma transformação maior no mercado.

À medida que atributos técnicos se tornam pressupostos no segmento mais elevado, elementos menos tangíveis – como identidade, curadoria, raridade, serviço e experiência – passam a ocupar espaço na percepção de valor.

Isso não significa que uma assinatura seja suficiente para assegurar valorização ou liquidez. Localização, qualidade de execução, governança, manutenção e adequação do produto ao mercado continuam fundamentais.

A diferença é que o luxo contemporâneo começa a questionar a ideia por trás do imóvel. “Os objetos mais relevantes do luxo raramente são desejados apenas por sua função. Existe cultura, conhecimento, tempo e intenção incorporados neles. Acredito que o morar começa a absorver essa mesma lógica. Uma residência pode deixar de ser percebida somente como um conjunto de atributos e passar a ser reconhecida também pela visão que a originou”, afirma Zanek.

SOBRE BRUNO ZANEK

Bruno Mazanek é fundador e CEO da Zanek. Lidera a visão estratégica e criativa da empresa, atuando na definição de conceito, posicionamento e nível de exigência aplicado aos projetos.

SOBRE A ZANEK

A Zanek é uma marca de ultra luxo dedicada à criação de residências completamente prontas para viver. A empresa se define como uma Spatière – a alfaiataria do espaço – e integra arquitetura, interiores, tecnologia, curadoria e experiência sob uma visão única. Seus projetos são estruturados em coleções e concebidos a partir dos princípios de tempo, precisão, proporção, curadoria e experiência.

fotos: Eduardo Macarios

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