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Urologista explica por que o resultado do exame não deve ser interpretado isoladamente e como novas tecnologias ajudam a tornar o diagnóstico mais preciso

Receber um resultado de PSA dentro da faixa considerada normal costuma ser motivo de tranquilidade para muitos homens. O que poucos sabem é que o exame, sozinho, não é capaz de descartar completamente a presença do câncer de próstata. Da mesma forma, um PSA elevado não significa, necessariamente, que o paciente tenha a doença.

O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma das principais ferramentas utilizadas na investigação do câncer de próstata, mas seu resultado precisa ser analisado junto com outros fatores, como idade, histórico familiar, exame físico e exames de imagem, quando indicados.

Segundo o urologista paranaense, Dr. Alberto Tomé, especialista no tratamento uro-oncologia, interpretar o PSA de forma isolada ainda é um dos erros mais comuns.

“O PSA é um excelente marcador, mas não funciona como um exame que confirma ou exclui o câncer. Alguns tumores podem estar presentes mesmo com o PSA dentro da faixa considerada normal. Por outro lado, alterações benignas da próstata e inflamações também podem elevar o PSA sem que exista um tumor”, explica.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 77,9 mil novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, tornando a doença a mais frequente entre os homens, excluindo o câncer de pele não melanoma.

O aumento do PSA pode estar relacionado a diferentes condições, como hiperplasia prostática benigna, prostatites, infecções urinárias e outros processos inflamatórios. Por isso, um resultado alterado não significa automaticamente que o paciente precisará realizar uma biópsia.

Ao mesmo tempo, alguns tumores podem produzir pouca elevação do PSA, especialmente nas fases iniciais da doença.

“Não existe um número capaz de confirmar ou descartar o câncer para todos os pacientes. A interpretação depende do histórico clínico, da idade, da evolução do PSA ao longo do tempo e dos demais exames”, afirma Dr. Alberto Tomé.

Quando investigar além do PSA?

Quando existe suspeita clínica, exames de imagem ajudam a tornar a investigação mais precisa. Entre eles está o micro-ultrassom de alta resolução, tecnologia que produz imagens até 300% mais detalhadas que o ultrassom convencional e auxilia na identificação de áreas suspeitas para direcionar a biópsia.

“O objetivo hoje não é fazer mais biópsias, mas indicar esse procedimento para quem realmente precisa e realizá-lo com a maior precisão possível. Quanto mais informações temos antes da coleta, maiores são as chances de identificar um tumor clinicamente significativo e evitar procedimentos desnecessários”, destaca.

O médico foi um dos primeiros médicos a disponibilizar o micro-ultrassom no interior do Paraná, ampliando o acesso a uma tecnologia que antes estava concentrada em grandes centros.

Para o especialista, a principal mensagem é que o diagnóstico do câncer de próstata nunca depende de um único exame.

“Mais importante do que saber se o PSA está normal ou alterado é entender o que aquele resultado significa para cada paciente. O diagnóstico é construído a partir da combinação de informações clínicas, laboratoriais e de imagem. Essa avaliação individualizada é o que permite diagnosticar a doença no momento certo e evitar tanto atrasos quanto procedimentos desnecessários.”

foto: divulgação

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