Recurso pode ser utilizado quando paciente apresenta dificuldades de ficar imóvel, ansiedade ou fobia social
A realização de exames como colonoscopia, endoscopia, tomografia e ressonância magnética pode provocar estímulos dolorosos, dificuldade de permanecer imóvel e, em alguns casos, ansiedade ou fobia no paciente. Para tornar o procedimento tolerável e assegurar que seja realizado com segurança, pode ser utilizado o recurso da sedação, facilitando a cooperação durante o exame e reduzindo a percepção de incômodo.
Segundo informações da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a sedação consiste na administração de medicamentos que diminuem o nível de consciência durante a realização de procedimentos médicos. Embora aumente o conforto, é preciso ter atenção ao preparo prévio para evitar complicações e garantir que todos os protocolos de segurança sejam cumpridos, otimizando também os resultados.
No caso de exames endoscópicos, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) ressalta que o jejum faz parte das recomendações pré-procedimento. Ele é considerado fundamental para a prevenção da broncoaspiração do conteúdo gástrico e para permitir a avaliação da mucosa do trato gastrointestinal, principalmente em procedimentos de endoscopia digestiva alta.
De acordo com informações compartilhadas pela Rede D’Or São Luiz, o tempo de duração da ecoendoscopia alta varia de 30 a 60 minutos, dependendo da complexidade do caso e da necessidade de procedimentos complementares, como biópsias.
A Sobed destaca que, segundo a Sociedade Americana de Endoscopia Digestiva (ASGE) e a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA), o jejum para sólidos deve ser de pelo menos seis horas, com refeição leve e de baixo volume na véspera do exame. Para líquidos límpidos, como água, chá e café, o jejum mínimo é de duas horas.
Além do jejum, alguns exames exigem o uso de medicações específicas, como é o caso da tomografia com sedação. Também pode ser necessária a suspensão de medicamentos de uso contínuo antes do procedimento. A orientação é que o paciente tire todas as dúvidas com o médico que o acompanha para a realização segura do exame.
Paciente precisa levar acompanhante para endoscopia?
Em casos de sedação completa, a presença de um acompanhante maior de 18 anos no hospital é obrigatória, pois o paciente só estará apto a retomar suas atividades no dia seguinte, conforme informações da Rede D’Or São Luiz sobre o exame de endoscopia. O mesmo vale para outros procedimentos com sedação.
A recomendação também é reforçada pelo endoscopista Flávio Braguim. Em entrevista à imprensa, ele alerta que, devido aos efeitos da sedação, o paciente não deve dirigir veículos, assinar documentos, operar máquinas, consumir álcool ou tomar decisões importantes nas 24 horas seguintes.
Para pacientes e acompanhantes que têm dúvidas sobre quanto tempo dura a endoscopia, o médico explica que o exame leva de 15 a 30 minutos. Considerando o preparo e a recuperação da sedação, o tempo total de permanência na clínica ou no hospital varia de uma a duas horas.
Além disso, Braguim orienta que, após o exame, caso surjam sintomas como dor abdominal intensa, febre, vômitos ou fezes com sangue, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
Nível de sedação exige avaliação individualizada
A sedação pode ser classificada em três níveis, de acordo com a Ebserh: leve ou mínima (ansiólise), na qual o paciente responde a comandos verbais; moderada ou consciente, que possibilita respostas a ordens verbais ou estímulos táteis mais vigorosos; e profunda, quando o paciente responde apenas a estímulos dolorosos repetidos.
O anestesista Vinicius Heurich explica em seu perfil nas redes sociais que o nível de sedação é proporcional às necessidades do exame, do paciente e às condições hemodinâmicas individuais. Segundo ele, é preciso conversar com o paciente, avaliar o exame e definir o grau de anestesia adequado para cada caso.
Heurich acrescenta que a sedação depende também da avaliação dos medicamentos em uso, com possível suspensão ou manutenção de alguns deles, além da análise de comorbidades e do pré-anestésico, que podem interferir na escolha da anestesia mais adequada para o perfil do paciente.
Além disso, ele reforça que a segurança do procedimento exige acompanhamento contínuo, desde o início da sedação, passando pelo exame até o término e a recuperação na sala de observação.
foto: Magnific


