Mudanças nos horários de dormir e acordar durante o período de descanso podem afetar o funcionamento do organismo; especialista explica por que manter alguns hábitos é importante para preservar saúde metabólica e bem-estar
Julho é tradicionalmente marcado pelo período de férias escolares e por uma mudança no ritmo da rotina. Viagens, dias mais longos de descanso, alterações nos horários das refeições e maior flexibilidade para dormir e acordar fazem parte desse momento, mas a quebra completa da organização diária pode interferir em processos importantes do organismo, especialmente no sono, no metabolismo e na regulação do humor.
A recomendação de sono varia conforme a faixa etária, mas para adultos a American Academy of Sleep Medicine e a Sleep Research Society indicam de 7 a 9 horas de sono por noite. No Brasil, a qualidade do sono também é um desafio frequente. Um estudo publicado na revista Sleep Epidemiology, realizado com mais de 2 mil brasileiros, apontou que 65,5% dos participantes relataram má qualidade do sono.
Embora seja comum associar as férias a uma pausa das obrigações, o corpo continua seguindo mecanismos biológicos que dependem de regularidade. O ciclo sono-vigília, conhecido como ritmo circadiano, regula funções como liberação hormonal, temperatura corporal, controle energético e resposta ao estresse.
Segundo a endocrinologista Dra. Bárbara Scalon, da clínica Atma Soma, o sono não deve ser visto apenas como um período de descanso, mas como uma etapa fundamental para o equilíbrio. “Durante o sono, o corpo realiza processos essenciais de recuperação, incluindo regulação hormonal, consolidação da memória e controle de mecanismos ligados ao apetite e ao metabolismo. Quando esse ritmo é alterado com frequência, mesmo por períodos curtos, podemos observar impactos na disposição, no humor e na forma como o organismo administra energia”, explica.
Dados da National Sleep Foundation e de estudos publicados no periódico Sleep Medicine Reviews mostram que a privação ou a irregularidade do sono estão associadas a alterações hormonais relacionadas à fome e à saciedade, incluindo aumento da grelina, hormônio relacionado ao apetite, e redução da leptina, ligada à sensação de saciedade.
O que muda no corpo quando a rotina de sono é interrompida
Durante as férias, é comum adotar o chamado “jet lag social”, quando existe uma diferença significativa entre os horários habituais de sono durante a semana e aqueles praticados nos dias de descanso. Mesmo sem viagens ou mudanças de fuso horário, essa alteração pode desorganizar o relógio biológico.
“A questão não é dormir mais em alguns dias de descanso. O problema está em uma mudança muito grande entre os horários de rotina e os horários das férias, porque o organismo responde à regularidade. Alterações frequentes no ciclo do sono podem interferir na produção de hormônios e na percepção de energia ao longo do dia”, afirma Bárbara.
A especialista explica que a qualidade do sono também está relacionada ao controle do cortisol, hormônio envolvido na resposta ao estresse, e da melatonina, responsável pela sinalização do período de descanso. A exposição excessiva à luz durante a noite, principalmente de telas, pode atrasar a liberação de melatonina e dificultar o início do sono.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, que também reúne recomendações sobre hábitos de sono em diferentes fases da vida, a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos no período noturno pode prejudicar a qualidade do descanso, principalmente quando substitui momentos de desaceleração antes de dormir.
Férias não precisam significar perda de equilíbrio
Para a endocrinologista, o período de descanso pode ser aproveitado sem transformar o cotidiano em uma obrigação rígida. Pequenas estratégias ajudam a preservar o funcionamento do organismo, como manter horários de sono relativamente constantes, priorizar exposição à luz natural durante o dia, praticar atividade física e evitar refeições muito próximas ao horário de dormir.
“O objetivo não é transformar as férias em um período de regras e cobranças, mas entender que alguns pilares continuam sendo importantes. O sono adequado, assim como alimentação equilibrada e movimento, faz parte da manutenção da saúde metabólica”, afirma.
A médica reforça que cansaço persistente, alterações importantes de humor, dificuldade de concentração ou mudanças no peso que permanecem mesmo após o retorno da rotina podem ser sinais que merecem investigação.
“O descanso tem um papel essencial na saúde, mas descansar não significa abandonar completamente os sinais do corpo. Preservar alguns hábitos durante as férias ajuda o organismo a aproveitar esse período de recuperação sem perder o equilíbrio”, conclui Dra. Bárbara Scalon
Sobre a Atma Soma
Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor – a clínica tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a eles uma vida longa e autônoma.
A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas, como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.
Foto: reprodução / Maginific


