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Medicamentos como Mounjaro e Ozempic aumentam procura por monitoramento de vitaminas, massa muscular e função metabólica; mercado dos análogos de GLP-1 deve movimentar R$ 10 bilhões no Brasil até 2026

O avanço do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, vem transformando não apenas a rotina de pacientes e consultórios médicos, mas também o perfil de exames realizados nos laboratórios clínicos. A procura por avaliações laboratoriais aumentou entre usuários dessas medicações, principalmente para acompanhar possíveis impactos nutricionais, metabólicos e musculares associados à perda acelerada de peso.

Indicados inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e posteriormente incorporados às estratégias de controle da obesidade, os medicamentos à base de agonistas de GLP-1 ganharam alta popularidade nos últimos anos devido aos resultados expressivos de emagrecimento.

O crescimento da demanda já movimenta o mercado farmacêutico brasileiro. Relatório divulgado pela XP Investimentos em 2025 estima que o mercado de medicamentos agonistas de GLP-1, classe que inclui Ozempic, Wegovy e Mounjaro, deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões no Brasil até 2026, impulsionado pela popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” e pela ampliação do acesso aos tratamentos.

Segundo o responsável técnico do LANAC, Marcos Kozlowski, os exames de sangue passaram a exercer papel fundamental na segurança clínica desses pacientes. “A perda de peso rápida pode trazer benefícios importantes para a saúde, mas também exige acompanhamento adequado. Hoje observamos um aumento significativo na procura por exames que avaliam estado nutricional, metabolismo, função hepática, função renal e preservação da massa muscular”, explica.

Entre os exames mais solicitados estão hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, vitaminas B12 e D, ferritina, função hepática, função renal, além de marcadores relacionados à nutrição e ao metabolismo proteico. “O emagrecimento acelerado pode provocar deficiência de vitaminas, perda muscular e alterações metabólicas que muitas vezes não apresentam sintomas imediatos. O exame laboratorial ajuda justamente a identificar esses desequilíbrios precocemente”, afirma Kozlowski.

O especialista destaca que a redução da ingestão alimentar provocada pelos medicamentos também exige atenção nutricional. Em muitos casos, pacientes acabam consumindo menos proteínas e nutrientes essenciais ao funcionamento do organismo. “Nem toda perda de peso significa necessariamente melhora de composição corporal. Existe uma preocupação importante com a preservação da massa muscular, principalmente entre pacientes que emagrecem rapidamente sem acompanhamento multidisciplinar”, ressalta.

Além da segurança clínica, os exames também passaram a ser utilizados para acompanhar a evolução do tratamento e auxiliar em ajustes médicos e nutricionais ao longo do processo. “O laboratório passou a integrar de forma ainda mais ativa as estratégias de medicina preventiva e acompanhamento metabólico. Hoje, os exames ajudam médicos e pacientes a entender como o organismo está reagindo ao tratamento e permitem intervenções antes que surjam complicações”, explica Kozlowski.

O especialista reforça que o uso das chamadas “canetas para emagrecimento” deve sempre ocorrer com orientação profissional. “São medicamentos importantes e que trouxeram avanços relevantes no tratamento da obesidade, mas precisam de acompanhamento médico e laboratorial contínuo. O monitoramento adequado ajuda a garantir que o emagrecimento aconteça de forma mais segura e saudável”, finaliza.

foto: Valterci Santos

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