Segundo a OMS, depressão e ansiedade geram um prejuízo estimado em US$ 1 trilhão para a economia global; especialista lista mudanças para reduzir o adoecimento e aumentar o desempenho
Os impactos da saúde mental deixaram de ser apenas uma questão de bem-estar para se tornarem um desafio estratégico para as organizações. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 15% dos trabalhadores adultos convivem com algum transtorno mental. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante: o país lidera o ranking mundial de casos de ansiedade, enquanto os transtornos mentais já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho.
O adoecimento emocional gera custos que muitas organizações não contabilizam de forma integrada, como absenteísmo, pagamento de horas extras para cobrir afastamentos, contratação de profissionais temporários, atrasos em entregas, perda de clientes, multas e queda na produtividade. Além disso, quando não há ações preventivas, o sofrimento tende a se disseminar entre as equipes, tornando o problema crônico e ampliando seus impactos. Por isso, cuidar da saúde mental não é uma tendência ou uma moda, mas uma necessidade que contribui para reduzir prejuízos, preservar talentos e fortalecer a sustentabilidade e a lucratividade do negócio.
Diante desse cenário, cresce o interesse de empresas em adotar práticas capazes de reduzir o adoecimento emocional, fortalecer o engajamento e criar ambientes saudáveis. Em Revolução Corporativa: Liderança, Felicidade e Saúde Mental no Trabalho, a especialista em liderança contemporânea e felicidade corporativa Renatta Rêzende reúne diretrizes que podem ser incorporadas ao dia a dia das organizações para promover uma cultura mais humana e sustentável, tanto para as pessoas quanto para os negócios.
- Criar rituais que valorizem emoções positivas
Pequenos momentos dedicados ao reconhecimento e à celebração podem fortalecer a segurança psicológica das equipes. Entre os métodos sugeridos pela especialista estão o Savoring, em que colaboradores compartilham acontecimentos positivos recentes, a validação entre colegas por meio de elogios sinceros e exercícios de mindfulness, que ajudam a reduzir o estresse e ampliar o foco durante a jornada.
- Desenvolver talentos em vez de focar apenas nas falhas
Mais do que corrigir pontos fracos, líderes podem incentivar cada profissional a utilizar suas virtudes no trabalho. Renatta também propõe ferramentas como o Ikigai, conceito japonês voltado ao propósito de vida, além da escuta ativa para compreender as necessidades dos colaboradores antes de decisões sobre modelos de trabalho ou mudanças na rotina.
- Repensar a cultura organizacional
Flexibilidade também faz parte da saúde mental. A estrategista discute tendências como jornadas híbridas, modelos mais flexíveis e até a semana de quatro dias, além de defender políticas de acolhimento à maternidade que permitam conciliar carreira e responsabilidades familiares sem penalizar as profissionais.
- Entender que o exemplo começa pela liderança
Segundo Renatta, a cultura de uma empresa é influenciada diretamente pelo comportamento de seus gestores. Líderes que respeitam limites, cuidam do próprio bem-estar psicológico e demonstram equilíbrio nas relações tendem a criar ambientes mais seguros, colaborativos e produtivos para toda a equipe.
- Tratar saúde mental como estratégia de negócios, e não como benefício
Para a especialista, iniciativas voltadas ao bem-estar deixam de ser ações isoladas quando passam a integrar o cotidiano da empresa. Ambientes que promovem pertencimento, reconhecimento e desenvolvimento humano favorecem a retenção de talentos, estimulam a inovação e contribuem para resultados mais sustentáveis no longo prazo.
foto: Inteligência Artificial


