Compartilhe:

Dez obras, sendo cinco inéditas, compõem a exposição, incluindo uma instalação de grandes dimensões, com cerca de 3 metros, que pode ser atravessada pelo público

Galeria Contempo apresenta a primeira exposição individual de Sandra Lapage, intitulada “Cortejo de um cão da lua”, em cartaz de 20 de junho a 18 de julho, com realização em São Paulo. A mostra, com curadoria de Fabrício Reiner, reúne um conjunto de obras que ocupa a galeria como um ambiente contínuo, no qual escultura, instalação e materialidade se articulam em uma experiência de circulação do público pelo espaço expositivo. Simultaneamente uma obra de mais de 13 metros, intitulada ‘O dragão e a lua’, pode ser vista no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.

Cinco das dez obras apresentadas na Contempo são inéditas e estruturam um núcleo recente da produção de Sandra Lapage. Entre elas, destaca-se uma instalação de grandes dimensões, com cerca de 3 metros, apresentada suspensa no espaço expositivo. O conjunto é formado predominantemente por cápsulas de café em alumínio, descaracterizadas de sua função original, além de plásticos e outros materiais reciclados, em uma pesquisa que investiga a transformação desses resíduos em composições poéticas, espaciais e de caráter interativo. A leitura imediata do material não remete à bebida; apenas uma observação mais atenta revela sua origem.

O conjunto propõe diferentes modos de leitura e aproximação, convidando o visitante a percorrer, contornar e atravessar as obras, em relações que se constroem entre corpo, arquitetura e matéria.

Sobre a exposição, Sandra Lapage conta: “Esta instalação é uma oportunidade de resposta ao espaço, em que ao dispor as peças em dança e convidar o público a negociar a relação do corpo com o acúmulo da matéria, proponho uma experiência imersiva da materialidade e da revelação da natureza dos elementos do trabalho. ”

Segundo o curador da mostra, Fabricio Reiner, trata-se de uma experiência que se desdobra a partir da relação direta com o espaço e com o corpo do visitante: “O que me interessa no trabalho da Sandra é a maneira como ela transforma o excesso em linguagem: materiais industriais e descartados — como cápsulas e superfícies laminadas — ganham presença, brilho e força, revelando algo essencial sobre uma cultura que produz excesso como condição de existência. Ao atravessar escultura, vestimenta, instalação e performance, seu trabalho constrói uma linguagem híbrida, em que ornamento e espetáculo deixam de ser apenas sedução e passam a operar também como evidência crítica do presente. ”

A exposição reforça a pesquisa de Sandra Lapage sobre processos de acumulação, descarte e reconfiguração de materiais, em que resíduos do cotidiano são reorganizados em estruturas sensoriais e narrativas espaciais. O título “Cortejo de um cão da lua” sugere uma dimensão simbólica que atravessa a mostra, evocando ideias de deslocamento, ritual e transformação.

A carreira da artista inclui exposições em instituições como o Institute of Contemporary Art de Portland, nos Estados Unidos, além de bolsas e prêmios internacionais, como a Pollock-Krasner Foundation e o Repaint History Artist Fund. Sua prática investiga processos de acumulação, descarte e reconfiguração de materiais, propondo estruturas em que resíduos do cotidiano são reorganizados em experiências sensoriais e espaciais.

Serviço
Galeria Contempo

Exposição: Cortejo de um cão da lua – Sandra Lapage
Abertura: 20 de junho
Visitação: até 18 de julho
Endereço: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644
Horários: segunda – sexta: 10h às 19h

sábado: 10h às16h

@galeriacontempo

https://galeriacontempo.com.br/

Sobre a Galeria Contempo

A Galeria Contempo, dirigida por Márcia e Mônica Felmanas, afirma-se como um espaço voltado à articulação entre reflexão crítica, prática curatorial e produção artística contemporânea, guiada por um compromisso sólido com a construção de sentido no campo da arte. Mais do que um lugar de exibição, configura-se como um ambiente de pesquisa, no qual a obra opera como um dispositivo capaz de ativar relações entre diferentes linguagens, contextos e modos de experiência. Esse posicionamento se traduz em um programa que valoriza o rigor formal, a consistência conceitual e a continuidade dos processos, entendendo a arte como um território de elaboração, e não apenas de circulação.

Sua inserção no circuito ampliado se dá de forma consistente, conciliando presença institucional e coerência programática, o que se evidencia tanto na participação recorrente em feiras, como a SP‑Arte, quanto na atuação internacional, marcada por projetos em instituições como a Casa de América, em Madri, que ampliam o alcance de sua produção e colocam a arte brasileira em diálogo com outras tradições e contextos culturais.

Sobre Sandra Lapage

A prática de Sandra Lapage parte do reaproveitamento de materiais, especialmente alumínio reciclado, que deixa de ser resíduo para se tornar agente de composição. Chapas amassadas, cápsulas de café e fragmentos coletados são reorganizados em estruturas que articulam brilho, dobra e tensão.

A luz atua como elemento ativo na construção das obras, fazendo com que a superfície metálica oscile entre cintilações, reflexos e áreas opacas. A repetição e a variação organizam o trabalho, criando padrões que revelam diferenças sutis de escala, textura e cor.

O gesto de recolher e recompor funciona como método central, expandindo-se em instalações que ativam o espaço e estabelecem relações entre matéria, corpo e deslocamento do espectador.

A carreira da artista inclui exposições no Institute of Contemporary Art de Portland, nos Estados Unidos, além de bolsas e prêmios internacionais, como a Pollock-Krasner Foundation e o Repaint History Artist Fund.

@sclapage

Sobre Fabrício Reiner

Fabrício Reiner é curador, pesquisador e crítico de arte. Formado em História e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em museologia na Itália, desenvolve desde 2005 pesquisas e projetos curatoriais voltados às artes visuais, à fotografia e às narrativas culturais contemporâneas. Atualmente é doutorando pela USP e colabora com instituições como a Biblioteca Mário de Andrade e o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

Entre suas curadorias destacam-se as exposições Watú não está morto! e Era uma vez o moderno, que propõem reflexões sobre os desdobramentos e as permanências do projeto moderno na contemporaneidade. Em seus projetos, articula pesquisa, crítica e prática curatorial para investigar novas leituras da arte e de seus contextos históricos e culturais.

fotos: divulgação

Somos um veiculo de comunicação. As informações aqui postadas são de responsabilidade total de quem nos enviou.