Análise da Revna Tecnologia mostra que, ao sair dos testes e entrar na operação, cresce a preocupação com governança e responsabilidade sobre decisões automatizadas
Peça para um executivo falar sobre os riscos da inteligência artificial e é provável que a palavra “emprego” apareça bem depois de outra, menos óbvia: controle. É o que aponta um levantamento da Revna Tecnologia, consultoria especializada em tecnologia e transformação empresarial, sobre o discurso de lideranças empresariais a respeito da tecnologia. O estudo analisou as preocupações mais recorrentes em publicações de executivos sobre IA e identificou maior frequência de referências à autonomia dos sistemas do que às questões relacionadas a emprego, substituição e requalificação.
A análise reuniu 777 registros de publicações selecionadas no LinkedIn entre abril e julho de 2026, a partir das interações de Éric Machado, CEO da Revna. Desse total, 152 publicações foram classificadas como executivas e relacionadas à inteligência artificial. Nesse recorte, 95,4% mencionam aplicações organizacionais da tecnologia, e apenas 1,3% ficam restritas à produtividade individual, indicando que o debate analisado está concentrado na aplicação da IA dentro das empresas.
Riscos explícitos aparecem em 40 das 152 publicações, ou 26,3% do recorte. A perda de controle diante de sistemas com maior autonomia é citada em 18 registros (11,8%), mais do que o dobro de qualquer outro item. Regulação, compliance e propriedade intelectual aparecem em 7 publicações (4,6%); erros, alucinações e decisões inadequadas, em 5 (3,3%). Emprego, substituição e requalificação somam 4 publicações (2,6%), o mesmo patamar de privacidade, vazamento de dados e cibersegurança (2,6%).
É importante destacar que o levantamento analisa um recorte das discussões públicas de lideranças no LinkedIn e não mede percepções ou preocupações pessoais. Os resultados refletem os temas que aparecem com maior frequência nessas publicações e não representam, necessariamente, as preocupações de profissionais de outros níveis hierárquicos ou de todo o mercado de trabalho.
Da pressa para não ficar para trás ao medo de perder o controle
Um cruzamento entre o estágio de maturidade da IA nas empresas e as barreiras percebidas pelos executivos ajuda a contextualizar esse resultado. Nos estágios iniciais de adoção, a pressão por velocidade aparece em 46,4% dos registros. É a fase do “não podemos ficar para trás”. Entre aplicações específicas e integração com sistemas, velocidade e dados empatam, com 42,2% cada. Já nos estágios de escala, uso de agentes e governança, redesenho de processos, governança e captura de valor sobem para 48,1%, e as questões ligadas a dados chegam a 45,6%.
Os dados mostram uma mudança nas preocupações conforme a tecnologia avança dentro das organizações. No início, a pressão está relacionada à velocidade de adoção. Em estágios mais avançados, ganham espaço questões ligadas à operação, governança e responsabilidade pelos resultados.
“A perda de controle aparece com mais frequência do que o medo do desemprego porque é o problema mais imediato para quem está colocando IA para operar. Quando um sistema começa a tomar decisões, executar tarefas ou interagir com clientes de forma autônoma, a pergunta do executivo deixa de ser ‘o que essa tecnologia consegue fazer’ e passa a ser ‘quem responde quando ela erra'”, analisa Éric Machado, CEO da Revna Tecnologia.
O especialista em transformação digital também aponta um descompasso entre a velocidade de adoção individual e a capacidade das organizações de incorporar a tecnologia aos seus processos. “Uma pessoa incorpora um assistente de IA à rotina em poucas horas. Uma empresa precisa integrar dados, revisar processos, estabelecer controles, preparar equipes e definir quem decide, quem verifica e quem responde pelos resultados. Esse intervalo entre os dois ritmos explica boa parte da ansiedade que aparece nas publicações”, afirma.
Quem responde quando o sistema decide sozinho?
A preocupação com responsabilidade também aparece quando o debate passa para o impacto da IA sobre carreiras e trabalho. A tecnologia passa a participar de atividades ligadas a escrita, análise, recomendação, interpretação de contexto, atendimento, tomada de decisão e conhecimento especializado, áreas presentes em funções como gestão, consultoria, direito, marketing, finanças, tecnologia e atendimento ao cliente.
Isso não significa que essas profissões estejam sendo substituídas. O levantamento indica uma mudança na discussão sobre o trabalho à medida que sistemas de IA passam a executar parte dessas atividades. A questão passa a envolver também o que permanece sob responsabilidade humana quando a tecnologia entra no processo. Nesse cenário, aspectos como autoridade, autonomia e responsabilidade pelas decisões ganham relevância.
Transformações tecnológicas anteriores também alteraram processos de trabalho. A eletricidade reorganizou a fábrica; a automação alterou o trabalho manual; computadores e ERPs mudaram rotinas administrativas; a internet reduziu intermediários; a nuvem deslocou parte do controle sobre a infraestrutura. Em todos esses casos, as empresas precisaram adaptar processos, pessoas, métricas e decisões para incorporar as novas tecnologias. A diferença agora é que a IA atua também sobre atividades ligadas ao conhecimento e ao julgamento, que antes eram consideradas predominantemente humanas.
A análise da Revna converge com resultados de estudos globais sobre a adoção de inteligência artificial nas empresas. O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ouviu 20 mil usuários da tecnologia em dez países, incluindo o Brasil. Entre os entrevistados, 66% dizem dedicar mais tempo a atividades de maior valor, mas apenas 26% percebem a liderança claramente alinhada com o tema. Fatores organizacionais, como cultura, apoio da gestão e desenvolvimento de talentos, respondem por 67% do impacto percebido, contra 32% de fatores individuais.
O State of AI 2025, da McKinsey, com quase 2 mil respondentes em 105 países, mostra que 88% usam a tecnologia regularmente em ao menos uma função, mas apenas 39% identificaram impacto no EBIT em nível organizacional. Já um levantamento da PwC com 4.454 CEOs em 95 países e territórios aponta que somente 12% relataram simultaneamente aumento de receita e redução de custos com inteligência artificial, enquanto 56% não registraram nenhum dos dois resultados. Mesmo com metodologias diferentes, os dados apontam para um mesmo desafio: adotar a tecnologia não significa necessariamente alcançar escala, assim como escalar não garante retorno. É nesse intervalo entre testar e operar, e entre operar e responder pelos resultados, que se concentra uma das principais preocupações identificadas no discurso das lideranças analisadas pela Revna.
O levantamento foi realizado entre abril e julho de 2026 a partir da análise de mais de 700 publicações e comentários no LinkedIn relacionados às interações de Éric Machado. A pesquisa considerou 152 publicações de executivos sobre inteligência artificial, agentes, automação, dados e transformação do trabalho, permitindo identificar os principais riscos e preocupações associados à adoção da tecnologia nas empresas.
Os resultados mostram os temas que mais aparecem nesse conjunto de publicações e ajudam a compreender como as lideranças empresariais estão discutindo a IA à medida que ela avança de aplicações experimentais para processos, decisões e atividades mais autônomas dentro das organizações.
Sobre a Revna Tecnologia: A Revna Tecnologia foi criada em 2022 com o objetivo de democratizar o acesso à consultoria de alto padrão. Com foco em excelência e inovação, a empresa conta com mais de 1000 consultores para atender organizações e conectá-las às tecnologias mais avançadas, como Oracle, TOTVS, SAP e AWS. A abordagem multi-tech e multi-cloud busca redefinir a seleção e valorização de profissionais, atendendo setores estratégicos como indústrias, automotivo, armazenamento, distribuição e transporte logístico, varejo, energia, aviação e serviços. Além disso, a empresa, que possui especialistas homologados em todo o mundo, oferece serviços especializados e licenciamento de softwares, ajudando organizações a alcançarem maior eficiência e vantagem competitiva.
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