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Doença costuma evoluir silenciosamente e, quando atinge os ossos, pode provocar dores persistentes; especialista reforça a importância de investigar o tumor antes do surgimento dos sintomas

Uma dor persistente nas costas costuma ser associada ao excesso de esforço, ao sedentarismo ou ao desgaste natural provocado pela idade. Mas, em alguns homens, ela pode representar o sinal de uma doença muito mais grave: um câncer de próstata que já ultrapassou a glândula e atingiu os ossos.

Segundo o urologista paranaense, especialista em diagnóstico e tratamento uro-oncológico, dr. Alberto Tomé, esse é justamente um dos maiores desafios do câncer de próstata. Diferentemente de muitas doenças, ele raramente provoca sintomas nas fases iniciais.

“O câncer de próstata costuma crescer de forma silenciosa. Na maioria das vezes, o paciente não sente absolutamente nada enquanto a doença permanece localizada. Por isso, esperar o aparecimento de sintomas pode significar perder o melhor momento para o diagnóstico”, explica.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 70 mil brasileiros devem receber o diagnóstico da doença neste ano. É o tipo de câncer mais frequente entre os homens, excluindo os tumores de pele não melanoma.

O especialista explica que a dor nas costas, no quadril ou na região da bacia geralmente não está relacionada ao tumor localizado na próstata, mas à disseminação da doença para outras partes do organismo.

As células cancerígenas podem migrar pela corrente sanguínea e encontrar nos ossos um ambiente favorável para seu desenvolvimento. A coluna vertebral, a pelve, as costelas e o fêmur estão entre os locais mais frequentemente acometidos.

“Quando essas células chegam ao osso, elas alteram sua estrutura e provocam um enfraquecimento progressivo, formando pequenas microfraturas que geram dor. É uma dor diferente da dor muscular comum. Costuma ser persistente, progressiva e muitas vezes não melhora apenas com repouso ou analgésicos”, afirma Alberto Tomé.

Além da dor, pacientes com metástase óssea podem apresentar fraturas espontâneas, redução da mobilidade e comprometimento significativo da qualidade de vida.

O maior erro é esperar o corpo avisar

Para o urologista, muitas pessoas ainda acreditam que só precisam procurar um especialista quando aparecem sintomas urinários ou dores. Esse pensamento, segundo ele, pode atrasar o diagnóstico justamente porque o câncer de próstata normalmente não dá sinais enquanto ainda apresenta maiores chances de cura.

“Quando a doença provoca dor óssea, muitas vezes já estamos diante de um câncer metastático. Nessa fase, o tratamento continua sendo fundamental, mas o cenário é completamente diferente daquele encontrado quando o tumor é descoberto ainda restrito à próstata.” É justamente por isso que homens, principalmente a partir dos 45 anos, devem manter acompanhamento regular com o urologista, mesmo na ausência de qualquer sintoma.

A tecnologia como aliada do diagnóstico precoce

Nos últimos anos, o avanço da tecnologia tem ampliado a precisão da investigação do câncer de próstata. Além do PSA, do exame de toque e da ressonância magnética, uma das tecnologias que vem ampliando a precisão da investigação do câncer de próstata é o micro-ultrassomAinda disponível em poucos centros especializados no Brasil, o equipamento foi introduzido no interior do Paraná pelo urologista Alberto Tomé. Atualmente, a tecnologia está disponível para pacientes em Umuarama, Cianorte, Maringá e Londrina, com expansão prevista para Cascavel nos próximos meses.

O equipamento produz imagens em alta resolução, até três vezes mais detalhadas do que as obtidas pelo ultrassom convencional, permitindo identificar alterações suspeitas em tempo real e direcionar com maior precisão a biópsia para as áreas com maior probabilidade de conter células cancerígenas.

“Hoje conseguimos investigar a próstata com muito mais precisão do que há alguns anos. Quanto mais cedo conseguimos identificar uma lesão suspeita, maiores são as possibilidades de realizar um tratamento curativo antes que o câncer tenha oportunidade de se espalhar.”

Segundo Alberto Tomé, a tecnologia não substitui os exames tradicionais nem a avaliação médica, mas representa um importante avanço para aumentar a assertividade do diagnóstico.”O objetivo não é descobrir o câncer quando ele começa a doer. O verdadeiro avanço da medicina é encontrá-lo muito antes.

foto: divulgação

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