Especialista alerta que varizes, tromboses e má circulação silenciosa atingem milhões de brasileiros acima dos 60 anos, mas grande parte dos casos graves poderia ser evitada com hábitos simples do dia a dia
Um formigamento nas pernas. Um inchaço que aparece no fim da tarde. Uma dor que “vai e volta” e que muita gente atribui à idade. Esses sinais, aparentemente banais, podem ser a porta de entrada para problemas vasculares graves e, segundo especialistas, é justamente na terceira idade que o corpo menos perdoa o descuido com as veias e artérias.
De acordo com o cirurgião vascular Dr. Joé Sestello, o envelhecimento da população brasileira trouxe consigo um aumento expressivo de doenças vasculares que, muitas vezes, avançam de forma silenciosa até se manifestarem em quadros mais sérios, como tromboses, úlceras e até amputações.
“A grande maioria das complicações vasculares graves em idosos não surge do nada. Ela é o resultado de anos de sinais ignorados e de uma cultura que ainda trata a prevenção como algo secundário, quando na verdade ela é a ferramenta mais poderosa que temos na medicina vascular”, afirma o especialista.
Para alertar a população e reforçar a importância do diagnóstico precoce, o especialista reuniu seis orientações essenciais para proteger a saúde vascular depois dos 60 anos.
1. Movimento é remédio: caminhar todos os dias: A vida sedentária é, segundo o especialista, um dos maiores inimigos da circulação. Ficar muito tempo sentado ou deitado reduz o retorno do sangue das pernas para o coração, favorecendo o acúmulo de líquido e o risco de coágulos. “Caminhar 20 a 30 minutos por dia, em ritmo confortável, já é suficiente para ativar a chamada ‘bomba muscular da panturrilha’, que empurra o sangue de volta para cima. É um dos gestos mais simples e mais eficazes que existem”, explica.
2. Hidratação constante, mesmo sem sede: Com o avanço da idade, a sensação de sede diminui naturalmente, o que leva muitos idosos a beberem menos água do que o corpo precisa. O sangue mais espesso circula com mais dificuldade e aumenta o risco de formação de coágulos.
3. Fim do cigarro, sem meio-termo: Para o especialista, não existe “quantidade segura” de tabaco quando o assunto é saúde vascular. A substância acelera o endurecimento das artérias e compromete a oxigenação dos tecidos.”Parar de fumar, em qualquer idade, já traz benefício vascular mensurável em poucas semanas. Nunca é tarde para proteger as artérias”.
4. Elevar as pernas e usar meias de compressão quando indicado: Pequenos gestos ao longo do dia, como elevar as pernas ao descansar e usar meias de compressão sempre sob orientação médica, ajudam a aliviar a pressão nas veias e reduzem o inchaço característico da insuficiência venosa.
5. Controle rigoroso de diabetes, colesterol e pressão arterial: essas três condições, quando mal controladas, atacam diretamente as paredes dos vasos sanguíneos e são responsáveis por boa parte dos casos graves de doença arterial periférica em idosos.”Não é exagero dizer que controlar a glicemia e a pressão é, também, um cuidado vascular. São doenças que caminham juntas e que, sem controle, aceleram o envelhecimento das artérias de forma silenciosa”, destaca o médico.
6. Consulta vascular preventiva, e não apenas quando dói
Talvez o ponto mais reforçado pelo especialista seja este: a avaliação vascular não deve esperar o aparecimento de sintomas. Exames simples, como o eco-doppler, permitem identificar alterações antes que se tornem emergências. “Prevenção não é luxo, é a forma mais barata e mais eficaz de tratar qualquer doença vascular. Quando o paciente chega até nós já com uma úlcera ou uma trombose instalada, muitas vezes já perdemos a chance de agir da forma mais simples. O ideal é a consulta antes do sintoma, não depois dele”, conclui o Dr. Joé Sestello.
Foto de Janosch Lino na Unsplash


