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Especialista explica como hábitos simples antes da coleta impactam indicadores e podem levar a interpretações equivocadas

Realizar exames laboratoriais é uma das principais ferramentas para prevenção e diagnóstico precoce de doenças, mas um fator ainda pouco observado pelos pacientes pode comprometer diretamente a precisão dos resultados: o preparo antes da coleta. Hábitos comuns, como tomar café, praticar atividade física ou não respeitar o tempo de jejum recomendado, podem interferir em diversos indicadores e gerar alterações que não refletem necessariamente o estado real de saúde.

De acordo com o responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, o preparo inadequado está entre as principais causas de distorções em exames laboratoriais. “Os exames são altamente sensíveis a variáveis externas. Pequenas mudanças na rotina, horas antes da coleta, já podem impactar resultados e, em alguns casos, levar a investigações desnecessárias ou até diagnósticos equivocados”, explica.

Entre os principais erros cometidos antes da realização de exames estão:

Não respeitar o tempo de jejum recomendado
Mesmo quando o jejum não é obrigatório, ele pode ser necessário em alguns casos específicos. Fazer menos horas do que o indicado pode alterar principalmente glicose e triglicerídeos.

Consumir café ou bebidas antes da coleta
O café, mesmo sem açúcar, pode estimular alterações metabólicas e interferir em exames como glicemia e cortisol.

Praticar atividade física intensa antes do exame
Exercícios podem elevar enzimas musculares, alterar glicose e até impactar exames hormonais.

Consumir álcool no dia anterior
Bebidas alcoólicas interferem principalmente em exames de fígado, triglicerídeos e glicose.

Usar medicamentos sem orientação ou sem informar o laboratório
Alguns remédios podem alterar resultados e precisam ser considerados na análise.

Não seguir orientações específicas (como dieta prévia)
Alguns exames exigem restrições alimentares específicas, que muitas vezes são ignoradas.

Essas variáveis impactam especialmente exames como glicemia, colesterol e triglicerídeos, testes de função hepática, hormônios, creatinina e enzimas musculares. “O laboratório entrega um dado técnico, mas esse dado precisa ser interpretado dentro de um contexto. Quando o preparo não é adequado, o resultado pode não representar a realidade clínica do paciente”, ressalta Kozlowski.

Uma dúvida comum entre os pacientes diz respeito à necessidade de jejum para a dosagem de glicose. Segundo o especialista, em muitos casos o exame já pode ser realizado sem jejum, especialmente em avaliações de rotina. No entanto, a indicação ainda depende do objetivo da análise e do conjunto de exames solicitados. “Os avanços na medicina laboratorial trouxeram mais flexibilidade, mas isso não elimina a necessidade de orientação adequada. Cada exame tem uma finalidade, e o preparo deve ser individualizado”, afirma.

Para evitar erros e a necessidade de repetir exames, a recomendação é seguir rigorosamente as orientações fornecidas pelo laboratório ou pelo médico. “Em caso de dúvida, o ideal é buscar orientação antes da coleta. Um preparo correto garante resultados mais confiáveis e contribui para uma avaliação mais precisa da saúde”, finaliza.

foto: Valterci Santos

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