Estudo com 100 CFOs indica que 89% das áreas financeiras ainda operam nos estágios mais básicos de maturidade em IA, mesmo com fechamento contábil mais rápido
O Brasil adota IA nas empresas em ritmo mais rápido que a média mundial, mas essa vantagem desaparece dentro do financeiro. Pesquisa da Barte com mais de 100 CFOs e líderes financeiros de médias e grandes empresas brasileiras, realizada entre junho e julho de 2026, mostra que 89% das áreas financeiras ainda operam nos dois primeiros níveis de uma escala de cinco estágios de maturidade em IA, a etapa mais elementar, em que o uso da tecnologia é individual e não padronizado. Nenhuma empresa da amostra atingiu os dois níveis mais avançados.
O contraste chama atenção porque, segundo dados da Boston Consulting Group citado no relatório Tech Trends 2026 LATAM (GFT Technologies), 18% das companhias brasileiras já incorporaram agentes de IA a seus fluxos de trabalho, acima da média global de 13%. Fora do Brasil, o padrão se repete: o relatório “State of AI in Finance 2026”, da CFO Connect, aponta o financeiro como a função corporativa com a adoção de IA mais baixa entre todas as áreas de negócio, com 45% dos times ainda em modo piloto.
A pesquisa da Barte organiza a adoção de IA no financeiro em cinco níveis, do uso individual e não padronizado (nível 1) até uma camada que aprende com o resultado das próprias decisões (nível 5). Apenas as empresas fora dos dois primeiros estágios relataram operar no nível 3, chamado no estudo de “sistema operacional” de IA, fase em que a tecnologia passa a explicar o que acontece no negócio, e não apenas relatar números.
O dado mais contraintuitivo do levantamento é que a velocidade de execução não resolveu o problema que motivou, em primeiro lugar, a adoção de tecnologia. Quase metade das empresas (48%) já fecha o mês em até cinco dias, e 93% fecham em até 15 dias, mas 65% continuam apontando o fechamento contábil como o maior gargalo do financeiro. Entre as empresas que já fecham mais rápido, esse índice cai pouco, para 64%. Porte e setor também não explicam a diferença: grandes empresas (64%) e pequenas (50%) fecham o mês em até cinco dias em proporções próximas, e o fechamento aparece como maior gargalo em índice quase idêntico entre pequenas (60%), médias (68%) e grandes (69%) companhias.
O recorte setorial mostra dois ritmos dentro do mercado brasileiro. Em Tecnologia/SaaS, o fechamento é apontado como gargalo por 94% das respostas, e 74% da base já se declara no nível 2 da escala. Em Indústria/Varejo/Logística, 90% ainda se veem no nível 1, e a conciliação bancária pesa tanto quanto o fechamento como maior dor, indício de que a dificuldade de entrada da IA no financeiro muda conforme o setor.
“O mercado ficou rápido, mas não ficou maduro. O gargalo do fechamento não se resolve com mais velocidade, e sim subindo de camada tecnológica”, afirma Caetano Lacerda, CEO da Barte, sobre o achado central da pesquisa.
Sobre a pesquisa
O Diagnóstico de Maturidade em IA no Financeiro é a primeira leitura de uma coleta contínua da Barte com mais de 100 CFOs e líderes financeiros de médias e grandes empresas brasileiras, e será atualizado a cada nova rodada. A amostra reúne respondentes de Tecnologia/SaaS (27%), Fintech (21%), Indústria/Varejo/Logística (16%), Serviços/Consultoria (13%), Saúde (8%) e outros setores; 52% ocupam cargos de liderança financeira, fundação ou C-level.
Sobre a Barte
Fundada em 2022 por Caetano Lacerda e Raphael Dyxklay, a Barte é a plataforma líder em infraestrutura de pagamentos e inteligência artificial proprietária projetada para a complexidade das grandes empresas. Combinando tecnologia de ponta, flexibilidade e segurança institucional, a companhia orquestra e automatiza fluxos de ponta a ponta, desde a captura e processamento até a reconciliação e inteligência financeira de grandes volumes de transações. Com um volume transacionado de R$ 10 bilhões e apoiada por fundos de capital de risco globais, a Barte transforma operações financeiras complexas em vantagens estratégicas de alta eficiência e escala para o mercado B2B e grandes corporações.
foto: Divulgação/Barte


