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Pesquisa aponta que apenas 52% dos gestores da América Latina sabem como agir quando percebem que alguém da equipe enfrenta um problema de saúde mental. Para a empresária Vanessa Garcia, o cuidado com as pessoas precisa fazer parte da rotina de gestão, e não aparecer apenas quando a situação chega ao limite.

A saúde mental dos trabalhadores entrou de vez na agenda das empresas brasileiras. Mas, enquanto o tema ganha espaço em reuniões, políticas internas e discussões sobre produtividade, uma questão ainda precisa ser enfrentada: os gestores estão preparados para lidar com o que acontece com as pessoas que lideram?

Uma pesquisa da Aon e da TELUS Health, divulgada em outubro de 2026, mostra que apenas 52% dos gestores latino-americanos afirmam saber o que fazer quando suspeitam que alguém da equipe esteja enfrentando um problema de saúde mental. No Brasil, 63% dos trabalhadores ouvidos disseram temer que a carreira seja prejudicada caso o empregador descubra um problema dessa natureza. O levantamento ouviu mais de 10 mil profissionais em dez países, sendo 2 mil brasileiros.

Os dados revelam uma distância entre a preocupação declarada pelas empresas e a capacidade de lidar com o assunto no cotidiano. Para a empresária Vanessa Garcia, da Ponzan Alimentos, essa discussão precisa chegar à forma como as lideranças conduzem suas equipes.

“Liderar pessoas não é olhar apenas para o que elas entregam. É também perceber quando alguma coisa mudou, quando alguém não está bem ou quando a rotina está exigindo mais do que deveria. Não significa que o gestor tenha que resolver todos os problemas, mas precisa estar preparado para ouvir, conversar e buscar os caminhos adequados”, afirma Vanessa.

A empresária acredita que o cuidado com as pessoas não pode ser tratado como uma ação isolada ou uma iniciativa que aparece somente em datas específicas. Ele precisa estar presente na cultura e nas relações construídas dentro da organização.

Na prática, isso passa por atitudes cotidianas: criar espaço para conversas, estabelecer expectativas possíveis, observar sinais de sobrecarga, preparar lideranças intermediárias e evitar que resultados sejam cobrados sem considerar as condições oferecidas para alcançá-los.

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde 26 de maio de 2026, também colocou os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas. Embora o STF tenha suspendido temporariamente a aplicação de multas e sanções relacionadas a dispositivos específicos dessa exigência, a discussão sobre prevenção e gestão desses riscos permanece relevante.

Para Vanessa, o desafio é entender que uma empresa não é construída apenas por metas, processos e indicadores. São as pessoas que fazem a operação acontecer, e a maneira como são conduzidas influencia diretamente o ambiente de trabalho e a capacidade de alcançar resultados.

“Durante muito tempo, a gente aprendeu a olhar para o resultado e cobrar o que precisava ser feito. Mas uma equipe não é uma máquina. Se eu quero que as pessoas assumam responsabilidades, cresçam e permaneçam na empresa, também preciso construir um ambiente em que elas tenham condições de fazer isso”, completa.

Com 25 anos de experiência no empreendedorismo e à frente de uma indústria alimentícia no interior de São Paulo, Vanessa defende que desenvolver pessoas é parte essencial do trabalho de quem lidera. Mais do que oferecer respostas prontas, o papel da liderança é criar condições para que as pessoas possam trabalhar, aprender e contribuir sem que o cuidado fique em segundo plano.

Sobre Vanessa Garcia

Vanessa Garcia é empresária há 26 anos e atua na liderança da Ponzan Alimentos, indústria alimentícia fundada em 2000, em Estrela d’Oeste, no interior de São Paulo. Sua trajetória é marcada pela experiência prática na gestão de uma indústria, no desenvolvimento de equipes e na construção de relações de longo prazo. Também é palestrante e criadora do conceito “Venda Cura”, que associa vendas com propósito à transformação da vida de quem vende e de quem compra.

Foto de Elisa Ventur na Unsplash

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