Estudo de caso do Ajuru, transformado em bioativo para skincare pela Natura, ilustra potencial que chamada internacional do Idesam busca identificar na floresta
Um fruto pouco conhecido fora da Amazônia ganhou recentemente espaço na indústria cosmética brasileira. O Ajuru, espécie nativa encontrada nas restingas de Bragança, no Pará, foi transformado em um bioativo utilizado pela Natura em sua linha Chronos Derma, tornando-se um exemplo concreto de como biodiversidade, conhecimento tradicional, pesquisa científica e inovação podem gerar produtos de alto valor agregado sem derrubar a floresta.
A trajetória do ingrediente ajuda a ilustrar o objetivo do Desafio Bioinovação Amazônia, iniciativa do Idesam que está com inscrições abertas até o próximo dia 30 de junho para pesquisadores, especialistas em pesquisa e desenvolvimento, inovadores e empreendedores interessados em transformar ativos da biodiversidade amazônica em produtos, tecnologias e negócios de impacto global.
Originário de um ecossistema pouco conhecido da Amazônia costeira, o Ajuru desempenha papel importante na proteção das restingas, ajudando a preservar dunas e a evitar o avanço do oceano sobre áreas de mata e manguezais. A partir do conhecimento tradicional de mulheres da região sobre o manejo da espécie, pesquisadores e equipes de P&D desenvolveram aplicações que permitiram transformar o fruto em um ingrediente de alta performance para o mercado de cuidados com a pele.
O estudo de caso foi apresentado por Rômulo Zamberlan durante o webinar “Bioinovação Amazônia: Ciência, Mercado e Oportunidades Globais para P&D”, promovido recentemente pelo Idesam para orientar potenciais participantes da chamada internacional.
“O Ajuru mostra que a Amazônia não é apenas um território de conservação, mas também um espaço de inovação. Quando conhecimento tradicional, ciência e mercado trabalham juntos, surgem oportunidades capazes de gerar renda, desenvolvimento e conservação ao mesmo tempo”, afirma Paulo Simonetti, gerente de Inovação Aberta e ESG do Idesam.
O webinar também contou com a participação de Eduardo S. Brondizio, uma das principais referências globais em sustentabilidade e sistemas socioecológicos. Vencedor do Volvo Environment Prize 2023 e do Tyler Prize for Environmental Achievement 2025, o pesquisador destacou o potencial da Amazônia para liderar uma nova economia baseada no conhecimento, na biodiversidade e na valorização dos territórios e das comunidades locais.
Em busca dos próximos “Ajurus” da Amazônia
Com apoio do Bezos Earth Fund, o Desafio Bioinovação Amazônia busca identificar novas oportunidades de inovação a partir da biodiversidade amazônica, seja pela descoberta de ingredientes com potencial de aplicação comercial, seja pelo aprimoramento de processos e cadeias produtivas já existentes. A proposta é desenvolver soluções capazes de agregar valor a ativos da floresta, ampliando seu potencial econômico e os benefícios gerados para as comunidades locais.
A iniciativa selecionará pesquisadores amazônicos e especialistas em P&D para formar equipes multidisciplinares dedicadas à criação de soluções para os setores de cosméticos, alimentos e novos materiais.
“A inovação ganha escala quando conectamos ciência, biodiversidade e bioeconomia em torno de desafios concretos como este. Ao reunir especialistas de P&D para desenvolver soluções inovadoras a partir de óleos e manteigas de andiroba, copaíba, murumuru e buriti, ampliamos as possibilidades de criação de produtos de alto valor agregado. Nosso objetivo é transformar conhecimento em negócios de impacto global, capazes de gerar benefícios concretos para as comunidades tradicionais e contribuir para a manutenção da floresta em pé”, afirma Rômulo Zamberlan, diretor de Pesquisa Avançada da Natura, responsável por liderar iniciativas de inovação voltadas ao desenvolvimento de ingredientes, tecnologias e soluções sustentáveis para a indústria.
Os participantes terão acesso a mentorias especializadas, intercâmbio de conhecimento e uma imersão na Amazônia para conhecer de perto comunidades, cadeias produtivas e ativos da biodiversidade com potencial para novas aplicações, melhorias de processos e desenvolvimento de produtos de maior valor agregado. Ao final do processo, as equipes poderão receber apoio financeiro para avançar no desenvolvimento de suas propostas.
“A próxima grande inovação da indústria pode estar em uma comunidade amazônica, aguardando apenas a conexão certa entre conhecimento local, pesquisa científica e mercado. O desafio foi criado justamente para acelerar esse encontro”, afirma Simonetti.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 30 de junho pelo site do programa.
Serviço
Desafio Bioinovação Amazônia
Inscrições: até 30 de junho de 2026
Informações e inscrições: chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao
Material de apoio
- Vídeo sobre o Projeto Ajuru e a cadeia de bioinovação desenvolvida em Bragança (PA): Projeto Ajuru – Natura
- Gravação do webinar “Bioinovação Amazônia: Ciência, Mercado e Oportunidades Globais para P&D”
Sobre os realizadores e parceiros
O Idesam é uma organização amazonense com atuação na Amazônia Legal desde 2004 que tem como missão promover a valorização e o uso sustentável dos recursos naturais da Amazônia, buscando alternativas para a conservação ambiental, o desenvolvimento social e a mitigação das mudanças climáticas. Credenciado como Instituto de Ciência e Tecnologia, possui qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Entre os reconhecimentos conquistados, foi eleito a melhor organização ambiental da Região Norte pelo prêmio Melhores ONGs em 2020 e 2023. Também recebeu o Prêmio Empreendedor Social 2022, promovido pela Folha de S.Paulo e pela Fundação Schwab, na categoria Inovação e Meio Ambiente, e é credenciado como ator da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030). Para saber mais, acesse: www.idesam.org
A Penn State University (EUA) é uma das principais universidades de pesquisa do mundo e contribui com sua vasta experiência em pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e metodologias de validação de produtos para mercados internacionais. A universidade servirá como a ponte global para este desafio, conectando talentos amazônicos a uma rede internacional de conhecimento e abrindo caminho para que soluções locais alcancem impacto global.
O Bezos Earth Fund destina parte de seus recursos para a proteção da Amazônia e o fortalecimento de cadeias de valor sustentáveis.
A Natura, fundada em 1969, é uma multinacional brasileira líder em beleza e cuidados pessoais na América Latina. É a companhia de melhor reputação do Brasil e a mais responsável em ESG pelo ranking Merco há 12 anos consecutivos. Há mais de 25 anos, por meio do relacionamento com comunidades extrativistas na Amazônia, a Natura é pioneira no uso cosmético de bioativos da sociobiodiversidade brasileira. Hoje, essa atuação gera benefícios para milhares de famílias e contribui para conservar 2,2 milhões de hectares de floresta. A Natura foi a primeira companhia de capital aberto a receber, em 2014, a certificação de Empresa B pelo B Lab, organização que reconhece globalmente negócios que combinam a geração de lucro ao impacto socioambiental positivo. Com operações em 8 países na América Latina, os produtos da marca podem ser adquiridos através das mais de 3 milhões de consultoras na região, via e-commerce, aplicativo Natura, ou nas mais de mil lojas. Para mais informações, visite www.natura.com.br ou acesse os perfis da empresa nas redes sociais: LinkedIn, Facebook e Instagram.
A iniciativa conta ainda com parceiros estratégicos como CBA, CitroBio (empresa parte do Grupo CitroleoEmerge Brasil), IPT e SBSA Advogados.
foto: Natura


