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No mês em que se celebra o Dia das Mães (10/5), a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) traz a público dados científicos sobre uma das maiores transformações do ciclo de vida feminino: a mudança estrutural e funcional do cérebro durante a gestação e o pós-parto

Longe de ser apenas uma fase de alterações hormonais, a maternidade promove uma verdadeira “reprogramação” cerebral destinada a fortalecer o vínculo entre mãe e bebê e garantir a sobrevivência da espécie.

Durante a gravidez, o cérebro da mulher passa por um processo chamado poda neural. Assim como ocorre na adolescência, há uma redução no volume da massa cinzenta em áreas envolvidas no processamento de informações e controle de emoções.

Contrariando o senso comum, essa redução não é prejudicial. Pelo contrário, ela otimiza as conexões, tornando as regiões cerebrais mais especializadas e sensíveis aos sinais do recém-nascido. Essa especialização aumenta a capacidade de atenção, a empatia e a percepção de riscos para a criança.

O fenômeno “Mommy Brain”

A ABN esclarece que os lapsos de memória e a dificuldade de concentração — popularmente conhecidos como “Mommy Brain” — têm base neurobiológica. Enquanto a massa cinzenta se especializa, a massa branca, que facilita a comunicação entre diferentes regiões cerebrais, tende a aumentar para fortalecer a regulação emocional e a tomada de decisões sob demanda.

Essas mudanças cognitivas profundas fazem com que o cérebro priorize os cuidados com o bebê, o que pode resultar em esquecimentos temporários de tarefas cotidianas menos urgentes.

Vulnerabilidade e saúde mental: Baby Blues e Depressão Pós-Parto

A mesma plasticidade que permite a adaptação materna também pode aumentar a vulnerabilidade a distúrbios emocionais. A ABN destaca a importância de diferenciar as condições:

  • Baby Blues: Condição passageira que atinge de 50% a 70% das puérperas, durando até duas semanas após o parto. É caracterizada por oscilações de humor e ansiedade, ligadas à queda brusca de progesterona.
  • Depressão Pós-Parto: Quadro clínico mais severo que atinge de 10% a 15% das mães. Os sintomas incluem tristeza profunda, falta de energia e dificuldade de vínculo com o bebê, podendo surgir meses após o parto e durar mais de um ano.

Recomendações da ABN para a saúde cerebral materna

Para vivenciar essas transformações com mais leveza, a Academia Brasileira de Neurologia recomenda:

  1. Respeitar o ritmo: Compreender que a prioridade neurológica é o bebê ajuda a reduzir a ansiedade.
  2. Rede de Apoio: Aceitar ajuda para tarefas domésticas permite o descanso necessário para a regulação emocional.
  3. Sono e Alimentação: Cochilos curtos e dieta equilibrada são fundamentais para a recuperação física e cognitiva.
  4. Atenção aos Sinais: Caso sentimentos de incapacidade ou tristeza persistam por mais de duas semanas, a busca por ajuda profissional é indispensável.

Sobre a ABN
Fundada em 1962, a Academia Brasileira de Neurologia é uma das principais entidades médicas do país, reunindo mais de 5 mil neurologistas. Entre suas missões estão a promoção da educação médica contínua, o desenvolvimento científico e o cuidado com a saúde neurológica da população brasileira.

Foto de Juan Encalada na Unsplash

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