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Paisagista e biólogo Júlio Sousa explica como diferentes tons de verde, formatos e texturas podem criar jardins visualmente interessantes durante todo o ano, sem depender exclusivamente da floração

Quando se fala em primavera, é natural pensar em jardins repletos de flores. Mas, no paisagismo contemporâneo, a estação também pode ser um convite para olhar para outros elementos da vegetação. Folhagens, diferentes tonalidades de verde, formatos, volumes e texturas ajudam a construir composições mais permanentes, capazes de manter o interesse visual mesmo quando determinadas espécies deixam de florescer.

Para o paisagista e biólogo Júlio Sousa, criar um jardim que dependa apenas das flores pode resultar em uma paisagem de comportamento muito variável ao longo do ano. “A floração é um elemento importante, mas não deve ser o único responsável por dar vida ao jardim. Quando trabalhamos também com folhagens, texturas, volumes e diferentes tonalidades de verde, conseguimos construir uma composição que permanece interessante mesmo fora do período de florescimento”, explica.

A escolha das espécies, nesse sentido, passa a considerar não apenas a cor ou o momento da floração, mas também a forma das folhas, a densidade da vegetação, a altura das plantas e a maneira como diferentes espécies se relacionam. Folhas grandes ou pequenas, lisas ou recortadas, mais brilhantes ou opacas podem criar contrastes e profundidade sem a necessidade de recorrer constantemente a cores intensas. “Um jardim pode ter uma paleta predominantemente verde e ainda assim apresentar muita diversidade. O contraste entre uma folhagem mais delicada e outra de aspecto robusto, por exemplo, já cria uma leitura visual interessante. O mesmo acontece com a combinação entre diferentes alturas, volumes e texturas”, afirma Júlio.

Essa composição também contribui para que o jardim tenha uma presença mais equilibrada ao longo das estações. Em vez de concentrar o impacto visual em determinados períodos de floração, o projeto considera o comportamento das plantas durante o ano e distribui os elementos de interesse pela paisagem. “Quando pensamos no jardim como uma composição permanente, a floração passa a ser parte de um conjunto maior. Ela entra como um momento de destaque, mas não precisa sustentar sozinha toda a paisagem. A estrutura do jardim deve continuar funcionando quando as flores desaparecem”, observa o paisagista.

A proposta dialoga ainda com uma busca por jardins de aparência mais naturalista, nos quais diferentes espécies convivem em uma composição menos rígida e com maior diversidade de formas. Nesse contexto, o verde deixa de ser apenas pano de fundo e passa a assumir protagonismo na construção da paisagem.

Para Júlio, o ponto de partida é observar as características do espaço e escolher plantas que façam sentido para suas condições. “Um bom paisagismo não é simplesmente reunir espécies bonitas. É entender luz, solo, disponibilidade de água, clima e desenvolvimento das plantas para criar uma composição que funcione de verdade naquele lugar. A estética vem junto com essa leitura do ambiente”, finaliza.

foto: divulgação

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