Dra. Fernanda Weiler, cardiologista do Sírio Libanês de Brasília, explica por que emoções intensas, álcool, alimentação inadequada e estresse durante os jogos podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares e ensina cuidados simples para aproveitar a Copa com mais segurança
A cada grande competição esportiva, milhões de brasileiros vivem uma montanha-russa de emoções diante da televisão. Gritos, tensão, euforia, ansiedade e até decepção fazem parte da experiência de torcer. Mas o que muitos não imaginam é que toda essa descarga emocional também pode representar um riscos para o coração, especialmente entre pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e tabagismo.
Casos recentes de mal súbito durante transmissões de partidas voltaram a chamar a atenção para esse tema e reforçam a importância de falar sobre prevenção. Embora nem toda morte súbita tenha origem cardíaca, sabe-se que situações de estresse emocional intenso podem funcionar como gatilho para eventos cardiovasculares em pessoas predispostas.
Segundo a cardiologista Dra. Fernanda Weiler, do Hospital Sírio-Libanês Brasília, o organismo reage às emoções fortes liberando hormônios como adrenalina e noradrenalina, que aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e o consumo de oxigênio pelo coração.
“Torcer faz bem, gera conexão, alegria e pertencimento. O problema não é a emoção em si, mas quando ela se soma a fatores como doenças cardiovasculares já existentes, consumo excessivo de álcool, noites mal dormidas, alimentação rica em gordura e sal e interrupção do uso das medicações. Esse conjunto pode aumentar significativamente o risco de complicações“, explica.
Estudos internacionais já demonstraram que grandes eventos esportivos podem estar associados ao aumento de internações por infarto agudo do miocárdio, arritmias e outras emergências cardiovasculares, especialmente em jogos decisivos e de alta carga emocional.
Para quem já possui alguma doença cardíaca, a recomendação é manter o tratamento rigorosamente em dia e estar atento aos sinais de alerta. “Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, tontura, palpitações persistentes ou perda de consciência nunca devem ser considerados ‘normais’ durante um jogo. A prioridade é procurar atendimento médico imediatamente. Quanto mais rápido o tratamento, maiores as chances de um bom desfecho“, alerta Fernanda.
Abaixo a médica compartilhar dicas de como torcer pelo Brasil sem colocar o coração em risco:
- Não interrompa o uso dos medicamentos por causa da festa ou da rotina dos jogos.
- Evite exageros no consumo de bebidas alcoólicas.
- Prefira petiscos mais leves e reduza alimentos ricos em gordura e sal.
- Mantenha-se hidratado durante toda a partida.
- Evite fumar, especialmente em momentos de maior tensão.
- Se possível, faça pequenas pausas para respirar profundamente quando perceber que está muito ansioso.
- Pessoas com doenças cardíacas devem evitar permanecer muitas horas sem alimentação ou descanso.
- Ao apresentar dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou palpitações importantes, procure atendimento de urgência imediatamente.
Para a Dra. Fernanda Weiler, a Copa é um momento de celebração coletiva que deve ser vivido com entusiasmo, mas também com responsabilidade. “O coração também participa da torcida. Cuidar da saúde não significa deixar de vibrar, mas garantir que cada emoção seja vivida com segurança para que o torcedor possa comemorar muitos campeonatos ao lado de quem ama. A melhor vitória é voltar para casa bem depois do apito final”, finaliza.
Sobre a Dra Fernanda Weiler:
Dra Fernanda Weiler é formada em medicina pela Universidade de Brasília (UNB) com residência em cardiologia pela mesma Universidade. É membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e certificada internacionalmente em Medicina do Estilo de Vida. Entre 2014 e 2015 foi professora da UNB, mesma Universidade em que se formou.
Sua extensão em Medicina do Estilo de Vida, feita na Harvard Medical School (EUA) fez com que Dra Fernanda passasse a olhar a saúde cardíaca como resultado também (e principalmente) das escolhas de vida de cada pessoa. Defensora da atividade física e da promoção dos bons hábitos, dedica parte de sua carreira a incentivar seus pacientes e seguidores das redes sociais a adotarem melhores hábitos no que tange aos seis pilares da Medicina do Estilo de Vida.
Dra Fernanda é também co-fundadora do grupo “Mais uma D.O.S.E (dopamina, ocitocina, serotonina, endorfina)”, que visa a melhora na qualidade de vida através da Medicina do Estilo de Vida.


