Especialista ressalta a importância do tratamento e da informação correta para o diagnóstico precoce
Diante da projeção do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que estima cerca de 781 mil novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028, a desinformação se torna um obstáculo perigoso para a qualidade de vida da população.
Raphael Brandão, oncologista e chefe da oncologia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, ressalta a importância de desmistificar conteúdos sobre o câncer para propagar informações verídicas.
“Informação verdadeira é um passo fundamental para aumentar a adesão ao tratamento do câncer. A conscientização e o conhecimento desarmam as inseguranças e combatem os mitos que, muitas vezes, levam ao abandono de tratamentos ou ao diagnóstico tardio,” ressalta.
Três mitos sobre o câncer
Dieta como “cura milagrosa”: a crença de que chás, sucos ou alimentos específicos podem curar o câncer de é popular inverídica. A alimentação é uma aliada, porém não substitui o tratamento oncológico especializado.
“Uma dieta equilibrada é importante para a redução de riscos de desenvolvimento de certos tipos de câncer e para o bem-estar durante o tratamento, pois fortalece o sistema imunológico e minimiza efeitos colaterais. Porém, elas não substituem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo. A troca de terapias comprovadas por soluções sem eficácia científica é um risco de vida”, reforça o oncologista.
Micro-ondas causa câncer: o mito de que o aparelho de micro-ondas causa câncer é muito conhecido também. No entanto, não há comprovação científica dessa ligação. A radiação utilizada no aparelho é de baixa frequência, não-ionizante e só está ativa durante o uso.
“A verdadeira preocupação está nos recipientes utilizados. O aquecimento de certos tipos de plástico pode liberar substâncias como bisfenol A (BPA) e ftalatos, considerados desreguladores endócrinos. Por precaução, a recomendação categórica é utilizar exclusivamente vidro ou porcelana no aquecimento de alimentos no micro-ondas para evitar a migração dessas substâncias”, comenta Brandão.
Omeprazol causa câncer: o omeprazol, medicamento amplamente vendido para tratar acidez e refluxo, não é uma causa direta de câncer gástrico ou esofágico, segundo o especialista. O perigo, no entanto, reside no uso prolongado e indiscriminado, sem indicação médica clara.
“O uso crônico, ou seja, por mais de um ano, pode mascarar sintomas de doenças mais graves, como lesões pré-cancerosas ou câncer em estágio inicial, retardando um diagnóstico correto. Além disso, pode alterar a absorção de vitaminas (B12) e minerais, levando a deficiências nutricionais e problemas de saúde como osteoporose”, explica o oncologista.
Segundo o médico, pacientes que utilizam o medicamento por mais de 12 meses devem buscar uma reavaliação médica (clínico geral ou gastroenterologista) e, se necessário, realizar exames complementares. A automedicação deve ser sempre evitada. Estudos observacionais sugerem possível associação entre uso prolongado e risco aumentado, especialmente em pacientes com H. pylori não tratada, reforçando a importância da reavaliação periódica.
“É essencial que pacientes em tratamento oncológico mantenham um canal de diálogo aberto e transparente com seus médicos. Nenhuma mudança significativa na dieta, inclusão de suplementos, chás ou a introdução de medicamentos deve ser feita sem consulta prévia e aprovação do oncologista”, afirma Brandão.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.
As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.
A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.
foto: ACS Hospital São Camilo


