Resultados clínicos indicam redução média de mais de 20% do peso, com benefícios sustentados e perfil de segurança semelhante às doses já utilizadas
A aprovação, pelo Food and Drug Administration (FDA), da dose de 7,2 mg de semaglutida, princípio ativo do Wegovy, da Novo Nordisk, amplia as perspectivas no tratamento da obesidade, especialmente entre pacientes que demandam maior resposta terapêutica. A nova apresentação, de uso semanal, ainda não tem previsão de chegada ao Brasil.
Baseada nos resultados do estudo clínico STEP UP, a decisão da agência reguladora norte-americana vem acompanhada de dados expressivos. Para a endocrinologista Dra. Alessandra Rascovski, diretora médica da Atma Soma, os resultados chamam atenção não apenas pelo volume de perda ponderal, mas pela sua sustentabilidade.
“A aprovação da semaglutida na dose de 7,2 miligramas mostra resultados bastante relevantes: um em cada três pacientes atingiu perda de peso maior ou igual a 25%, e esses benefícios se mantiveram a longo prazo”, afirma.
Um dos principais pontos de atenção em terapias com análogos de GLP-1 é a tolerabilidade em doses mais elevadas. Segundo a especialista, esse aspecto foi cuidadosamente avaliado.
“Uma questão importante era se o aumento da dose, de 2,4 para 7,2 miligramas, poderia elevar os efeitos colaterais. O que foi observado é que não houve aumento significativo, especialmente quando o paciente já tolerava bem a dose de 2,4 miligramas”, explica.
Além da magnitude da perda de peso, os dados mais recentes reforçam um aspecto considerado central na endocrinologia moderna: a qualidade dessa perda. Informações apresentadas em congressos internacionais indicam que cerca de 84,4% do peso perdido corresponde à redução de tecido adiposo, enquanto aproximadamente 15,6% está relacionado à massa magra.
Na prática clínica, isso representa um diferencial importante, como destaca a médica. “Houve melhora da composição corporal, com uma perda de gordura proporcionalmente maior do que a perda de massa muscular, além de benefícios cardiovasculares, preservação da força muscular e melhora da mobilidade”, diz.
A proporção observada supera, inclusive, o que tradicionalmente se considera adequado em processos de emagrecimento. “Quando um paciente com obesidade perde peso, esperamos algo em torno de 75% de gordura e 25% de massa muscular. Nesse caso, a proporção foi bastante favorável”.
O avanço ocorre em meio à intensificação da disputa no mercado global de medicamentos para obesidade, com novas moléculas e estratégias terapêuticas sendo desenvolvidas. Ainda assim, especialistas ressaltam que o uso dessas medicações deve estar inserido em um plano de cuidado abrangente e individualizado.
Mais do que ampliar doses, a nova aprovação reforça uma mudança de paradigma no manejo da obesidade: o foco deixa de ser exclusivamente o peso na balança e passa a incorporar métricas mais sofisticadas, como composição corporal, função muscular e risco cardiometabólico, indicadores diretamente associados à qualidade e à expectativa de vida.
Sobre a Atma Soma
Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor – a clínica tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a eles uma vida longa e autônoma.
A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas, como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.
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