Galeria expõe obras em torno da memória, articulando diferentes tempos, geografias e linguagens visuais
Para a ARCOmadrid 2026, que acontece de 4 a 8 de março, a Almeida & Dale apresenta um conjunto de obras de 25 artistas, articulando diferentes tempos, geografias e linguagens visuais em torno da memória. A seleção propõe a imagem como rastro de mundos passados, mobilizando evocação, subconsciente, narrativas pessoais e tradicionais, assim como a carga simbólica de materiais e formas.
Mobilizando o poder simbólico de pigmentos naturais criados com o solo e sedimentos orgânicos e minerais antigos, Marlene Almeida traz à tona as cores das formações geológicas do Brasil, combinando pesquisa de campo com maestria artística. Também atraído pelo uso de materiais únicos, Tunga criou obras intrincadas e densas, informadas por investigações sobre ciência, alquimia e ritos ancestrais. Com um conhecido interesse em artefatos pré-colombianos e egípcios, as criaturas em bronze de Liuba Wolf encarnam representações abstratas e oníricas. Em uma abordagem mais formal, Túlio Pinto investiga as possibilidades físicas e visuais do vidro, mármore e aço, explorando a coexistência de rigidez e fragilidade e de equilíbrio e colapso.
Nas obras de José Leonilson e Sara Ramo, as justaposições materiais assumem uma dimensão de experiência pessoal, transmitindo intimidade por meio de uma linguagem formal delicada. Rebeca Carapiá examina linguagem, corpo e território por meio da solda e o retorcer do cobre e ferro. Também fundindo simbolismo corporal com memória, Lidia Lisbôa apresenta uma grande estrutura de crochê, um dos pontos focais de sua obra.

Foto: Estúdio em Obra
Para além da temática material e íntima, as implicações políticas que emergem da descrição de experiências vividas formam outro aspecto fundamental da representação da vida cotidiana e da memória. Essa dimensão é proeminente nos trabalhos de Hélio Melo, Heitor dos Prazeres e Jaider Esbell, que retratam trabalhadores rurais amazônicos e conflitos fundiários; experiências descritivas ou imaginárias de habitantes negros das cidades brasileiras; povos indígenas e suas cosmologias. Em seu mergulho nas cosmologias religiosas afro-brasileiras, Rubem Valentim transcendeu uma abordagem formalista da imagética religiosa, mantendo uma forte conexão com suas origens e reforçando os significados associados aos símbolos dos Orixás.

Foto: Filipe Berndt
Por meio de uma abordagem atenta às dinâmicas geopolíticas, Michael Rakowitz reconstrói artefatos e monumentos iraquianos saqueados pelo colonialismo ou destruídos por grupos extremistas, fazendo com que retornem como fantasmas nas instituições ocidentais. Em linha similar, o olhar de Carlos Garaicoa sobre sua Havana natal e suas ruínas reflete uma melancólica passagem do tempo, manifestada nas fachadas em ruínas das paisagens urbanas de Cuba. Em sua representação das dinâmicas sociais, Maxwell Alexandre constrói narrativas visuais impactantes por meio de estratégias de citação, apropriação e associação simbólica de um amplo repertório histórico, artístico e cultural.

Foto: Sergio Guerini
Artistas da segunda metade do século XX, Eleonore Koch, Amadeo Lorenzato e Chen-Kong Fang também estabelecem um diálogo íntimo com a história da arte através de suporte, temática e referências. A tradição de preparar as próprias tintas, a observação atenta de paisagens e interiores, e o alto domínio técnico estão entre os pontos de contato entre esses artistas e o cânone clássico da arte. Criando um canal direto entre o presente e a pintura histórica, Paulo Pasta, Ana Elisa Egreja, David Almeida, Rodrigo Andrade, Nino Kapanadze e Mariana Palma atualizam a síntese entre repertório e particularidade pessoal dentro de um contexto amplo de iconografia, pesquisa cromática e experimentação material.

Foto: Julia Thompson
Por fim, um diálogo inesperado emerge entre artistas com amplo domínio de outras linguagens: Vivian Caccuri articula objetos e instalações com expressões sonoras, enquanto Montez Magno transita livremente entre artes visuais, poesia e música. Junto com os demais artistas da exposição, eles demonstram como as abordagens da memória e da temporalidade se estendem para além do visual, adentrando territórios multissensoriais e interdisciplinares.
Artistas: Amadeo Lorenzato, Ana Elisa Egreja, Carlos Garaicoa, Chen-Kong Fang, David Almeida, Eleonore Koch, Heitor dos Prazeres, Hélio Melo, Jaider Esbell, José Leonilson, Lidia Lisbôa, Liuba Wolf, Mariana Palma, Marlene Almeida, Maxwell Alexandre, Michael Rakowitz, Montez Magno, Nino Kapanadze, Paulo Pasta, Rebeca Carapiá, Rodrigo Andrade, Rubem Valentim, Sara Ramo, Túlio Pinto, Tunga, Vivian Caccuri.
A Almeida & Dale ocupa o estande Estande 9C02 na ARCOmadrid.
Sobre Almeida & Dale
Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.
Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.
ARCOmadrid 2026
De 4 a 8 de março de 2026
Almeida & Dale – Estande 9C02
IFEMA MADRID
Av. del Partenón, 5, Barajas, 28042 Madrid, Espanha
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