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Muito além das estatísticas, a violência doméstica deixa marcas profundas no rosto e na vida de mulheres que lutam para reconstruir sua identidade após a agressão

Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher (8 de março), um dado médico chama atenção e reforça a gravidade da violência doméstica no Brasil: 81% das mulheres vítimas de agressão física apresentam lesões na face, segundo levantamentos clínicos recentes.

A alta incidência de traumas faciais faz com que cirurgiões bucomaxilofaciais estejam frequentemente entre os primeiros profissionais de saúde a atender essas vítimas em ambientes hospitalares — muitas vezes identificando sinais graves que vão além das marcas visíveis.

De acordo com a cirurgiã-dentista e especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Dra. Juliana Búrigo, a face torna-se alvo principal por representar identidade e autoestima da vítima.

“A agressão na face não é aleatória. Existe um componente simbólico muito forte, porque atingir o rosto significa atingir a identidade, a autoestima e a dignidade da mulher”, explica a Dra. Juliana Búrigo.

Lesões vão além dos hematomas

Os traumas atingem tanto tecidos moles quanto estruturas ósseas e dentárias. Entre as principais consequências estão:

  • hematomas, lacerações e edemas;
  • fraturas faciais;
  • fraturas dentárias;
  • deslocamento ou perda de dentes;
  • alterações funcionais na mastigação e fala.

Estudos apontam que 41% das fraturas ocorrem no terço médio da face, região que inclui maçã do rosto, nariz e maxila. Já 15% atingem o ângulo da mandíbula, podendo comprometer movimentos básicos como falar e se alimentar.

“Muitas pacientes chegam ao hospital acreditando que sofreram apenas um impacto superficial, mas exames mostram fraturas complexas que podem deixar sequelas permanentes se não forem tratadas rapidamente”, alerta a especialista.

O agressor geralmente é conhecido

Os dados também revelam um padrão preocupante:

  • 90% dos agressores são companheiros ou parceiros;
  • 33% das vítimas já haviam sofrido agressões anteriores;
  • em 67,9% dos casos, a violência ocorre por meio de socos e tapas.

Além das fraturas, sintomas como visão dupla, dormência facial, dificuldade para mastigar, tontura e confusão mental podem indicar traumas mais graves, inclusive com risco neurológico.

Atendimento rápido reduz sequelas

Segundo a Dra. Juliana Búrigo, o tempo entre a agressão e o atendimento médico é determinante para a recuperação.

“O tratamento precoce é fundamental. Quando a fratura óssea não é reposicionada rapidamente, ela pode cicatrizar de forma incorreta, causando deformidades faciais permanentes e prejuízos funcionais.”

Nos casos dentários, o atendimento imediato também pode evitar tratamentos mais invasivos, como canal ou perda definitiva do dente.

A recomendação médica é procurar pronto atendimento hospitalar com equipe especializada em trauma, onde exames de imagem, especialmente tomografia computadorizada, permitem diagnóstico completo.

Violência física e impacto psicológico caminham juntos

Além das sequelas físicas, especialistas destacam que o trauma facial frequentemente intensifica danos emocionais e psicológicos.

“Quando a mulher carrega marcas visíveis da violência, o impacto emocional pode ser ainda mais profundo. Por isso, tratar rapidamente as lesões também faz parte do processo de recuperação psicológica”, reforça Dra. Juliana.

A especialista também enfatiza a importância da denúncia e do acolhimento.

“Buscar ajuda médica e denunciar o agressor são passos essenciais para interromper o ciclo da violência e evitar novas agressões.”

Contato e redes sociais:

📍 Clínica Juliana Búrigo – Rua Coronel Pedro Benedet, 505, sala 610, Edifício Millenium Saúde Center – Criciúma/SC

📞 Atendimento particular

🌐 www.julianaburigo.com.br

📸 Instagram e Facebook: @clinicajulianaburigo

foto: divulgação

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