Grupo criado em Bristol lança trabalho que mescla, entre minimalismos e personalidade, múltiplos gêneros
O grupo SOMA SOMA estreia seu novo álbum, Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, no Reino Unido, em um estúdio localizado nos fundos do The Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de 9 canções, o LP traduz a maturidade criativa e a harmonia coletiva adquirida por seus integrantes, que constroem juntos uma ponte entre o velho continente e as sonoridades brasileiras.
Ouça Nem Toda Flor: https://ffm.to/wy8e4yx
Marcado por arranjos ousados e uma produção que valoriza o som orgânico, o projeto busca reafirmar a força do SOMA SOMA como um dos grupos mais inventivos da diáspora brasileira. Liderada pelo vocalista e guitarrista paranaense Artur Tixiliski, radicado na Inglaterra há mais de duas décadas, a banda propõe uma viagem musical que atravessa o mundo entre paradas que incluem o samba rock, partido alto, afoxé, swingueira, axé e maracatu. Seu segredo está na mescla de tradições afro-brasileiras com camadas de jazz espiritual, afrobeat e mais fusões globais.

Todos esses ritmos são trazidos à baila de maneira orgânica, de um jeito caro à formação da banda. Ao longo de sua trajetória, Tixiliski vem unindo forças com instrumentistas e estudiosos musicais a fim de criar intersecções entre a alma brasileira, a vivência inglesa e toda referência que se faça bem-vinda a partir de outros cantos do mundo. Formada por Jonny Pryor (guitarra), Oli Mason (bateria), Jake Calvert (percussão), Rory Macpherson (saxofone), Joe Bradford (trombone), Piers Tamplin (saxofone, clarinete baixo e flauta) e Stevie Toddler (baixo e vocais de apoio), além de Artur, a SOMA SOMA se revela uma celebração da pluralidade rítmica e emocional. Mais do que isso: uma big band contemporânea que calca sua identidade na potencialidade da música progressiva em acessar a alma do Brasil e ainda assim estar aberta ao diálogo com o mundo.
O título, que vem da frase “Nem toda flor floresce o ano todo”, é também uma metáfora sobre ciclos, emoções e a necessidade de respeitar o próprio tempo. “Nem Toda Flor, o álbum, nasceu da pausa que o mundo viveu durante a pandemia de Covid-19. Eu e Artur tínhamos bebês recém-nascidos, mas ainda assim encontramos tempo para seguir compondo com o resto da banda. Era um período de reflexão e de reconexão com o essencial — e foi nesse espírito que as músicas surgiram”, conta Jonny Pryor, um dos integrantes do projetos.
Haja vista, cada faixa carrega uma história. “O Mundo Parou”, escrita durante uma visita ao Brasil, pulsa entre a tensão e a esperança. Inspirada por Bebeto e Antônio Carlos & Jocafi, a canção transforma a quietude do isolamento social em groove, com letras que refletem sobre trabalho, tempo e reconexão com a família. Já “Se Eu Fosse Um Homem Sem Amor” é uma canção de duas notas que se expande em sentimento, nascida da tentativa de simplificar o entorno e deixar que apenas seu ritmo guie. Influenciada pela batida dos Arróxa Drummers, a estreia traz um groove denso e apaixonado sobre criar vida a partir do amor.
Em “Yelda”, Artur Tixiliski se inspira no romance O Caçador de Pipas, do romancista afegão Khaled Hosseini, para transformar a noite mais longa do inverno persa em metáfora da espera e do desejo. “Parquinho”, por sua vez, reflete o tempo vivido entre a incerteza da paternidade, com o som das correntes de um balanço infantil se transformando em base rítmica para uma peça de tom jazzístico. “Pressa”, na sequência, homenageia a cena de jazz de Bristol com compassos irregulares e metais exuberantes, lançando luz sobre o aprendizado coletivo da desaceleração com fins de reencontro do propósito.
O álbum também se abre ao protesto e à espiritualidade. “Treta” é um maracatu político, escrito a partir de um antigo riff de autoria de Tixiliski, em parceria com o compositor Hércules Lacovic. É uma resposta à sua frustração com o autoritarismo e a crise ambiental provocada pelo governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). “Laranjeiras”, lançada como single antecipado, é um samba psicodélico que homenageia o bairro carioca e o espírito solar do Brasil, enquanto “Nem Toda Flor Floresce o Ano Todo” funciona como um mantra sobre autocompaixão, inspirado nos cantos responsivos do samba de coco. O encerramento, que se dá com “O Menino e o Pandeiro”, flutua entre rumba e samba, celebrando o aprendizado, a leveza e a continuidade, aspectos que nos abrem as portas do futuro.
Entre raízes e experimentação, Nem Toda Flor se revela um disco centrado no ato de florescer apesar das intempéries, com a consciência de que até o silêncio faz parte da música. A obra surge como fruto de uma longa semeadura, que plantou o Brasil no interior de cada integrante, mas também de quem a escuta. Honesto em sua proposta, o álbum ganha profundidade justamente por não buscar complexidades ao despertar sentimentos. Cultivado a várias mãos, o repertório foi regado e cuidado para dialogar com muito mais do que os ouvidos estrangeiros fascinados pelas referências estrangeiras estão acostumados. Aqui, a intenção é se conectar com a essência brasileira que nos leva a dar frutos em qualquer lugar do mundo.
Nem Toda Flor está disponível em todas as plataformas de música pela Mintaka Records.
Crédito: Divulgação
Ficha Técnica:
Artur Tixiliski – guitarra, vocais
Jonny Pryor – guitarra
Oli Mason – bateria
Jake Calvert – percussão
Rory Macpherson – saxofone
Joe Bradford – trombone
Piers Tamplin – saxofone, clarinete baixo, flauta
Stevie Toddler – baixo, vocais de apoio
Soma Soma também conta com participações de:
Danny Wallington – teclas
Ben Glass – cuíca
Harriet Riley – vibrafone
Stephen Cumberland – violino
Jackson Lapes – percussão
Ceri Ellis – vocais de apoio
Siobhan Maguire – vocais de apoio
Eli Jitsuto – baixo (na faixa Laranjeiras)
Música: Soma Soma
Letra: Artur Tixiliski
Coautores: Renan Andrade (O Mundo Parou), Hércules Lacovic (Treta)
Traduções: Siobhan Maguire
Gravado no The Jam Jar por Jack McCutcheon
Gravações adicionais por Artur Tixiliski, Piers Tamplin e Jonny Pryor
Mixado por Jonny Mintaka e Damon Hancock
Masterizado por Chris Daniels
Produzido por Jonny Mintaka e Soma Soma
Arte: Siân Davey, Artur Tixiliski e Jonny Pryor
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fotos: divulgação


