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Para algumas crianças, voltar às aulas após as férias pode ser um momento de grande estresse. Veja quais são os sinais que os pais devem estar atentos.

A volta às aulas está próxima e não é incomum os pais notarem mudanças no comportamento dos pequenos quanto mais perto esse dia chega. Mas será que esse comportamento é comum ou deve ser levado como um sinal de alerta? “Embora, em alguns casos, a atitude esteja relacionada à adaptação ou ao fim do período de descanso, o comportamento também pode ser um sinal de que algo mais profundo está acontecendo.”Comenta o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos.

Quais são os sinais de alerta?

De acordo com o doutor, o primeiro passo para identificar se o comportamento da criança é um sinal de alerta é observar a frequência com que ele acontece. “É natural que algumas crianças apresentem insegurança ou desconforto nos primeiros dias de aula, especialmente após longos períodos fora da rotina. No entanto, quando a recusa é persistente, acompanhada de sintomas físicos ou mudanças bruscas de comportamento, isso merece atenção.”

Não é incomum a criança chorar, gritar e pedir para ficar em casa, mas se esse comportamento evoluir para dores de barriga, vômitos, crise de ansiedade, medo e até mesmo regressão de comportamentos podem indicar questões emocionais mais sérias, como ansiedade de separação, dificuldades de socialização ou até experiências negativas no ambiente escolar.

Como os pais podem ajudar?

A maneira como os pais lidam com essa situação reflete diretamente no comportamento dos filhos. “Quando os pais se mostram atentos e simpáticos, a criança tende a se sentir mais confiante para enfrentar a mudança. A volta às aulas não precisa ser traumática, ela pode ser construída de forma gradual e acolhedora”, explica.

Uma dica importante do doutor é começar a implementar a rotina escolar algumas semanas antes. “Acordar no horário de ir pra escola, fazer as refeições em tempo determinado e ter uma rotina de estudos todos os dias ajuda a criar uma expectativa positiva. Esses pequenos passos diários dão à criança a sensação de controle e pertencimento, reduzindo a ansiedade.” Comenta Ceballos.

Por fim, o doutor ainda reforça que o diálogo faz toda a diferença para os pequenos. Perguntar como ela se sente, validar emoções e evitar comparações com irmãos ou colegas contribui para um ambiente emocionalmente seguro. “Frases como ‘isso é besteira’ ou ‘todo mundo passa por isso’ devem ser evitadas. Acolher o sentimento não significa reforçar o medo, mas mostrar que a criança não está sozinha. Se os sintomas extremos persistirem é indispensável procurar ajuda médica. Com carinho, olhar atento e pequenas mudanças na rotina fazem das voltas as aulas um momento mais alegre e gera memórias para sempre.” finaliza o doutor André Ceballos.

Conheça o Dr. André Ceballos: Médico neurocirurgião, Ceballos atua como Diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico tem como missão identificar precocemente condições que possam comprometer o pleno desenvolvimento das crianças, oferecendo intervenções terapêuticas baseadas nas melhores evidências científicas. A atuação do Dr. Ceballos vai além do atendimento clínico e da gestão hospitalar e reconhecendo a importância da informação e da educação para a saúde pública, se dedica a projetos de divulgação e conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, com o objetivo de influenciar políticas públicas que beneficiem especialmente as populações mais vulneráveis. Saiba mais em:Link

Foto de Marco Aurélio Conde na Unsplash

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