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O projeto parte de uma leitura sensível da ideia de globalização não como acúmulo de referências, mas como prática cotidiana, onde gestos construtivos, escolhas materiais e modos de habitar se cruzam

O desenho se constrói a partir de conexões entre culturas, espaços e texturas, criando uma narrativa que equilibra tradição e contemporaneidade. Peças artesanais dialogam com intervenções precisas, enquanto a fluidez dos ambientes orienta o percurso e o uso dos espaços.

A materialidade e os tons terrosos conduzem a narrativa do projeto. Os painéis de nogueira envolvem os ambientes com textura e calor, enquanto o piso em mármore Travertino estabelece uma base de sobriedade atemporal. No centro da sala, o sofá marrom em configuração de ilha organiza a integração entre os espaços. Uma de suas faces se volta para o home, a outra para o estar, dissolvendo a ideia de compartimentos e criando um fluxo contínuo, orgânico e acolhedor.

O mobiliário assume protagonismo e revela uma curadoria afetiva. Ícones do design brasileiro, como as poltronas Beg, de Sérgio Rodrigues, convivem com a leveza modernista da poltrona Cité, de Jean Prouvé. A brasilidade se afirma nas esculturas-vaso Tijuco, de Domingos Tótora, produzidas artesanalmente a partir de papel kraft reciclado e grafite em pó em seu ateliê em Maria da Fé, na Serra da Mantiqueira, e na escultura em zinco sobre madeira azul, de Marcos Coelho Benjamin, que pontua o espaço com cor e expressão artística.

A planta original passou por transformações significativas. A varanda foi incorporada à sala, ampliando a área social, e uma das suítes teve parte do dormitório integrada ao estar. O banheiro existente foi transformado em extensão da suíte master, que passou a abrigar também o closet. Na cozinha, a reconfiguração trouxe maior funcionalidade. O acesso à lavanderia ocorre agora pelo louceiro, otimizando a marcenaria e liberando espaço para uma bancada de refeições rápidas.

Esse diálogo entre o artesanal e o industrial, o passado e o presente, se traduz em uma composição precisa, mas atravessada por afetos. Cada peça carrega uma história e, juntas, constroem uma nova narrativa de habitar.

Ao final da reforma, o apartamento passou a contar com duas suítes e um lavabo, sendo uma das suítes atualmente utilizada como escritório. A residência oficial da cliente revela um modo de morar que valoriza o tempo, o uso e a permanência. Um espaço onde a estética nasce do conforto e da presença, e onde memória e contemporaneidade convivem em equilíbrio.

Fotos: Fran Parente

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