Executivos do Fischer Group analisam transformações do mercado premium, com visão autoral, repertório internacional e foco em bem-estar e sustentabilidade.
O mercado imobiliário premium no Sul do Brasil vive um momento de amadurecimento. Mais do que localização e metragem, o novo luxo passa a ser definido por qualidade de vida, sustentabilidade, bem-estar e identidade arquitetônica. Para Claudio e Thomas Fischer, à frente do Fischer Group, essa mudança não é apenas uma tendência, mas um reposicionamento estrutural na forma de pensar a cidade e o morar.
Com formação e experiência internacional, Thomas Barichello Fischer, engenheiro civil e cofundador da FFV Bold, teve contato direto com o mercado norte-americano, executando obras em Miami — hoje considerada um dos principais polos globais da arquitetura contemporânea. “A convivência com esse padrão de arquitetura acabou tornando-se algo natural. Lá, a excelência arquitetônica vem antes da eficiência numérica. No Brasil, muitas vezes acontece o oposto: o projeto nasce condicionado por planilhas”, observa.
Atuando no mercado imobiliário de Balneário Camboriú, o metro quadrado mais valorizado do Brasil, desde que retornou ao país, o engenheiro percebeu um desalinhamento entre potencial criativo e entrega real dos empreendimentos, o que motivou a decisão de desenvolver produtos próprios, alinhados ao DNA e ao posicionamento da família.
Foi desse movimento que surgiu o Auris Residenze, primeiro edifício-árvore de Balneário Camboriú e primeiro empreendimento autoral do grupo, em parceria com o escritório italiano Archea Associati. A proposta foi importar referências globais, mas respeitando as particularidades culturais, urbanas e mercadológicas da cidade catarinense. “Partimos não do que o mercado está fazendo, mas do que gostaríamos de fazer”, afirma Thomas.
Migração, valorização e mudança de perfil
Para os executivos do Fischer Group, Balneário Camboriú vive um movimento semelhante ao observado em Miami nas últimas décadas. Apesar das recorrentes previsões de bolha imobiliária, a leitura é de que a região apresenta fundamentos sólidos: migração qualificada, infraestrutura urbana, segurança, oferta de serviços e histórico consistente de valorização, com índices próximos de 30%.
Há uma migração positiva de compradores e investidores de alto poder aquisitivo, muitos em busca de aposentadoria ou de melhor qualidade de vida. A antiga sazonalidade da cidade vem diminuindo, impulsionada por um reposicionamento do turismo — de destino associado a festas para um polo de turismo familiar e de experiências.
A região concentra ainda forte dinamismo econômico, com proximidade de Itajaí, um dos maiores polos logísticos do Sul, e de Brusque, referência no setor têxtil e fabril. “É uma concentração de renda e infraestrutura em um território pequeno, algo raro no Brasil”, analisa Thomas.
O novo luxo: menos ostentação, mais bem-estar
Para atender a este perfil de público, atributos antes considerados diferenciais passaram a ser pré-requisitos nos imóveis do segmento premium. A presença de espaços como áreas pet, hortas, jardins, ambientes com valor estético e sensorial tornaram-se decisivos no momento da compra.
“As novas gerações buscam conexão com projetos que tenham visão de futuro, preocupação ambiental, inovação tecnológica e cuidado real com as pessoas”, aponta Claudio Fischer, presidente do Fischer Group, que completa: “Luxo é valor percebido. Hoje, para muitos, ele está mais ligado à saúde do que à estética”.
Neste sentido, o investimento dos incorporadores em soluções e tecnologias que promovam a qualidade do ar, o silêncio, boa incidência de iluminação natural dos ambientes e mais contato com o verde, por exemplo, também passaram a compor o check list dos compradores.
A sustentabilidade é outro tema que deixou de ser apenas valor agregado para integrar o núcleo conceitual dos projetos. Em uma cidade com baixa presença de áreas verdes, como Balneário Camboriú, ações que extrapolam o empreendimento e têm impactos diretos sobre a cidade também ganham destaque, transformando os incorporadores em agentes de transformação urbana. O Fischer Group, por exemplo, realiza iniciativas em parceria com a prefeitura de Balneário Camboriú, como a adoção e arborização de praças, além de realizar projetos-piloto para substituição de vagas de estacionamento por áreas verdes — um movimento já consolidado em diversas cidades europeias.
Nesse contexto, as torres biofílicas, como a do Auris, deixaram de ser exceção para se tornarem uma exigência de mercado. “Quem não implementar esse conceito vai ficar fora do jogo. Desde o briefing do projeto a biofilia já está presente, pois projetar com varandas verdes e integração dos apartamentos e do edifício com a vegetação tornou-se o básico”, destaca Thomas. O mesmo pensamento é válido para as certificações ambientais, uma vez que estudos setoriais mostram que empreendimentos reconhecidos pelos selos podem ser comercializados com valores até 20% mais altos, além de maior liquidez, respondendo a um comprador cada vez mais atento aos critérios ESG e ao impacto do imóvel no longo prazo.
Mais do que acompanhar tendências, no entanto, Claudio e Thomas defendem uma postura ativa não de reação ao mercado, mas de criação e construção do que se tornará indispensável para o bem viver. “O futuro do luxo está em proporcionar experiências de vida melhores”, conclui o presidente do Fischer Group.
Sobre o Fischer Group
Fundado em 1950, o Fischer Group é um dos nomes mais emblemáticos do desenvolvimento urbano e imobiliário da cidade catarinense. Com uma trajetória marcada pelo pioneirismo e por uma visão de longo prazo, o grupo é responsável por projetos que se tornaram marcos locais, como o Terraço Boa Vista e o Hotel Fischer, primeiro hotel de luxo do destino. Atualmente, o Fischer Group atua no desenvolvimento de empreendimentos de alto padrão que combinam arquitetura autoral, inovação, sustentabilidade e bem-estar, contribuindo ativamente para a evolução urbana e imobiliária de Santa Catarina.
fotos: Elephant Skin


