Ginecologista Loreta Canivilo explica sintomas, impacto hormonal e reforça que mulheres com SOP podem engravidar com acompanhamento médico
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva e ainda é cercada por desinformação, principalmente quando o assunto é fertilidade. Embora muitas pessoas acreditem que mulheres com a síndrome não possam engravidar, especialista afirma que essa ideia é um mito.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome dos ovários policísticos é uma desordem hormonal comum em que níveis de andrógenos mais elevados do que o normal levam a períodos menstruais irregulares, ovulação anormal, infertilidade, excesso de pelos faciais ou corporais e acne em mulheres.
A condição afeta cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Ainda segundo a OMS, estima-se que até 70% das mulheres com SOP não saibam que têm a condição, o que reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento médico.
A síndrome costuma surgir na adolescência ou início da vida adulta, período em que começam a aparecer os primeiros sinais do desequilíbrio hormonal. “Entre os principais sintomas estão menstruação irregular ou ausência de ciclos menstruais, dificuldade para engravidar, acne persistente, aumento de pelos no rosto e no corpo, queda de cabelo, ganho de peso e presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários”, explica ginecologista Loreta Canivilo.
Segundo a especialista, a SOP está relacionada a alterações hormonais e metabólicas que interferem no funcionamento dos ovários. Em muitos casos, há também resistência à insulina, condição que pode agravar o desequilíbrio hormonal e impactar o ciclo menstrual.
Essas alterações acabam afetando diretamente a ovulação, o que explica a associação frequente entre SOP e dificuldades para engravidar. “Quem tem síndrome dos ovários policísticos pode ter mais dificuldade para engravidar, mas pode sim engravidar com acompanhamento adequado”, explica Loreta Canivilo.
De acordo com a médica, a síndrome pode alterar o padrão de ovulação. “Muitas mulheres não ovulam todos os meses e, em muitos casos, a ovulação ocorre de forma imprevisível. Sem uma ovulação regular, a chance de gravidez diminui estatisticamente, e isso acabou criando a fama de que quem tem SOP não engravida”, afirma Canivilo.
Apesar disso, existem tratamentos eficazes. O manejo da síndrome pode incluir mudanças no estilo de vida, controle metabólico e uso de medicamentos que ajudam a regular o ciclo hormonal e estimular a ovulação.
“O tratamento consiste em utilizar medicações que regulem e coordenem essa ovulação, aumentando a possibilidade de gravidez”, destaca Loreta.
A especialista também alerta para um comportamento de risco associado ao mito da infertilidade. “Essa ideia de que quem tem SOP não engravida faz com que muitas mulheres tenham relações sexuais sem proteção adequada. Mas, como todo mundo sabe, quando a gente menos quer é o que mais acontece”, comenta a médica.
Por isso, o acompanhamento ginecológico é essencial tanto para quem deseja engravidar quanto para quem quer evitar uma gestação.
“Quem tem SOP deve procurar acompanhamento quando quiser engravidar. SOP não significa infertilidade definitiva”, reforça a ginecologista Loreta Canivilo.
Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e orientação especializada, muitas mulheres com síndrome dos ovários policísticos conseguem controlar os sintomas e engravidar naturalmente ou com auxílio terapêutico.
Sobre a Dra. Loreta Canivilo
A médica ginecologista, obstetra e gineco-endocrinologista Loreta Canivilo é especialista em reposição hormonal feminina, estética íntima feminina e no tratamento de doenças do útero e endométrio.
A profissional possui diversas pós-graduações em instituições de referência, como o Hospital Sírio-Libanês, onde se especializou em Reprodução e Ginecologia Endócrina, e o Hospital Albert Einstein, onde estudou Medicina em Estado da Arte. Também é especialista em Nutrologia e Endocrinologia pela Faculdade Primum, referência em educação médica.
Nas redes sociais, Loreta já acumula mais de 95 mil seguidores (@draloreta), oferecendo conteúdos explicativos sobre saúde da mulher, gestação, reposição hormonal e implantes.
Além disso, é idealizadora de um projeto social, em parceria com o Instituto Primum — onde também ministra aulas —, que promove atendimento gratuito de saúde feminina para mulheres em situação de vulnerabilidade.
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