Especialista alerta que o plantio de espécies amazônicas e pantaneiras em São Paulo revela um equívoco comum e perigoso: confundir “flora brasileira” com “flora nativa”
O recente plantio de mil árvores no futuro Bosque Urbano Andorinha, na zona sul de São Paulo, reacendeu um alerta entre especialistas em paisagismo e arborização urbana. O levantamento de espécies obtido pelo portal Metrópoles mostra que, entre as mudas escolhidas, há árvores amazônicas e pantaneiras — como o mogno e a lofantera —, espécies que não pertencem ao bioma original paulistano, a Mata Atlântica.
Para Cristina Bueno, fundadora da Reurbe Paisagismo, o episódio ilustra uma confusão recorrente: a ideia de que plantas “brasileiras” seriam automaticamente nativas.
“Quando falamos em plantas nativas, estamos falando de bioma — não de fronteira política. Uma espécie amazônica pode ser tão exótica em São Paulo quanto uma europeia. A qualidade nativa se refere à adaptação ecológica local, não à nacionalidade da planta”, explica.
Além do risco de mortalidade das mudas, a escolha equivocada compromete o equilíbrio dos ecossistemas urbanos.
“Essas espécies podem não encontrar polinizadores compatíveis, interferir na fauna local e até se tornar invasoras. O ideal é que reflorestamentos e arborização urbana considerem a flora do bioma original da região, como forma de restaurar de fato os serviços ecológicos perdidos”, acrescenta Bueno.
O caso reforça a urgência de políticas públicas e práticas privadas pautadas em botânica regional e biomas específicos — não em uma ideia genérica de “verde brasileiro”.
Sobre a Reurbe
Fundada por Cristina Bueno, a Reurbe nasceu com uma missão clara: transformar a experiência de viver em ambientes urbanos por meio do paisagismo sustentável e consciente. Atuando com projetos personalizados, a empresa desenvolve jardins que combinam estética, afeto e responsabilidade ecológica — sempre com foco em espécies nativas e no impacto positivo à biodiversidade local.
Mais do que compor áreas verdes, a Reurbe busca restaurar a harmonia entre o urbano e a natureza, criando microssistemas vivos que alimentam pessoas, fauna e cidade. Seu portfólio inclui projetos residenciais e comerciais, com atuação em todas as etapas: da consultoria à implantação e manutenção.
foto: divulgação


