Dermatologista explica por que o chocolate ganhou fama de causar espinhas e quais fatores realmente influenciam a acne
Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate aumenta significativamente e, junto com ele, voltam a circular diversas dúvidas (e também fake news) sobre os efeitos do alimento na pele. Uma das mais conhecidas é a ideia de que comer chocolate causa espinhas.
De acordo com a dermatologista Dra. Paula Sian, essa relação direta entre chocolate e acne não é comprovada cientificamente. “O chocolate, isoladamente, não é o responsável pelo surgimento da acne. Muitas vezes o problema está na composição dos chocolates industrializados, que podem conter grandes quantidades de açúcar, gordura e leite em pó”.
Segundo a especialista, a acne é uma condição multifatorial, ou seja, envolve diversos fatores como predisposição genética, alterações hormonais, estresse, uso de determinados cosméticos e hábitos alimentares. Ainda assim, alguns mitos continuam sendo repetidos ano após ano, principalmente em períodos de maior consumo de chocolate.
A seguir, a dermatologista esclarece 5 fake news comuns sobre chocolate e saúde da pele:
- Chocolate causa acne
Essa é uma das fake news mais populares. Não há evidência científica de que o chocolate, por si só, cause espinhas. O que pode influenciar a pele é o excesso de açúcar, gordura e laticínios presentes em muitos chocolates industrializados.
- Qualquer tipo de chocolate faz mal para a pele
Nem todo chocolate é igual. Chocolates com maior teor de cacau costumam ter menos açúcar e menos derivados do leite. Já os chocolates ao leite ou o chocolate branco geralmente contêm mais açúcar e leite em pó, o que pode favorecer processos inflamatórios em algumas pessoas.
- Comer chocolate dá espinha no dia seguinte
O surgimento de uma espinha não acontece de forma imediata após ingerir um alimento. A acne envolve processos hormonais e inflamatórios que levam tempo para se desenvolver. Muitas vezes, a percepção de relação direta com o chocolate ocorre por coincidência ou por consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.
- Quem tem acne precisa cortar chocolate completamente
Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de chocolate não é um problema. O que costuma fazer diferença é o equilíbrio da alimentação como um todo. Dietas ricas em açúcar e alimentos ultraprocessados podem contribuir para processos inflamatórios, o que pode agravar quadros de acne em pessoas predispostas.
- Existe dieta milagrosa para acabar com a acne
Outra fake news comum nas redes sociais é a promessa de dietas ou alimentos específicos capazes de eliminar a acne. Segundo a dermatologista, não existe solução única. “A saúde da pele depende de um conjunto de fatores que inclui genética, hormônios, alimentação equilibrada, controle do estresse e cuidados dermatológicos adequados”, afirma a especialista.
Durante períodos como a Páscoa, o principal cuidado costuma ser evitar exageros. Grandes quantidades de açúcar e alimentos ultraprocessados consumidas em pouco tempo podem favorecer processos inflamatórios no organismo. “Mais importante do que demonizar um alimento específico é manter equilíbrio. Uma alimentação variada, bons hábitos de vida e acompanhamento dermatológico regular são fundamentais para a saúde da pele”, conclui a Dra. Paula Sian.
Dra. Paula Sian (Dermatologista)
Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).
Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017.
A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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Foto de Pushpak Dsilva na Unsplash


