Dificuldade para perder peso, inchaço persistente e fadiga crônica podem ser sinais de que o corpo está em “modo de sobrevivência”. A médica Dra. Camila Paes explica como identificar e tratar a inflamação de baixo grau
Você acorda cansado, mesmo após oito horas de sono. Sente que o corpo está sempre “pesado”, as roupas apertam ao final do dia devido ao inchaço e, por mais que feche a boca, o ponteiro da balança não se move. Se esse cenário parece familiar, o problema pode não ser falta de força de vontade, mas sim algo que a medicina chama de inflamação metabólica de baixo grau.
Diferente de uma inflamação aguda, como uma dor de garganta que causa febre e dor local, a inflamação metabólica é silenciosa e sistêmica. Segundo a médica Camila Paes, especialista em emagrecimento à frente da Casa Paes, trata-se de um estado em que as células do corpo estão constantemente “estressadas”, o que compromete a produção de energia e o processamento de gorduras.
“Imagine o metabolismo como um motor. Se o óleo está sujo, ele precisa fazer o dobro de esforço para entregar a metade do desempenho. É exatamente isso que acontece quando estamos inflamados”, explica a Dra. Camila. De acordo com a especialista, o tecido adiposo (a gordura) não é apenas um depósito de calorias, mas um órgão endócrino ativo que, em excesso, libera substâncias inflamatórias no sangue. Esse processo cria um ciclo vicioso: a inflamação dificulta a queima de gordura e o excesso de gordura alimenta a inflamação. “Muitas mulheres acreditam que o cansaço é reflexo apenas do estresse ou da idade, mas, na verdade, é o corpo gritando que o metabolismo travou”, pontua.
Seu cansaço é normal?
Na prática, esse quadro se manifesta através de sinais que muitas vezes ignoramos no dia a dia. O sintoma mais comum é o chamado “nevoeiro mental”, aquela dificuldade de concentração e lapsos de memória que parecem uma nuvem sobre o raciocínio. A isso somam-se o inchaço abdominal persistente, que piora ao longo do dia independentemente do que se come e uma sonolência esmagadora logo após as refeições. Esses são fortes indicativos de que o corpo está lutando para processar a glicose. Até mesmo o exercício físico pode se tornar um fardo: em vez de revigorada, a pessoa se sente exausta após um treino leve, pois o corpo inflamado prioriza a sobrevivência e não a performance.
Para quem está nesse estado, a matemática tradicional de “comer menos e gastar mais” raramente funciona. Isso ocorre porque a inflamação altera a sinalização de hormônios vitais, como a grelina e a leptina, responsáveis pela fome e saciedade, respectivamente. “Tratar apenas o peso sem olhar para o terreno biológico é o que causa o efeito sanfona”, afirma a médica. Para romper esse bloqueio, a ciência hoje aposta na personalização extrema. Estudos publicados no início de 2025, como os da revista Cell Metabolism, mostram que o uso de mapeamento genético pode aumentar em até 64% as chances de manutenção do peso, pois identifica quais nutrientes e estímulos o DNA de cada pessoa responde melhor.
A solução para a desinflamação, portanto, exige uma “limpeza” metabólica que vai além do prato. É necessário olhar para a qualidade do sono, a saúde intestinal e a reposição de nutrientes que o corpo parou de absorver corretamente. O uso estratégico de tecnologias, como os novos medicamentos análogos de GLP-1, e os testes de precisão, surge como ferramenta poderosa, mas a médica faz uma ressalva importante: “A tecnologia é o acelerador, mas a estratégia médica é o mapa. O objetivo final deve ser sempre devolver a vitalidade; o emagrecimento será apenas a consequência natural de um corpo que recuperou seu equilíbrio”, ressalta Dra. Camila.
Sobre a Casa Paes
A Casa Paes é um centro médico focado em saúde, estética avançada e longevidade localizado em Lages (SC). Sob a liderança da Dra. Camila Paes, o espaço nasceu com a missão de oferecer um atendimento que transcende o convencional, unindo a precisão da medicina de alta performance ao acolhimento de um ambiente exclusivo. O foco da Casa Paes é proporcionar resultados que respeitem a individualidade biológica de cada paciente, promovendo bem-estar real e beleza sustentável ao longo das décadas.
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