Segundo tipo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, tumor apresenta alta mortalidade, mas pode ter impacto reduzido com prevenção e diagnóstico precoce
O câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, ocupa hoje uma posição crítica na saúde pública brasileira. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que a doença já é o segundo tipo de câncer mais frequente entre homens e mulheres no país. Em 2025, foram estimados 26.260 novos casos na população masculina, o equivalente a 10,3% de todos os diagnósticos oncológicos, atrás apenas do câncer de próstata. Entre as mulheres, a projeção é de 27.540 novos registros, cerca de 10,5% do total, ficando atrás somente do câncer de mama.
Além da alta incidência, a mortalidade também preocupa. O câncer colorretal figura como a terceira principal causa de morte por câncer quando homens e mulheres são analisados separadamente e a segunda quando considerados em conjunto, perdendo apenas para o câncer de pulmão. Embora não seja totalmente evitável, o impacto da doença pode ser significativamente reduzido com estratégias adequadas de prevenção e rastreamento. Nesse cenário, o Março Azul Marinho reforça a importância da informação de qualidade, do reconhecimento precoce dos sinais e da adesão aos exames preventivos como pilares para reduzir a mortalidade associada ao tumor.
De acordo com o oncologista Dr. Matheus Baptista, da Croma Oncologia, um dos principais desafios do câncer colorretal é o fato de a doença evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. “É comum atribuir gases, constipação ou episódios isolados de diarreia à alimentação ou ao estresse. O alerta surge quando esses sinais se repetem por semanas ou aparecem associados a sangramento, dor abdominal ou anemia. Nesses casos, a investigação médica é fundamental”, alerta.
Para o oncologista Dr. Antônio Dias, especialista em tumores do trato gastrointestinal, esse movimento levou à antecipação da recomendação de início do rastreamento. “Trata-se de um fenômeno multifatorial, diretamente associado ao padrão alimentar e ao estilo de vida contemporâneo”, afirma.
A seguir, os especialistas reúnem cinco curiosidades importantes sobre o câncer colorretal.
- O câncer colorretal está entre os tumores mais diagnosticados no Brasil.
A doença já ocupa a segunda posição entre os tipos de câncer mais frequentes em homens e mulheres no país. Somados, os números ultrapassam 53 mil novos casos estimados para 2025, o que reforça a relevância do tumor no cenário oncológico brasileiro. - Ele também está entre as principais causas de morte por câncer.
Além da elevada incidência, o câncer colorretal apresenta mortalidade expressiva. Quando homens e mulheres são analisados separadamente, ele é a terceira principal causa de morte por câncer. Quando considerados em conjunto, ocupa a segunda posição, atrás apenas do câncer de pulmão. - Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sintomas evidentes.
O câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa no início. Quando surgem, os sinais de alerta mais comuns incluem sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, fezes mais finas, dor abdominal recorrente, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente e perda de peso involuntária. A persistência desses sintomas por semanas deve ser sempre valorizada. - O risco aumenta com a idade, mas casos em pessoas mais jovens têm crescido.
Embora seja mais frequente em faixas etárias mais elevadas, o câncer colorretal não se restringe aos idosos. Histórico familiar, especialmente em parentes de primeiro grau, e fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados e carnes vermelhas, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool e tabagismo, exercem influência relevante. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o aumento de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos. - A colonoscopia é uma das principais ferramentas de diagnóstico e prevenção.
O rastreamento é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o impacto do câncer colorretal. Com o aumento de casos em pessoas mais jovens, instituições como a American Cancer Society passaram a recomendar que indivíduos com risco médio iniciem a colonoscopia aos 45 anos, mesmo sem sintomas. Pessoas com histórico familiar devem começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado, prevalecendo o que ocorrer primeiro. O exame permite identificar lesões precoces e remover pólipos antes que evoluam para câncer, atuando de forma preventiva.
Quando o câncer colorretal é diagnosticado precocemente, o tratamento costuma envolver cirurgia para retirada do tumor e dos gânglios linfáticos regionais. A indicação de quimioterapia após o procedimento depende do estágio da doença e tem como objetivo reduzir o risco de recorrência. Mesmo em casos mais avançados, com presença de metástases, há situações em que a cura ainda é possível, especialmente quando as lesões são únicas e passíveis de ressecção cirúrgica ou abordagens ablativas.
Atualmente, o tratamento do câncer colorretal conta com um arsenal terapêutico mais amplo, que inclui quimioterapia convencional, terapias alvo direcionadas a mutações específicas, imunoterapia em casos selecionados e técnicas como radioterapia, ablação por radiofrequência e radioembolização, permitindo controlar a doença e preservar a qualidade de vida, inclusive em cenários mais avançados.
A adoção de hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação rica em frutas, vegetais e fibras, redução do consumo de carnes vermelhas e embutidos, controle do peso, moderação no consumo de álcool e abandono do tabagismo, permanece como um eixo central na redução do risco da doença. Ainda assim, especialistas reforçam que nenhuma dessas estratégias substitui a avaliação médica e a adesão aos exames de rastreamento.
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