Condição comum após a menopausa pode afetar até 80% das mulheres, impactando qualidade de vida, sexualidade e saúde urinária
Um estudo internacional recente, publicado pela Canadian Journal of Urology, aponta que a síndrome geniturinária da menopausa (SGM), condição que pode causar secura vaginal, dor durante a relação sexual, infecções urinárias recorrentes e incontinência, ainda é bastante subdiagnosticada e subtratada em todo o mundo.
A pesquisa analisou dados de 2,8 milhões de mulheres e identificou que mais de 70% das pacientes diagnosticadas não recebem nenhum tipo de tratamento, apesar do impacto significativo dos sintomas na qualidade de vida.
A síndrome surge principalmente após a menopausa devido à queda nos níveis de estrogênio, hormônio fundamental para a saúde dos tecidos vaginais e urinários. Sem tratamento, os sintomas podem persistir e até piorar com o tempo.
Embora pouco discutida, a condição é extremamente comum. Estimativas indicam que entre 50% e 80% das mulheres na pós-menopausa apresentam algum grau da síndrome, tornando-a um dos problemas de saúde mais frequentes dessa fase da vida.
Segundo Alexandra Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do Instituto GRIS, o primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil, a síndrome ainda é pouco reconhecida, mesmo sendo bastante comum entre mulheres após a menopausa.
“A síndrome geniturinária da menopausa é uma condição muito prevalente, mas que ainda permanece pouco discutida. Muitas mulheres acreditam que sintomas como secura vaginal, dor durante a relação ou infecções urinárias frequentes fazem parte do envelhecimento natural, quando na verdade existem tratamentos capazes de melhorar significativamente esses quadros”, explica.
Impacto na saúde e na qualidade de vida
A síndrome geniturinária da menopausa reúne um conjunto de sintomas que podem afetar tanto a saúde íntima quanto o bem-estar emocional das mulheres. Entre os principais estão secura vaginal, ardor ou irritação na região íntima, diminuição da lubrificação, dor durante a relação sexual, sangramento após o sexo, urgência ou aumento da frequência urinária, incontinência urinária e infecções urinárias recorrentes.
Estudos indicam que, diferentemente de outros sintomas da menopausa, como as ondas de calor, os sintomas geniturinários não desaparecem espontaneamente ao longo do tempo, sendo necessária intervenção médica para melhorar a condição.
De acordo com Alexandra, os efeitos da síndrome podem ir além da saúde física. “A síndrome geniturinária da menopausa não impacta apenas a saúde íntima. Ela pode interferir na autoestima, na vida sexual, nos relacionamentos e até na rotina diária, especialmente quando há sintomas urinários recorrentes”, afirma.
Tratamentos existem, mas ainda são pouco utilizados
Entre as mulheres que receberam tratamento no estudo, a maioria utilizou apenas uma abordagem terapêutica. O estrogênio vaginal em baixa dose foi a terapia mais utilizada e considerada o padrão-ouro para o tratamento da síndrome, pois ajuda a restaurar a saúde da mucosa vaginal e aliviar sintomas urinários.
Outras opções terapêuticas incluem terapia de reposição hormonal sistêmica, medicamentos específicos para dor na relação sexual e secura vaginal e terapias não hormonais, como hidratantes e lubrificantes vaginais.
Apesar das evidências de eficácia e segurança, muitos tratamentos ainda são pouco utilizados, frequentemente por falta de informação ou receio relacionado ao uso de hormônios.
Cenário no Brasil
No Brasil, a síndrome geniturinária da menopausa também é considerada altamente comum, podendo afetar entre 36% e quase 90% das mulheres, segundo dados citados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Apesar da frequência elevada, especialistas apontam que o tema ainda é pouco discutido nos consultórios e na sociedade. Muitas mulheres não associam sintomas como infecções urinárias recorrentes ou dor na relação sexual à menopausa, o que contribui para o atraso no diagnóstico e tratamento.
Além disso, fatores culturais também influenciam a busca por ajuda médica. Vergonha, estigma e a percepção de que os sintomas fazem parte “natural” do envelhecimento levam muitas mulheres a não relatarem os sintomas durante consultas.
Estudos brasileiros indicam que os sintomas urogenitais se tornam mais intensos na perimenopausa e pós-menopausa, podendo impactar significativamente a qualidade de vida das mulheres nessa fase.
Importância do diagnóstico e do diálogo com profissionais de saúde
A recomendação é que médicos investiguem rotineiramente sintomas urinários, genitais e sexuais em mulheres na pós-menopausa, mesmo quando eles não são mencionados espontaneamente.
“Quanto mais informação as mulheres tiverem sobre as mudanças que ocorrem na menopausa, maior será a chance de reconhecer os sintomas e buscar ajuda. O acesso à informação e ao acompanhamento médico adequado é fundamental para garantir qualidade de vida nessa fase”, conclui Alexandra Ongaratto.
O reconhecimento dos sintomas e o acesso às opções terapêuticas disponíveis podem contribuir para que mais mulheres atravessem a menopausa com mais conforto, autonomia e qualidade de vida.
Instituto GRIS
O Instituto GRIS, tem como compromisso priorizar o bem-estar e a saúde feminina. Sediado em Curitiba, é pioneiro como o primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil, agregando as mais avançadas tecnologias para o cuidado da saúde íntima feminina. Seu enfoque abrangente e especializado combina inovação e dedicação, ajudando as mulheres a assumirem o protagonismo em suas jornadas de saúde.
foto: envato


