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Estudo internacional aponta mudanças estruturais na dinâmica de recrutamento

O mercado global de staffing — que reúne serviços de recrutamento, terceirização e trabalho temporário — deve crescer cerca de 2% em 2026, alcançando aproximadamente US$ 183,3 bilhões, segundo levantamento da plataforma de benchmarking ClearlyRated. O avanço ocorre em um contexto de escassez persistente de profissionais qualificados, maior uso de inteligência artificial no recrutamento e expansão do trabalho híbrido e remoto.

A dificuldade de encontrar talentos segue como uma das principais pressões para empresas e consultorias de recrutamento. De acordo com o estudo, 74% dos recrutadores afirmam que hoje leva mais tempo para identificar candidatos que atendam simultaneamente às exigências técnicas e culturais das vagas, devido a um cenário de rápida evolução das funções e competição por profissionais especializados.

Para Isis Borge, sócia do Talenses Group e diretora da Assigna, empresa do grupo especializada em staff loan e soluções flexíveis de força de trabalho, o cenário amplia a importância das consultorias na gestão de talentos.

“Encontrar profissionais qualificados se tornou um processo mais complexo. Em muitos casos, as empresas não buscam apenas preencher vagas permanentes, mas estruturar equipes capazes de responder rapidamente a oscilações de demanda e projetos específicos. Nesse contexto, modelos de staff loan ganham relevância por permitir acesso ágil a competências especializadas sem ampliar estruturas fixas”, afirma.

O levantamento também mostra que a inteligência artificial deixou de ser experimental e passou a integrar de forma estruturada os processos de recrutamento. Segundo o estudo, 88% das empresas já utilizam IA em etapas como triagem de currículos, agendamento de entrevistas e análise de compatibilidade entre candidatos e vagas. Já especificamente entre as corporações de staffing, 85% registraram aumento no uso de automação e inteligência artificial em processos de sourcing e seleção ao longo de 2025.

Na avaliação da executiva da Assigna, a tecnologia amplia a eficiência das consultorias, mas não substitui o julgamento humano na decisão final.

“A inteligência artificial acelera etapas operacionais do recrutamento e melhora a capacidade de análise de dados. Mas a decisão de contratação continua dependendo da leitura de contexto e do entendimento do que cada empresa realmente precisa resolver”, diz.

Habilidades Práticas

Outra tendência destacada no estudo é a expansão do skills-based hiring, modelo que prioriza habilidades práticas em vez de credenciais formais. Dados citados no levantamento indicam que 81% das empresas já adotam essa abordagem, e 94% consideram que competências demonstráveis são melhores indicadores de desempenho no trabalho do que diplomas tradicionais.

O relatório também aponta mudanças nas expectativas dos profissionais em relação ao trabalho. Hoje, 76% dos trabalhadores preferem modelos flexíveis, como regimes híbridos ou remotos, enquanto cerca de 40% da força de trabalho global já realiza parte das atividades à distância.

Para Isis Borge, esse cenário tende a ampliar o papel do staffing na estratégia de gestão de pessoas das empresas.

“Cada vez mais organizações estruturam suas equipes combinando profissionais permanentes com especialistas alocados por projeto ou por período determinado. Esse modelo permite ajustar a força de trabalho com mais agilidade e acessar conhecimentos específicos quando eles são necessários”, afirma.

O levantamento também indica que fatores como experiência do candidato, reputação das empresas empregadoras, diversidade e bem-estar dos profissionais tendem a ganhar maior peso nas decisões de contratação, ampliando a pressão para que empresas e consultorias adaptem suas estratégias de atração e retenção de talentos nos próximos anos.

foto: Unsplash

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