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Especialista do Pilar Hospital explica sintomas, exames e tratamentos da doença que afeta milhões de brasileiras, entre elas a cantora Anitta

Estima-se que uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva conviva com a endometriose no Brasil. Apesar da incidência da doença — que atinge cerca de 176 milhões de mulheres no mundo —, o diagnóstico pode levar de sete a dez anos após o início dos sintomas.

De acordo com Jordana Pereira, cirurgiã ginecológica do Pilar Hospital, em Curitiba, isso acontece porque, durante muito tempo, a dor menstrual intensa foi considerada normal.

“Muitas mulheres escutam isso desde adolescentes, vão convivendo com a dor por anos antes de procurar ajuda ou antes de alguém investigar mais aprofundadamente”, relata. “Além disso, exames frequentemente realizados, como ultrassom abdominal ou transvaginal, não são adequados para a detecção da doença”, completa.

A endometriose consiste no crescimento anormal do endométrio — tecido semelhante ao revestimento interno do útero — fora da cavidade uterina. “O tecido se espalha, pode atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e até mesmo outras regiões da pelve e fora dela”, detalha Jordana.

Diagnóstico exige atenção

Além da cólica menstrual intensa que impede a realização de atividades do dia a dia, podem aparecer sintomas como a dor durante a relação sexual, ao urinar e evacuar, distensão abdominal, funcionamento intestinal irregular e a dificuldade em engravidar. “São sinais importantes para que a mulher busque por um especialista”, alerta.

A médica lembra casos emblemáticos, como o da cantora Anitta, que tinha endometriose na bexiga e que passou nove anos sendo tratada com infecção urinária sem que se desconfiasse da condição. “Ao finalmente passar pelo mapeamento de endometriose, foi corretamente diagnosticada, fez cirurgia e apresentou boa recuperação”, explica.

Melhores exames e tratamento

O mapeamento específico por meio de ultrassom ou de ressonância magnética está entre os exames mais indicados para o diagnóstico da endometriose, explica a cirurgiã do Pilar. “Lembrando que uma consulta bem feita, com escuta ativa e exame físico cuidadoso, também pode levantar a suspeita da doença”, reforça.

A endometriose é uma condição que muitas vezes pode envolver diferentes órgãos e, por isso, exige uma equipe experiente e um centro médico especializado. Nesses locais, é possível realizar exames específicos e oferecer uma abordagem multidisciplinar. Em alguns casos, a cirurgia pode exigir a atuação de profissionais de diferentes especialidades, o que aumenta a segurança e a qualidade da abordagem.

Em relação ao tratamento, a médica destaca que é possível controlar a doença com medicamentos e mudanças no estilo de vida, principalmente com a prática de exercícios físicos e uma dieta anti-inflamatória.

“A cirurgia geralmente é indicada em três situações específicas: quando a paciente continua com dor mesmo após um tratamento adequado; quando há comprometimento de órgãos; ou quando a paciente está em tentativa de engravidar”, enumera.

Nos casos cirúrgicos, a médica destaca o uso de técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica, realizadas por pequenas incisões. “As câmeras ampliam a visão das estruturas, o que torna a cirurgia mais precisa, com menos trauma, menos dor e uma recuperação mais rápida. Na cirurgia robótica, a visão tridimensional e os movimentos mais delicados contribuem para melhores resultados em relação à dor e à fertilidade.”

Impactos da doença

O mês de março, de sensibilização para o diagnóstico da endometriose, é o momento de lembrar o impacto que a doença pode causar na vida das pacientes. “A dor passa a interferir ativamente no trabalho, performance, nas relações afetivas e familiares e, até mesmo, no psicológico”, lamenta a especialista. “Além disso, há a infertilidade: até 50% das pacientes com endometriose terão algum grau de dificuldade para engravidar”, completa.

Sobre o Pilar Hospital

Com mais de 60 anos de tradição, o Pilar Hospital é reconhecido como referência na integração de tecnologia avançada e atendimento humanizado. Localizado no bairro Bom Retiro, em Curitiba, o hospital atende pacientes de todo o Paraná, oferecendo suporte essencial em diversas especialidades médicas. Sua estrutura robusta inclui 81 unidades de internação (enfermaria e apartamento) e 39 unidades de terapia intensiva e o Pilar Centro Médico, que realiza procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos de baixa complexidade, em regime de hospital dia, consolidando seu papel na qualidade e acesso à saúde para os paranaenses.

foto: freepik

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