Emirado amplia iniciativas de profissionalização, regulação e desenvolvimento de negócios ligados aos creators, movimento que pode antecipar os próximos passos do setor
Dubai começa a tratar a Creator Economy como uma frente relevante dentro de sua estratégia para atrair talentos, desenvolver novos negócios e fortalecer a economia criativa. Conhecido pelos investimentos em tecnologia, turismo e inovação, o emirado vem ampliando iniciativas voltadas à profissionalização de creators e à estruturação do mercado de conteúdo digital.
O movimento acompanha uma estratégia mais ampla para o setor de mídia. O Dubai Media Council estabeleceu como meta dobrar a contribuição da indústria de mídia para o PIB do emirado e vem direcionando esforços para atração de investimentos, desenvolvimento de talentos e adoção de novas tecnologias. A produção de conteúdo digital aparece dentro desse cenário como uma atividade com potencial econômico crescente.
Para Victor Cabral, especialista em Creator Economy e fundador da Cabral Levers, a estratégia chama atenção pela forma como conecta creators a uma agenda maior de desenvolvimento de negócios. “Dubai tem uma visão de futuro muito forte e uma capacidade de transformar essa visão em iniciativas concretas. A Creator Economy começa a entrar nessa agenda ligada à inovação, tecnologia, empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios. Isso mostra o tamanho que essa indústria pode alcançar nos próximos anos”, afirma.

Um dos exemplos desse movimento é o Creators HQ, iniciativa criada para reunir creators, empresas, investidores e profissionais da indústria em Dubai. Mais do que um espaço voltado à produção de conteúdo, o projeto funciona como um hub para atrair talentos internacionais, apoiar a profissionalização do mercado e estimular a criação de negócios a partir dos Emirados Árabes Unidos, aproximando influência digital, empreendedorismo e investimento.
A profissionalização também chegou à regulamentação. Os Emirados Árabes Unidos estabeleceram uma autorização específica para pessoas que publicam conteúdo publicitário nas redes sociais. A exigência alcança cidadãos, residentes e, em determinadas situações, visitantes que realizem publicidade no país. Segundo o UAE Media Council, a medida busca organizar o mercado de publicidade digital, ampliar sua competitividade e estimular investimentos na indústria de conteúdo.
O ambiente também favorece o surgimento de creators que ampliam suas fontes de receita e transformam audiência em empresas. Casos como Huda e Mona Kattan, ligadas à Huda Beauty e à KAYALI, e Karen Wazen, que criou uma marca própria de eyewear com distribuição internacional, mostram como a influência digital pode servir de base para a construção de negócios globais.
Esse modelo aponta para uma etapa de maior maturidade da Creator Economy. Além de contratos publicitários, entram no radar produtos próprios, propriedade intelectual, participação societária, licenciamento e construção de marcas. “A publicidade continua sendo uma parte importante da indústria, mas existe uma camada de negócios crescendo em torno dos creators. Audiência e comunidade podem gerar distribuição, propriedade intelectual, produtos e empresas. Quando esse mercado começa a se aproximar de capital e empreendedorismo, surgem possibilidades muito maiores de geração de valor”, explica Cabral.
Na avaliação do especialista, o avanço de Dubai também merece atenção de mercados como o brasileiro. O Brasil já possui uma indústria de influência relevante, com grandes audiências, creators profissionalizados e marcas destinando parcelas crescentes de suas estratégias de comunicação ao setor. A evolução passa agora pela criação de estruturas capazes de acompanhar essa maturidade.
“Existe uma oportunidade enorme para o Brasil porque já temos talento, audiência e uma cultura muito forte de criação de conteúdo. O que Dubai mostra é o potencial que aparece quando essa indústria passa a ser enxergada dentro de uma agenda de inovação, negócios e desenvolvimento econômico. É uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço também por aqui”, conclui Cabral.
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