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No Brasil, a corrida digital começa a cobrar seu preço. O excesso de telas, as notificações constantes e as jornadas de trabalho conectadas têm levado trabalhadores e estudantes a buscar formas de desconexão

Em 2024, o país bateu pela segunda vez em uma década o recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, com mais de 470 mil casos registrados. Em 2025, o número ultrapassou meio milhão de licenças concedidas, segundo dados do Ministério da Previdência Social, mostrando que a intensa exposição digital continua afetando a saúde emocional da população.

Os efeitos da sobrecarga tecnológica se estendem também às escolas, onde o uso constante de dispositivos móveis tem sido associado a distrações e queda no desempenho acadêmico. Dados do ensino fundamental, colhidos pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, mostram avanço de 25,7% em matemática e 13,5% em português em 2024, após restrições ao uso de celulares em sala de aula. Especialistas afirmam que a ausência de telas reduz interrupções, favorece a socialização e melhora a concentração, evidenciando que o excesso de tecnologia pode comprometer não apenas o aprendizado, mas também o desenvolvimento socioemocional das crianças e adolescentes.

A relação entre tecnologia, atenção e bem-estar é destacada por Camila Gaudio, diretora do Acampamento Aruanã, que alerta que os impactos do uso excessivo de telas vão muito além do desempenho escolar, afetando aspectos emocionais, sociais e cognitivos. “Estamos observando um aumento significativo de ansiedade, estresse e fadiga emocional entre crianças, adolescentes e trabalhadores, diretamente ligado à exposição digital constante”, afirma. Para Gaudio, práticas que reduzem o uso excessivo de telas e incentivam a interação presencial ajudam a restaurar a atenção, o bem-estar e a capacidade de aprendizado, mostrando que os efeitos da sobrecarga tecnológica são não apenas acadêmicos, como também sociais e emocionais.

Diante desse cenário, acampamentos têm ganhado atenção como espaços que permitem a crianças e adolescentes viverem rotinas mais próximas do ritmo biológico e social natural. Ao suspender o uso constante de telas e incentivar atividades ao ar livre, convivência e experiências sensoriais, essas iniciativas são apontadas por especialistas como instrumentos que ajudam a reduzir estresse, melhorar a atenção e fortalecer habilidades socioemocionais, funcionando como complementos às estratégias formais de educação e cuidado com a saúde mental.

A aproximação com o mundo real, marcada pela presença e interação direta, é vista como mais enriquecedora para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. “A busca por experiências que promovam presença e interação direta reflete uma necessidade de ‘alteridade’. Estar fisicamente diante do outro ajuda a quebrar as bolhas algorítmicas e restabelece relações que a eficiência digital sozinha não consegue”, afirma Camila Gaudio. Para ela, estar de corpo e alma no mundo real é essencial para que crianças, adolescentes e adultos desenvolvam atenção, equilíbrio emocional e habilidades sociais, mostrando que a desconexão não é luxo, mas uma necessidade diante dos desafios do mundo hiperconectado.

Sobre o Acampamento Aruanã

O Acampamento Aruanã é uma instituição de ensino não formal que, desde 1990, oferece acampamentos pedagógicos baseados em metodologias ativas e no contato com a natureza. Com uma estrutura completa de lazer e hospedagem em uma vasta área de Mata Atlântica, tem como missão proporcionar vivências marcantes que estimulam o desenvolvimento humano, o respeito ao meio ambiente e a construção de laços comunitários.

foto: freepik

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