Estrela de “As Panteras” falou sobre o procedimento em entrevista publicada nesta semana e defendeu intervenções que preservem a identidade facial
Aos 80 anos, Jaclyn Smith voltou a falar sobre envelhecimento e procedimentos estéticos, desta vez revelando um detalhe de sua rotina de cuidados que chamou atenção: a atriz contou que já utilizou a própria gordura para recuperar volume no rosto. A declaração foi publicada nesta semana, em uma entrevista que também antecede os 50 anos de As Panteras, série que a consagrou. Conhecida por interpretar Kelly Garrett na produção que estreou em 1976, Jaclyn afirmou que não é favorável a exageros e que não gosta quando procedimentos fazem uma pessoa deixar de parecer com ela mesma. Ao explicar sua escolha, destacou justamente uma das transformações naturais do envelhecimento: a perda de gordura facial.
Para o cirurgião plástico Dr. Carlos Tagliari, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS, a declaração chama atenção para um aspecto importante do envelhecimento facial: a face não muda apenas por causa da flacidez da pele. “O envelhecimento facial é um processo tridimensional. Existe alteração da pele, dos músculos, dos ligamentos, do tecido adiposo e até da estrutura óssea. A perda de volume em determinadas regiões pode aprofundar sulcos, modificar os contornos e alterar a relação entre diferentes áreas do rosto. Por isso, avaliar somente a flacidez não é suficiente para entender uma face envelhecida”, explica o cirurgião.
Segundo o especialista, os compartimentos de gordura da face sofrem mudanças ao longo do processo de envelhecimento. Algumas regiões apresentam redução de volume, enquanto outras podem sofrer deslocamento ou maior evidência dos tecidos. Essa transformação contribui para características como olheiras mais profundas, perda de projeção das maçãs do rosto, sulcos mais marcados e alteração do contorno facial. “Quando existe perda de volume, simplesmente tracionar a pele não necessariamente resolve todas as alterações. É preciso entender quais estruturas perderam suporte e quais mudanças realmente estão acontecendo naquela face. Em alguns pacientes, a reposição de volume pode fazer parte do planejamento; em outros, a indicação pode ser completamente diferente”, afirma Tagliari. A utilização da própria gordura do paciente, conhecida como enxertia ou lipoenxertia facial, consiste na retirada de tecido adiposo de uma região do corpo, processamento e posterior aplicação em áreas específicas do rosto. O objetivo pode ser restaurar volume e melhorar proporções, sempre de acordo com a avaliação individual.
A fala de Jaclyn Smith sobre não querer “deixar de parecer ela mesma” acompanha uma preocupação cada vez mais presente na cirurgia plástica: alcançar rejuvenescimento sem apagar características que tornam cada rosto único. Para Carlos Tagliari, naturalidade não significa necessariamente ausência de procedimentos, mas proporção e indicação adequada. “Naturalidade não é simplesmente fazer pouco. É fazer aquilo que aquela pessoa realmente precisa, na quantidade adequada e respeitando a anatomia. Um procedimento bem indicado não deve criar um rosto novo, mas trabalhar as alterações que incomodam o paciente sem comprometer suas características individuais”. O cirurgião também ressalta que o fato de uma celebridade optar por determinado procedimento não significa que a mesma indicação possa ser reproduzida por outras pessoas. “Cada rosto envelhece de uma maneira. Duas pessoas com a mesma idade podem apresentar necessidades completamente diferentes. A cirurgia plástica não deve seguir uma receita baseada na idade ou na referência de uma celebridade. A indicação precisa partir da avaliação anatômica e das expectativas do paciente”.
Aos 80 anos, Jaclyn Smith aparece justamente em um momento em que a discussão sobre envelhecimento ganha novos contornos. Em vez de tentar reproduzir uma aparência jovem, a atriz fala sobre preservar aquilo que a torna reconhecível. “Hoje, quando falamos em rejuvenescimento facial, o objetivo não deve ser simplesmente apagar a idade. O foco está em melhorar a qualidade e a harmonia da face, respeitando a história daquele rosto. Envelhecer faz parte da vida; a cirurgia pode ser uma ferramenta para tratar determinadas alterações, mas não deve eliminar a identidade do paciente”. A declaração de Jaclyn Smith reforça, assim, uma discussão que vai além da estética: como intervir em um rosto que envelhece sem transformar a pessoa em outra versão de si mesma.
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