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Localizada em Ibiúna, residência utiliza 30 toneladas de aço para vencer desnível de 13 metros, preservar a paisagem e criar ambientes suspensos com vista para a represa

Uma casa que parece flutuar sobre o terreno, tem uma garagem projetada para funcionar como exposição de automóveis e permite observar os veículos através de um piso de vidro. Essas são algumas das características da Casa da Represa, residência de 900 m² construída em Ibiúna, no interior de São Paulo, que utilizou 30 toneladas de aço para transformar um terreno de difícil ocupação em um projeto arquitetônico singular.

Assinada pelo arquiteto Bruno Rubiano, a residência foi concebida em um lote com 13 metros de desnível, condição que normalmente exigiria intervenções significativas no solo. Em vez de grandes cortes e aterros, a solução adotada foi uma estrutura metálica capaz de distribuir as cargas, criar pavimentos suspensos e preservar as características naturais do terreno.

O resultado é uma construção que avança em direção à represa, com grandes superfícies de vidro, ambientes integrados à paisagem e uma passarela interna suspensa sobre um espaço com pé-direito triplo de aproximadamente 13 metros.

A escolha do aço, além de atender às necessidades arquitetônicas, levou em consideração o prazo reduzido de execução e a menor geração de resíduos durante a obra.

“O conceito em aço foi o partido inicial. A escolha do material resolveu ao mesmo tempo implantação, execução, modulação e linguagem. O lote pedia uma casa capaz de se adaptar ao declive sem domesticar o terreno. Nesse ponto, o aço entrou como instrumento de precisão”, explica o arquiteto Bruno Rubiano.

Garagem vira espaço de exposição de automóveis

Um dos ambientes mais curiosos da residência é a garagem, planejada para abrigar a coleção de automóveis do proprietário. Diferentemente de uma garagem convencional, o espaço foi concebido como uma espécie de galeria, com vista para a represa e integração visual com os ambientes sociais.

O hall de entrada recebeu piso de vidro, permitindo que os veículos sejam observados de cima, enquanto a estrutura da garagem se apoia em seis pilares, solução que ampliou a capacidade de estacionamento e contribuiu para a adaptação ao terreno.

“A garagem foi tratada como pátio expositivo, com vista para a represa e possibilidade de ser observada a partir da área social. O hall recebeu piso de vidro, permitindo ver os carros a partir do acesso principal”, destaca Rubiano.

Estrutura metálica permite que a casa acompanhe o terreno

Para viabilizar o projeto, foram utilizadas vigas metálicas do tipo I, com 530 milímetros, além de vigas-caixão nos trechos que exigiam maior leveza visual.

A estrutura permitiu criar grandes vãos, reduzir a quantidade de apoios aparentes e posicionar os pilares de maneira a preservar a vista para a represa.

Outro destaque é a passarela interna, que funciona como uma galeria suspensa e conduz os moradores até um mirante voltado para a água. O percurso reforça a sensação de leveza e integração entre a residência e a paisagem.

Segundo o arquiteto, a inspiração no universo náutico está presente em diferentes elementos do projeto, como os planos inclinados, os brises metálicos e a própria disposição dos ambientes.

“A metáfora do barco aparece na forma, nos planos inclinados, na presença dos brises e no modo como o percurso interno conduz o olhar até a água. Mas a força do projeto está no sistema que a torna possível”, afirma.

Construção em aço amplia possibilidades arquitetônicas

Para o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), a Casa da Represa demonstra como a construção industrializada em aço pode oferecer soluções para projetos com restrições topográficas e arquitetônicas.

A compatibilidade do material com outros sistemas construtivos, especialmente o vidro, permitiu combinar grandes superfícies transparentes com uma estrutura capaz de suportar os diferentes níveis da residência.

Além da função estrutural, os elementos metálicos aparecem na fachada e nos brises, que ajudam a controlar a incidência solar, preservar a privacidade e contribuir para o conforto térmico dos ambientes.

A proteção das estruturas metálicas recebeu pintura com camadas superiores a 200 micras, visando à durabilidade diante da exposição ao sol, à umidade e às variações climáticas. A manutenção prevista inclui repinturas periódicas.

Para o CBCA, o projeto também evidencia a versatilidade do aço ao integrar diferentes materiais e funções em uma mesma solução arquitetônica, conciliando liberdade de criação, racionalização construtiva e adaptação às condições do terreno.

“A contribuição técnica do aço está no conjunto. Grandes vãos com peças relativamente esbeltas, pilares com dimensões contidas, modulação compatível com o cálculo e economia obtida pelo uso correto do material. O relevante é como o sistema construtivo em aço possibilita que o projeto vença os grandes vãos”, conclui Rubiano.

Ficha técnica

Projeto arquitetônico: Bruno Rubiano / Studio Bruno Rubiano Arquitetura

Projeto da estrutura em aço: União Técnica

Execução da obra: Bruno Rubiano

Montagem da estrutura em aço: Engenheiro Miqueias

Área construída: 900 m²

Volume de aço empregado: 30 toneladas

Localização: Ibiúna (SP)

Sobre o CBCA

O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) é uma entidade de classe criada em 2002 com o objetivo de ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, por meio de ações de divulgação e apoio ao desenvolvimento tecnológico do setor no Brasil.

Gerido pelo Instituto Aço Brasil, o CBCA não possui finalidade comercial. Mais informações e estatísticas do setor estão disponíveis em www.cbca-acobrasil.org.br/site/estatisticas.

fotos: divulgação

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