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Cistoscopia flexível permite visualizar o interior do trato urinário e identificar alterações que podem passar despercebidas na avaliação dos sintomas, auxiliando na escolha do tratamento

A dificuldade para urinar costuma ser o primeiro sinal de alerta para muitos homens com próstata aumentada. O que poucos sabem é que, enquanto o jato urinário perde força e a bexiga demora mais para esvaziar, alterações podem estar acontecendo dentro do órgão, mesmo sem provocar sintomas proporcionais à sua gravidade.

Isso ocorre porque o aumento benigno da próstata, conhecido como hiperplasia prostática benigna (HPB), pode comprimir a uretra e criar uma resistência à passagem da urina. Para vencer essa dificuldade, a bexiga precisa trabalhar com mais esforço. Com o tempo, essa sobrecarga pode modificar sua estrutura e comprometer seu funcionamento.

O urologista Alberto Tomé, especialista em prevenção e tratamento do câncer de próstata, explica que uma das dificuldades no diagnóstico é justamente a diferença entre o que o paciente sente e o que realmente está acontecendo no trato urinário.

“Nem sempre a intensidade dos sintomas revela a dimensão do problema. Há pacientes que convivem durante anos com alterações urinárias porque acreditam que fazem parte do envelhecimento. Mas, em alguns casos, a bexiga já apresenta sinais de que está trabalhando sob esforço excessivo”, afirma.

O que a cistoscopia flexível consegue revelar?

Para investigar determinadas alterações, um dos recursos disponíveis é a cistoscopia flexível, exame que utiliza uma microcâmera acoplada a um aparelho fino e flexível, introduzido pela uretra, permitindo ao médico observar diretamente o interior do canal urinário e da bexiga.

Durante o procedimento, é possível visualizar a região da uretra que atravessa a próstata, identificar estreitamentos e alterações anatômicas que dificultam a passagem da urina, além de examinar as paredes da bexiga.

Entre os achados possíveis estão as trabeculações vesicais, alterações no aspecto da parede interna da bexiga que podem estar associadas ao esforço prolongado para eliminar a urina. O exame também pode identificar divertículos, cálculos e outras alterações que exigem investigação específica.

“É uma avaliação que nos permite enxergar estruturas que não conseguimos observar diretamente em uma consulta. Podemos identificar como a próstata interfere na passagem da urina e verificar se existem modificações na anatomia da bexiga. Isso faz diferença principalmente quando precisamos planejar um tratamento ou esclarecer a causa dos sintomas”, explica Tomé.

O risco de tratar apenas os sintomas

A hiperplasia prostática benigna é uma condição frequente com o avanço da idade, mas o tamanho da próstata, isoladamente, não determina a gravidade do quadro. Uma próstata muito aumentada nem sempre provoca obstrução importante, assim como alterações menores podem comprometer significativamente o fluxo urinário, dependendo de sua localização.

Além disso, nem toda dificuldade para urinar tem origem na próstata. Alterações no funcionamento da bexiga, estreitamentos da uretra e outras doenças podem produzir manifestações semelhantes.

Por isso, a investigação deve considerar o histórico do paciente, o exame físico e, conforme a necessidade, avaliações como ultrassonografia, urofluxometria, medida do resíduo urinário e exames funcionais.

A cistoscopia flexível é indicada em situações específicas, sobretudo quando há necessidade de esclarecer alterações anatômicas, investigar determinados sinais de alerta ou avaliar o trato urinário antes de procedimentos cirúrgicos. Não se trata de um exame de rotina para todos os homens com próstata aumentada.

“Quando identificamos corretamente a origem da dificuldade urinária, conseguimos tomar decisões mais seguras. Alguns pacientes respondem bem ao tratamento com medicamentos. Outros podem precisar de uma intervenção. O importante é não escolher uma conduta sem compreender o que está causando o problema”, destaca o urologista.

Quando procurar avaliação?

Jato urinário fraco, demora para começar a urinar, necessidade de fazer força, sensação de esvaziamento incompleto e aumento da frequência urinária, especialmente durante a noite, estão entre os sintomas que merecem atenção.

Embora nem sempre representem uma condição grave, essas manifestações não devem ser consideradas uma consequência inevitável da idade.

“Nosso objetivo não é apenas melhorar o jato urinário. É avaliar a saúde de todo o sistema urinário e identificar possíveis repercussões da obstrução. Quanto mais precisa for a investigação, maiores são as possibilidades de oferecer um tratamento adequado às necessidades de cada paciente”, conclui Alberto Tomé.

Sobre o especialista

Alberto Tomé é médico urologista, especialista em prevenção e tratamento do câncer de próstata, com atuação em diagnóstico e tratamento das doenças urológicas e cirurgia robótica. Realiza atendimentos em Umuarama e Cianorte, no Paraná, além de procedimentos cirúrgicos em centros especializados em Maringá, Londrina e São Paulo.

Foto de engin akyurt na Unsplash

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