Relatório da Savills aponta prêmio médio global de 33% para residências associadas a marcas; no Brasil, incorporadoras estruturam processos de curadoria para reforçar a identidade e a longevidade de seus projetos
As branded residences, empreendimentos residenciais associados a marcas de hotelaria, moda, design ou outros segmentos, alcançam prêmio médio global de 33% em relação a imóveis comparáveis sem essa associação, segundo o Branded Residences Report 2025/26, da Savills. O percentual varia conforme a localização, a marca e as características de cada projeto.
Embora a categoria não se limite a edifícios assinados por arquitetos, seu avanço evidencia a crescente relevância da identidade de projeto, do design e da reputação dos parceiros envolvidos na percepção de valor dos imóveis de alto padrão. No Brasil, esse movimento começa a se refletir na adoção de processos mais estruturados para a seleção de escritórios de arquitetura e design.
Da diferenciação estética à estratégia de produto
O movimento acompanha a expansão do mercado brasileiro de luxo, que cresceu 26% entre 2022 e 2024 e movimentou R$ 98 bilhões em 2024, segundo estudo da Bain & Company realizado para o Valor Econômico e a Vogue. A categoria de imóveis respondeu por R$ 21 bilhões em vendas e registrou crescimento anual de 13%.
No cenário internacional, o número de projetos de branded residences passou de 764 em dezembro de 2024 para uma estimativa de 910 até o fim de 2025, expansão de 19%. O avanço inclui marcas hoteleiras e não hoteleiras, entre elas empresas ligadas a design, moda, gastronomia e setor automotivo.
Nesse contexto, a arquitetura autoral passa a ser analisada não apenas por sua expressão estética, mas também por sua contribuição para a diferenciação, a coerência do produto e sua permanência no mercado.
Curadoria arquitetônica estruturada
Entre as incorporadoras que formalizaram esse processo está a Plaenge, que criou o Arch Design, selo que chancela a curadoria dos escritórios responsáveis por projetos selecionados de alto padrão. Atualmente, oito empreendimentos integram o programa em cidades como Maringá, Curitiba, Campinas, Campo Grande, Cuiabá e Porto Alegre.
“O Arch Design reconhece a expertise para escolha dos parceiros em cada um dos nossos projetos a partir de uma visão de longo prazo. A arquitetura e o design precisam responder ao contexto da cidade, à qualidade construtiva e à capacidade de o empreendimento permanecer relevante ao longo do tempo”, afirma Fábia Yoshida, gerente de Comunicação e Marketing Institucional da Plaenge.
Referências internacionais e conhecimento local
O portfólio de colaborações reúne escritórios de atuação internacional e nomes reconhecidos da arquitetura e do design brasileiros. Entre os parceiros estão a Pininfarina, estúdio italiano fundado em 1930, e o LW Group.
A estratégia combina referências internacionais com o conhecimento das particularidades urbanas, climáticas e culturais de cada cidade. Essa integração busca assegurar que a identidade autoral não seja apenas um elemento visual, mas uma dimensão coerente com o contexto de implantação e com o perfil de cada empreendimento.
Arquitetura como atributo de valor
Para 2026, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção estima que as vendas de imóveis no país têm capacidade de crescer 10% em número de unidades, apesar dos desafios relacionados ao crédito e às taxas de juros. A projeção considera o mercado imobiliário como um todo e não representa uma estimativa específica para o segmento de alto padrão.
Nesse cenário, atributos capazes de conferir identidade e diferenciação aos empreendimentos tendem a ganhar relevância. A arquitetura autoral passa a integrar essa discussão ao lado de localização, qualidade de execução, serviços e aderência às características de cada mercado.
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