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Em Criciúma (SC), a arquiteta Ana Paula Ronchi projetou uma residência de 970 m² em torno de uma árvore de cerca de 100 anos, invertendo a lógica tradicional entre construção e paisagismo

Em um momento em que a arquitetura residencial busca cada vez mais dialogar com a natureza e com soluções verdadeiramente personalizadas, a Casa da Figueira, em Criciúma (SC), se destaca por inverter uma lógica ainda comum na construção civil: em vez de adaptar o paisagismo ao projeto, foi o projeto que se moldou à paisagem já existente. Assinada pela arquiteta Ana Paula Ronchi, a residência de 970 m², concluída em 2026, nasceu a partir da presença de uma figueira de aproximadamente 100 anos que já ocupava o terreno, e transformou a árvore no elemento que orientou cada decisão do projeto, da implantação da casa à escolha dos materiais e da marcenaria.

A decisão partiu ainda antes do primeiro traço no papel. Acostumada a projetos de retrofit, que ressignificam construções carregadas de história, a moradora não via com entusiasmo a ideia de erguer uma casa do zero. O terreno escolhido, no entanto, já possuía um protagonista: aquela figueira centenária, cujas raízes se espalhavam por boa parte do lote. Foi a partir dela que nasceu a proposta de uma residência inteira organizada em torno de sua presença. “A figueira nos chamou. Todo o conceito do projeto nasceu para respeitar suas raízes, seus galhos, e a importância que ela teria na experiência de morar”, resume Ana Paula Ronchi, que soma 31 anos de carreira e assina o projeto.

Muito além de uma escolha estética, preservar a árvore exigiu soluções arquitetônicas específicas e um raciocínio construtivo pouco convencional. Para proteger o sistema radicular da figueira, parte da residência foi suspensa em relação ao solo, sobretudo na área do deck, que hoje paira sobre uma malha visível de raízes. “Se a gente fizesse uma casa mais baixa, teria matado a árvore”, explica a arquiteta. Os ambientes foram distribuídos em blocos ao redor do tronco, permitindo que a vegetação permanecesse no centro da composição e garantindo áreas de respiro entre a construção e a mata ao fundo do terreno.

Essa mesma lógica se espalha por toda a casa. Grandes esquadrias, janelas altas e aberturas zenitais foram posicionadas para emoldurar diferentes perspectivas da árvore, de modo que praticamente todos os ambientes mantêm uma conexão visual permanente com o tronco, a copa ou os galhos. Um giro de mais de 180 graus dentro da residência é suficiente para alternar entre a vista da figueira e a vista da área verde nos fundos do lote. A paisagem deixa de ser pano de fundo para se tornar parte da arquitetura. “O projeto não foi pensado para competir com a natureza. A arquitetura existe para permitir que ela seja vivida diariamente”, diz Ana Paula.

As soluções construtivas também nasceram dessa convivência cotidiana com a árvore. O telhado da fachada frontal, com desenho que remete a uma catedral, foi executado em estrutura metálica, o que favorece o escoamento natural das folhas que caem ao longo do ano, enquanto as calhas aparentes facilitam a manutenção. A casa foi concebida para privilegiar iluminação natural e ventilação cruzada, aproveitando o microclima criado pela copa da figueira, enquanto pedra e madeira reforçam, em texturas e tons, a continuidade entre os espaços internos e externos.

A integração entre ambientes orienta também a organização interna da casa. A cozinha ocupa posição central e se conecta visualmente às áreas sociais e ao deck externo, que abraça o tronco da árvore e amplia o espaço de convivência dos moradores. Já a lareira, pensada originalmente para o interior, ganhou uma segunda versão externa, posicionada de frente para a figueira, depois que a equipe avaliou o comportamento da fumaça em ambientes fechados. O resultado é um segundo ponto de encontro ao ar livre que espelha a sala interna e reforça a proposta de contemplação da paisagem em diferentes momentos do dia.

Para que a arquitetura pudesse ser executada exatamente como havia sido concebida, a marcenaria assumiu papel estratégico no projeto. Ana Paula recorreu ao portfólio da franquia da Bontempo em Criciúma, marca brasileira de móveis de autoexpressão que reúne um catálogo extenso de projetos de marcenaria totalmente personalizados, com alto potencial de customização em materiais, cores, dimensões e acabamentos. Foi esse leque de possibilidades que permitiu à arquiteta tratar cada detalhe da casa como uma solução sob medida, e não como um item de catálogo padrão, entre eles o revestimento das vigas estruturais de concreto com painéis de madeira, solução que reforça a continuidade entre arquitetura e interiores e amplia a sensação de acolhimento da residência.

Entre os destaques de marcenaria estão ainda a cozinha com frentes de gaveta Arezzo, os painéis do tipo lambri personalizados em acabamento Lacca na cor Muschio, os armários da linha Lumi e o closet Libertà, no quarto do casal. Para Ana Paula, a variedade de materiais e a flexibilidade de execução foram fundamentais para preservar a essência do projeto. “A possibilidade de personalização permite que cada solução seja desenhada de acordo com a arquitetura. A Bontempo oferece uma diversidade muito grande de acabamentos e recursos, funcionando como uma verdadeira tela em branco para o desenvolvimento de projetos únicos”, afirma.

Mais do que uma residência, a Casa da Figueira materializa uma forma de projetar em que arquitetura e paisagem deixam de disputar protagonismo. Ao respeitar a história já existente no terreno e construir a casa ao redor dela, o projeto demonstra que preservar também pode ser um gesto de criação, e que, muitas vezes, a melhor arquitetura é aquela capaz de revelar aquilo que a natureza já havia desenhado.

Sobre a Bontempo

Fundada em 1978 pelos irmãos Rudimar, Rosmar e Rudinei Stedile, que herdaram a tradição da marcenaria italiana de seus antepassados, a Bontempo é hoje um dos maiores nomes do universo de móveis planejados de alto padrão do Brasil. A partir de seu parque fabril de mais de 40.000 m², localizado em São Marcos (RS), a Bontempo desenvolve soluções sob medida, capazes de materializar a autoexpressão de seus clientes, sempre prezando pelo acabamento impecável – resultado do cuidadoso trabalho artesanal aliado ao maquinário de última geração. Ao todo, são cerca de 2.500 profissionais alocados entre as 55 lojas da marca, gerenciadas no modelo franchising, distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, Uruguai e Chile. Em 2025, a marca inaugurou seu novo espaço de experiências em São Paulo: a Casa Bontempo, um ponto de encontro para quem vive e respira o universo do design.

fotos: divulgação

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