Embora as doenças cardiovasculares continuem sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo1,2, alguns dos principais fatores de risco associados a elas, como hipertensão arterial e colesterol elevado, podem ser controlados3,4
No entanto, por evoluírem de forma silenciosa e, muitas vezes, sem provocar sintomas nas fases iniciais3,4, essas condições frequentemente geram a falsa sensação de que “está tudo bem”. Como consequência, muitas pessoas adiam consultas médicas, negligenciam exames de rotina ou deixam de realizar o tratamento adequado, aumentando o risco de complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)3,5.
Nesse contexto, o médico cardiologista desempenha um papel essencial na disseminação de informações de qualidade sobre prevenção, diagnóstico e controle de eventos cardiovasculares. Pensando nisso, com a aproximação do Dia do Cardiologista (14/08), reunimos 10 orientações do Dr. Márcio Gonçalves de Sousa, médico cardiologista e Chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
- Nem todo colesterol alto é consequência da alimentação4. Em alguns casos, níveis elevados de colesterol têm origem genética, como na hipercolesterolemia familiar4. Pessoas com essa condição podem apresentar colesterol muito elevado mesmo mantendo hábitos saudáveis, o que torna o diagnóstico precoce e o tratamento fundamentais para reduzir o risco cardiovascular4,6.
- A pressão alta não aparece só em situações de estresse7. É comum atribuir picos de pressão ao estresse ou à ansiedade, mas a hipertensão é uma doença crônica3. Mesmo quando a pressão sobe em momentos específicos, é necessário investigar se existe hipertensão persistente, já que a doença costuma evoluir sem sintomas3,7. Caso o diagnóstico se confirme, não se preocupe: é possível controlar a condição por meio de tratamento medicamentoso e mudanças no estilo de vida3.
- Consulte o cardiologista mesmo quando estiver se sentindo bem. Infarto e AVC costumam ser tratados como acontecimentos repentinos, mas, na maioria das vezes, são resultado de fatores de risco que permaneceram sem controle durante anos. Os principais, como hipertensão e colesterol elevado, podem evoluir silenciosamente, tornando consultas e exames periódicos fundamentais para identificar alterações precocemente e definir a melhor estratégia para cada paciente3,4. Lembre-se: a prevenção continua sendo a forma mais eficaz de reduzir o risco de eventos cardiovasculares5.
- O tratamento vai além do remédio e os cuidados não podem ser esquecidos ao sair do consultório médico5. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e abandono do tabagismo complementam o tratamento medicamentoso e ajudam a proteger a saúde do coração5. Medir a pressão quando indicado e retornar para reavaliações são atitudes que também fazem parte desse cuidado contínuo7.
- Avise o médico se o remédio “não combinou” com você. Se sentir algum efeito adverso ou dificuldade para seguir o tratamento, não abandone a medicação por conta própria. Volte ao consultório e relate os sintomas ao cardiologista. Em muitos casos, o médico pode ajustar a estratégia terapêutica para melhorar a adesão ao tratamento e manter o controle da doença8.
- Leve o histórico da família para a consulta, não só seus exames. Muitos pacientes chegam ao cardiologista com os exames em mãos, mas esquecem de contar sobre casos de infarto precoce, AVC ou colesterol muito alto na família. Essas informações podem auxiliar na avaliação do risco cardiovascular, orientar a investigação e influenciar a estratégia de prevenção adotada pelo médico5.
- Seu histórico familiar não é uma sentença, mas um alerta5. Ter pai, mãe ou irmãos que tiveram infarto, AVC ou têm colesterol muito alto aumenta o risco, mas isso não significa que os eventos cardiovasculares sejam inevitáveis5. Conhecer esse histórico permite que o médico identifique pessoas com maior risco cardiovascular, avalie a necessidade de iniciar o acompanhamento mais precocemente e defina metas de tratamento individualizadas para cada paciente5.
- Coração e rins trabalham juntos7. Hipertensão descontrolada pode comprometer a função renal ao longo do tempo7. Da mesma forma, doenças renais podem favorecer o aumento da pressão arterial7. Por isso, o acompanhamento cardiovascular muitas vezes inclui exames que vão além do coração7.
- Dormir mal também pode impactar a saúde do coração9. Ronco intenso, apneia do sono e privação crônica de sono estão associados a maior risco cardiovascular e podem dificultar o controle da pressão arterial10. Se você sente que o seu sono não é reparador ou acorda cansado com frequência, vale conversar com o médico.
- Não interrompa a medicação porque os exames melhoraram. É comum que pacientes suspendam a medicação quando se sentem bem ou acreditam que a doença está controlada8. Na maioria dos casos, porém, esse controle é justamente consequência do tratamento. Hipertensão e colesterol alto são doenças crônicas que exigem acompanhamento de longo prazo3,4. Interromper o medicamento por conta própria pode fazer com que os níveis voltem a subir silenciosamente, aumentando novamente o risco cardiovascular3,4.
Caso tenha interesse em aprofundar o tema, o especialista está disponível para entrevistas.
*Este material tem caráter exclusivamente informativo e educativo. As informações não substituem a avaliação e a orientação de um profissional de saúde. O profissional de saúde mencionado atua como fonte técnica para fins de educação em saúde e conscientização da população sobre prevenção cardiovascular.
Referências
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Disponível em: http://cardiometro.org/. Acesso em 17 de julho de 2026.
- World Health Organization. Cardiovascular diseases (CVDs). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-(cvds). Acesso em 17 de julho de 2026.
- World Health Organization (WHO). Hypertension. Disponivel em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hypertension. Acesso em 17 de julho de 2026.
- Mach F, Baigent C, Catapano AL, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. European Heart Journal. 2020;41(1):111-188. Disponível em: https://academic.oup.com/eurheartj/article/41/1/111/5556353. Acesso em 17 de julho de 2026.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Prevenção Cardiovascular – 2019. Disponível em: http://www.cardiometro.com.br/include-cardiometro/teste2/pdf/POCKET%20DIRETRIZ%20DE%20PREVENCAO.pdf. Acesso em 17 de julho de 2026.
- Family Heart Foundation. Familial Hypercholesterolemia. Disponível em: https://familyheart.org/familial-hypercholesterolemia. Acesso em 17 de julho de 2026.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/BXT7Vk4B9VKQnJFsJhgJ4Hn/. Acesso em 17 de julho de 2026.
- World Health Organization. Adherence to long-term therapies: Evidence for action. Disponível em: https://iris.who.int/items/bf8058c0-03b2-4b47-838f-5534849927fb. Acesso em 17 de julho de 2026.
- American Heart Association. Life’s Essential 8™. Disponível em: https://www.heart.org/en/healthy-living/healthy-lifestyle/lifes-essential-8. Acesso em 17 de julho de 2026.
- American Heart Association. Obstructive Sleep Apnea and Cardiovascular Disease. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000000988. Acesso em 17 de julho de 2026.
Foto de DESIGNECOLOGIST na Unsplash


