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Adélio Sarro iniciou sua trajetória na arte ainda na infância e descobriu a vocação para a escultura após a sugestão de um amigo restaurador

Muitas pessoas descobrem talentos quando são crianças, e não foi diferente com o artista multifacetado Adélio Sarro. Com mais de 2.200 esculturas e 300 monumentos, ele coleciona exposições no Brasil e no mundo, mas foi por meio de um calendário que ele descobriu o seu dom. Quando tinha apenas quatro anos, Adélio já se interessava por arte. Ele, ao ver um calendário religioso, com a imagem do ‘Sagrado Coração de Jesus’, subiu em um caixote e resolveu reproduzi-la. Um padre viu o desenho e ficou impressionado com o que encontrou.

Apesar do talento, o artista, nascido em Andradina, no interior de São Paulo e a 620 km de distância da capital paulista, não imaginava que um dia conseguiria se tornar um dos nomes mais reconhecidos no meio artístico e com tamanho acervo de obras ao redor do mundo.

“Comecei na arte quando eu era criança, mas não pensava que um dia seria o artista que sou hoje. Eu me sinto muito contente por poder mostrar o meu trabalho para pessoas de vários países”, afirma Adélio Sarro.

O início da carreira de escultor

Sarro produziu muitas pinturas ao longo da vida, mas as esculturas começaram a fazer parte de sua trajetória por sugestão de um amigo. “Um grande restaurador em Bolonha sempre me dizia: ‘Nossa, sua pintura é fenomenal, por que você não faz esculturas também?’. Naquele momento, comecei a me adentrar no universo das artes plásticas e me deparei com meu primeiro desafio”, explica o artista, que começou fazendo uma fachada em alto-relevo de concreto e, a partir daquele momento, decidiu que continuaria a produzir esculturas pequenas.

Já a primeira produção monumental que realizou foi em uma cidade que já possui uma história cultural por trás: Brodowski, terra do artista plástico Cândido Portinari. Ao fazer esculturas que foram instaladas na estação ferroviária do município, Sarro descobriu que gostaria de seguir esse caminho na arte. Atualmente, o artista já criou mais de 300 monumentos, alguns alcançando até 17 metros de altura. “Quando esculpi o meu primeiro monumento foi um momento muito especial na minha vida. Além de descobrir o meu amor por grandes esculturas, pude criá-lo na cidade natal de Portinari, uma das minhas maiores inspirações artísticas”, destaca.

Com séries de obras que escancaram problemas sociais do Brasil, desde corrupção até desmatamento, o artista fez exposições na Rússia e China, além disso retratou o cotidiano do ser-humano em mostras em outros países da Europa e Ásia, como Alemanha, Itália e Japão. “A arte é minha vida. Se tirar a arte de mim, eu sobrevivo por pouco tempo. Sonho e trabalho com arte. Toda hora estou dentro do meu ateliê, de domingo, de noite, não tem horário, porque é o que amo fazer”, reforça Adélio.

Com centenas de criações, Sarro sentia que precisava de um local fixo para que o público pudessem visitá-las e sentí-las. Por isso, após incentivo da esposa, o artista construiu o Memorial de Arte Adélio Sarro, em Vinhedo (SP). “Quando finalmente pudemos inaugurar o memorial, foi uma realização única. Enfim tive a sensação de concretizar o sonho de ter um local relevante e dedicado a minha carreira”, finaliza Adélio.

Sobre Adélio Sarro 

Adélio Sarro é um dos maiores e mais importantes artistas plásticos do Brasil. Com mais de 54 anos dedicados às artes visuais e uma produção que soma mais de 2200 esculturas e 300 monumentos, o artista já participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo vários países da Europa, como Alemanha, Bélgica, Itália, França, Polônia, Portugal e Suíça, além de Rússia, China, Singapura, Eslováquia, Austrália, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Nicarágua, entre outros.

Em 2018, inaugurou o Memorial Adélio Sarro, em Vinhedo (SP). O espaço dedicado à preservação de sua obra é um dos três maiores memoriais em iniciativa privada do Brasil. Além disso, ele também assina o Museu Subaquático, localizado no Guarujá (SP), que une arte e experiência imersiva.

Reconhecido pelo uso de formas geométricas e cores vibrantes, seu trabalho dialoga com o expressionismo e aborda temas sociais brasileiros, combinando elementos da tradição clássica com linguagem contemporânea.

Fotos: Memorial de Arte Adélio Sarro

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