Compartilhe:

Com setor de eventos aquecido, especialista explica por que tamanho, número de estandes e público alto não bastam para medir a relevância de uma feira

O setor de eventos segue em expansão no Brasil. Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o consumo no setor somou R$ 25,33 bilhões no primeiro bimestre de 2026, maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2019. O estoque de empregos formais no chamado core business do setor chegou a 205.538 vínculos em fevereiro deste ano.

No recorte corporativo, a demanda também avançou. Levantamento da DataEventos, divulgado pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), aponta que os pedidos de orçamento para feiras, congressos, convenções, seminários, reuniões, palestras e workshops cresceram 15,96% entre janeiro e maio de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024.

Com mais eventos no calendário, empresas e profissionais precisam decidir onde vale a pena investir tempo, equipe e dinheiro. Para Monique Fonseca, especialista em eventos corporativos, uma feira relevante não deve ser medida apenas pela quantidade de estandes, pelo tamanho da área ocupada ou pelo volume de visitantes.

“Uma feira de alto valor não se mede pela quantidade de estandes ou pela área em metros quadrados, mas pela qualidade das conexões e do conhecimento que proporciona”, afirma.

Segundo a especialista, o erro mais comum é confundir movimento com resultado. Um evento cheio pode gerar boa percepção visual, mas não necessariamente entrega conteúdo qualificado, relacionamento estratégico ou oportunidades reais de negócio.

Palestrantes precisam ter experiência real no setor

Um dos primeiros sinais de relevância, segundo Monique, está na curadoria do conteúdo. A presença de nomes conhecidos pode atrair público, mas não garante profundidade.

Para ela, os melhores painéis são aqueles conduzidos por profissionais que atuam diretamente no mercado, como fundadores, gestores e especialistas com trajetória verificável no setor.

“O sinal mais claro é quando os painelistas são profissionais que constroem negócios ativamente. Quando a grade é formada majoritariamente por executivos de grandes patrocinadores ou por figuras de visibilidade sem atuação prática, o conteúdo tende a ser genérico e comercial”, diz.

Ela explica que palestras com dados reais, exemplos de fracasso, decisões difíceis e bastidores operacionais costumam indicar maior maturidade do evento. Já apresentações excessivamente institucionais podem transformar a programação em uma vitrine de marcas, e não em um espaço de aprendizado.

Formato deve favorecer troca, não só palestra

Outro ponto de atenção é o desenho da programação. Para Monique, feiras mais relevantes costumam ir além do modelo tradicional de palco e plateia.

Mesas-redondas, sessões de perguntas abertas, painéis com opiniões divergentes e ambientes de networking estruturados tendem a gerar mais valor para o participante.

“O formato expositivo puro limita o aprendizado e o relacionamento. Quando há espaços desenhados para conversas entre pares, como rodadas de negócios, lounges temáticos e matchmaking, o organizador mostra que está priorizando valor real”, avalia.

Segundo a especialista, o participante deve observar se o evento cria oportunidades de conversa ou se apenas concentra a atenção em apresentações longas e pouco interativas.

Público certo vale mais que multidão

O perfil dos participantes também pesa na avaliação. Um evento com milhares de visitantes pode ter baixo potencial de retorno se o público não tiver aderência ao objetivo da empresa ou do profissional.

Para Monique, uma feira com menos pessoas, mas com presença de tomadores de decisão, pode ser mais estratégica do que um grande evento com público disperso.

“Um evento com 10 mil visitantes do perfil errado entrega menos valor do que um com 800 tomadores de decisão do setor certo”, afirma.

Antes de investir, ela recomenda observar se a organização divulga dados sobre o perfil dos participantes, como cargo, setor, porte da empresa e poder de decisão. A ausência dessas informações pode dificultar a análise sobre o real potencial do evento.

Evento relevante não acaba no último dia

A continuidade também ajuda a diferenciar feiras mais estratégicas. Segundo Monique, eventos que entregam valor costumam manter comunidades ativas entre uma edição e outra, disponibilizar gravações, materiais de apoio e dados de impacto após o encontro.

Entre os indicadores estão parcerias iniciadas, negócios em andamento, contratações, encontros gerados e retorno dos participantes.

“A ausência de qualquer acompanhamento pós-evento é um sinal de que o modelo pode estar mais centrado na receita de patrocínio do que na entrega de valor ao participante”, diz.

Para ela, a feira deve ser vista como parte de uma jornada de relacionamento, e não como uma ação isolada. Quando a organização encerra a comunicação logo após o evento, parte do potencial de conexão se perde.

Como avaliar antes de participar

Antes de comprar ingresso, patrocinar ou montar um estande, a especialista recomenda analisar quatro pontos principais:

Quem fala no evento: avaliar se os palestrantes têm experiência prática e autoridade no tema.

Como o conteúdo é entregue: observar se há espaço para perguntas, debates e troca entre participantes.

Quem estará presente: verificar se o público tem relação com o objetivo da marca ou do profissional.

O que acontece depois: entender se o evento oferece continuidade, dados pós-evento e oportunidades de relacionamento.

Para Monique, a decisão deve ser menos guiada pelo apelo visual da feira e mais pela capacidade de gerar aprendizado, conexão qualificada e oportunidades concretas.

“Evento cheio chama atenção. Mas evento bom é aquele que conecta as pessoas certas, entrega conteúdo útil e continua gerando valor depois que os estandes são desmontados”, afirma.

Sobre Monique Fonseca

Monique Fonseca é CEO da L20 Eventos, agência especializada em planejamento e execução de eventos corporativos com foco estratégico no mercado de infoprodutores. Com mais de 15 anos de expertise em cerimonial, protocolo e produção de eventos, acumula experiência em eventos de grande porte para o setor público (Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Paulo, SEBRAE-SP) e privado. É pós-graduada em Planejamento e Gestão de Eventos pela FAAP e especialista em Marketing Político pela PUC-SP.

foto: freepik

Somos um veiculo de comunicação. As informações aqui postadas são de responsabilidade total de quem nos enviou.