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Sintoma comum pode estar associado a um tipo raro de câncer hematológico que afeta a medula óssea

Considerado um tipo raro de câncer hematológico, o mieloma múltiplo faz com que as células presentes na medula óssea, chamadas de plasmócitos, responsáveis pela produção de anticorpos, comecem a se multiplicar de forma descontrolada e sem exercer sua função, de acordo com informações do Ministério da Saúde.

Assim, essas células se acumulam, prejudicando a produção normal das demais células do sangue, podendo provocar lesões nos ossos, incluindo as vértebras. Esse tipo raro de câncer é uma das causas mais comuns de destruição óssea na coluna e pode se manifestar com dor lombar, fraturas espontâneas e sintomas neurológicos, caso haja compressão da medula.

O mieloma múltiplo é considerado um câncer raro porque representa cerca de 1% de todos os tumores malignos e de 10% a 15% dos cânceres do sangue, mas é o segundo tipo mais comum de neoplasia hematológica no Brasil, afetando principalmente pessoas idosas.

Segundo a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas 15% dos diagnósticos são realizados em pessoas com menos de 55 anos, enquanto mais de 60% dos diagnósticos ocorrem em adultos com mais de 65 anos.

A incidência é 1,5 maior em homens do que em mulheres, duas vezes maior em pessoas afro-americanas do que em caucasianas, enquanto asiáticos e nascidos nas ilhas do Pacífico Sul apresentam riscos menores. Também existe forte associação de risco entre parentes de primeiro grau, especialmente em homens e afro-americanos.

Dor afeta até 90% dos pacientes

A dor nos ossos acomete cerca de 70 a 90% dos pacientes com mieloma múltiplo, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, entre os sintomas estão a anemia, já que a doença atrapalha a produção das células vermelhas; a hipercalcemia, que é o aumento do cálcio, verificado por exames de sangue; a insuficiência renal, que provoca alterações na cor e no volume da urina; e infecções repetitivas, o que ocorre devido à imunidade comprometida.

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), dores persistentes nas costas, fraqueza muscular, alterações na sensibilidade e perda de controle de funções básicas são sinais que não devem ser ignorados.

Embora a dor nas costas seja o sintoma mais comum, ao contrário das dores musculares habituais, costuma ser constante, progressiva e pode piorar à noite ou com o repouso. A SBOT alerta que outros sintomas importantes incluem perda de força ou sensibilidade nos braços ou pernas, alterações na coordenação motora, formigamentos e até paralisia, dependendo da localização e do tamanho do tumor.

Por isso, a orientação geral é que os sinais passem por avaliação médica. Inicialmente, pode ser procurado um profissional que já acompanha o paciente ou um clínico geral e, a partir daí, serem realizados os encaminhamentos necessários. Há casos em que a dor nas costas pode exigir uma avaliação detalhada, que é o que faz um neurocirurgião de coluna.

“Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para aliviar a dor óssea causada pelo mieloma múltiplo”, explica o médico radiologista musculoesquelético, Virginio Rubin.

Diagnóstico começa por avaliação clínica

Pessoas com suspeita de mieloma múltiplo podem ser encaminhadas a um médico hematologista por diferentes tipos de especialidades, incluindo ortopedistas, clínicos gerais, nefrologistas e geriatras.

O primeiro passo para o diagnóstico é uma avaliação clínica completa, com avaliação do histórico do paciente e dos sintomas apresentados. Um exame físico neurológico auxilia na identificação de sinais como dor localizada, fraqueza muscular, alterações de sensibilidade e reflexos.

A partir dessa avaliação, o especialista pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada para identificar alterações na estrutura da coluna.

Durante o atendimento, o médico pode explicar como funciona o PET-CT Oncológico, exame não invasivo que também é indicado para diagnosticar câncer. Em alguns casos, também são solicitados exames laboratoriais, como hemograma, marcadores tumorais ou estudos da função da medula óssea. Quando há uma lesão suspeita, a confirmação do diagnóstico do tumor maligno é feita por meio de biópsia.

Tratamento transforma o prognóstico

De acordo com a International Myeloma Foundation (IMF), o tratamento do mieloma múltiplo passou por grandes avanços nas últimas décadas. Hoje, a doença é tratada como condição crônica, com períodos de controle prolongado e boa qualidade de vida para a maioria dos pacientes.

A escolha do tratamento depende de fatores como idade, presença de comorbidades e risco da doença. Entre as abordagens atuais estão quimioterapia, radioterapia,uso de corticóides, transplante autólogo de medula óssea (TMO), anticorpos biespecíficos, terapia com células CAR-T, quando os linfócitos T geneticamente modificados são reprogramados para reconhecer e atacar as células do mieloma, e esquemas combinados que envolvem combinações de medicamentos.

Foto: Pexels

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