Dados do IBGE reforçam a urgência de investir em prevenção e educação emocional ainda nos primeiros anos de vida
Os sinais de sofrimento psíquico entre adolescentes brasileiros deixaram de ser pontuais para se tornarem estatisticamente evidentes. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, mostram que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam se sentir tristes sempre ou na maior parte do tempo, enquanto uma proporção semelhante relata já ter tido vontade de se machucar.
O levantamento, que ouviu mais de 118 mil jovens em todo o país, também aponta que 42,9% se dizem irritados ou mal-humorados com frequência e 18,5% chegam a sentir que a vida não vale a pena.
Os números não apenas dimensionam o problema, mas indicam um deslocamento importante na forma de olhar para a saúde mental. Em vez de concentrar esforços apenas no tratamento, especialistas defendem que o foco precisa avançar para a prevenção, com início ainda na infância.
Para o psiquiatra Dr. Ricardo Patitucci, diretor da unidade do Rio de Janeiro da ViV Saúde Mental e Emocional, o cenário exige uma mudança de abordagem.
“Quando esses indicadores aparecem de forma tão expressiva na adolescência, é um sinal de que intervenções importantes não aconteceram antes. A saúde mental precisa ser trabalhada desde cedo, com o mesmo peso que se dá à saúde física e ao desenvolvimento cognitivo”, afirma.
Infância como janela crítica de desenvolvimento emocional
A infância é o período em que se estruturam habilidades fundamentais para lidar com frustrações, estabelecer vínculos e interpretar emoções. Diferentemente do cuidado em adultos, a saúde mental nessa fase envolve fatores que extrapolam o indivíduo, como o ambiente familiar, a dinâmica escolar e a qualidade das relações sociais.
Segundo o especialista, muitos sinais passam despercebidos justamente por não se apresentarem de forma clássica. “Em crianças, o sofrimento emocional pode aparecer como irritabilidade, dificuldades de aprendizagem ou queixas físicas recorrentes. Já na adolescência, esses quadros tendem a se intensificar e podem evoluir para comportamentos de risco, incluindo a autolesão”, explica.
Os próprios dados do IBGE ajudam a ilustrar esse processo. Além dos indicadores de tristeza e sofrimento emocional, a pesquisa mostra que quase 40% dos adolescentes já sofreram bullying, frequentemente de forma repetida, o que amplia o impacto sobre a saúde mental e reforça a importância do ambiente escolar como espaço de prevenção.
Educação em saúde mental
A educação emocional surge como um dos pilares para enfrentar esse cenário. Isso envolve ensinar crianças e adolescentes a reconhecerem emoções, desenvolver estratégias de regulação e construir repertórios para lidar com conflitos e frustrações.
Esse processo não se limita à escola. A participação da família é determinante, tanto na identificação precoce de mudanças comportamentais quanto na criação de um ambiente de escuta e acolhimento. A ausência desse suporte pode agravar quadros que, inicialmente, seriam manejáveis com intervenções simples.
Dr. Ricardo destaca que o conceito de prevenção em saúde mental ainda é pouco explorado no Brasil.
“Existe uma tendência de buscar ajuda apenas quando o sofrimento já está instalado. A educação emocional precisa ser contínua, incorporada ao cotidiano e adaptada a cada fase do desenvolvimento”, afirma.
Desafios estruturais e caminhos possíveis
Apesar do avanço no debate, o acesso a serviços especializados ainda é limitado, especialmente para o público infantojuvenil. A ampliação de políticas públicas, a integração entre saúde e educação e a capacitação de profissionais são apontadas como medidas necessárias para ampliar o alcance das ações preventivas.
Nesse contexto, modelos de cuidado que consideram as especificidades dessa faixa etária ganham relevância. A atuação multidisciplinar, com integração entre psiquiatria, psicologia e orientação familiar, tem se mostrado mais eficaz tanto na prevenção quanto no manejo de transtornos já instalados.
Na avaliação do especialista, iniciativas estruturadas podem contribuir para mudar o curso desses indicadores nos próximos anos.
“Quando a saúde mental é incorporada desde a infância como parte do desenvolvimento, os impactos são profundos. Isso reduz o risco de agravamento na adolescência e influencia diretamente a vida adulta”, destaca.
A ViV Saúde Mental e Emocional tem investido em uma linha de cuidado dedicada a crianças e adolescentes, com abordagens adaptadas e foco na prevenção. Para Patitucci, ampliar esse tipo de iniciativa é essencial diante de um cenário que já não pode ser tratado como episódico, mas como uma questão de saúde pública em evolução.
Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional
A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.
Presente em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com treze instituições e mais de trinta unidades de atendimento com credenciamento de diversos convênios de saúde, a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana.
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